Eu só consigo rir.
É tão fantástico ver que eu simplesmente não tenho descanso. No rest for the wicked. Parece que existe uma entidade que se diverte em ver as coisas dando errado pra mim. Arruinando o que eu me esforço pra construir, tocando fogo no que eu me esforço pra plantar. Chega a cúmulos como eu ganhar ingressos prum filme numa promoção e o filme sair do cinema antes de eu receber o prêmio, ou como eu passar mal no dia do show que eu queria assistir e tinha conseguido entrada de graça.
Eu não acredito em destino e nem nessas porras todas, mas puta que o pariu, de vez em quando eu penso em mudar de vida.
É nesses momentos que eu sorrio, olho pra minha parede e entendo porque eu escrevi Lost and Damned nela.
Ah se eu pego o desgraçado que faz isso...
"Acho que a Foice como instrumento da morte dá à vida uma idéia de colheita: você nasce, você cresce e então você é brutalmente eviscerado por uma entidade maior e com armas mais violentas que as suas..." - Dark Harlequin
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quinta-feira, 24 de março de 2011
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
De volta, do/para o Inferno...
Surgem no horizonte hostes de querubins caídos, com uma música conhecida nos lábios... meu bom e velho hino:
"Helena, you came to me
When seemingly life had begun
Little did I know, then
Where this would go when this begun
Once I was free to fly
I didn't promise anything
This may well be goodbye
Don't ask why
Don't be sad
Sometimes we all must alter paths we planned
Only try to understand
I want to save you from the Lost and Damned
Although you hold me close
I feel retention arise
Just as a hint of fear like subtle clouds
In summer skies
Once in the moonlight
I can't explain
And I don't know, somehow we may reunite
Don't ask why
Don't be sad
Sometimes we all must alter paths we planned
Don't forget what we had
But let me save you from the Lost and Damned
Love means nothing to me... if there's a higher place to be...
Helena, don't you cry!
Believe me, I do this for you!
Hear my decision know
I will be gone tomorrow noon
My tale has just begun
Nothing can take my faith away
In my quest for the sun
Don't ask why
Don't be sad
Sometimes we all must alter paths we planned
Only try to understand
I want to save you from the Lost and Damned
Don't ask why
Don't be sad
Sometimes we all must alter paths we planned
Leave me behind, don't look back!
'Cause deep within you know I'm Lost and Damned!"
E, com um sorriso mórbido no rosto, eu sigo meu "doce" e pútrido caminho, cantarolando a melodia enquanto os anjos do inferno liberam suas vozes abissais em meus ouvidos...
"Helena, you came to me
When seemingly life had begun
Little did I know, then
Where this would go when this begun
Once I was free to fly
I didn't promise anything
This may well be goodbye
Don't ask why
Don't be sad
Sometimes we all must alter paths we planned
Only try to understand
I want to save you from the Lost and Damned
Although you hold me close
I feel retention arise
Just as a hint of fear like subtle clouds
In summer skies
Once in the moonlight
I can't explain
And I don't know, somehow we may reunite
Don't ask why
Don't be sad
Sometimes we all must alter paths we planned
Don't forget what we had
But let me save you from the Lost and Damned
Love means nothing to me... if there's a higher place to be...
Helena, don't you cry!
Believe me, I do this for you!
Hear my decision know
I will be gone tomorrow noon
My tale has just begun
Nothing can take my faith away
In my quest for the sun
Don't ask why
Don't be sad
Sometimes we all must alter paths we planned
Only try to understand
I want to save you from the Lost and Damned
Don't ask why
Don't be sad
Sometimes we all must alter paths we planned
Leave me behind, don't look back!
'Cause deep within you know I'm Lost and Damned!"
E, com um sorriso mórbido no rosto, eu sigo meu "doce" e pútrido caminho, cantarolando a melodia enquanto os anjos do inferno liberam suas vozes abissais em meus ouvidos...
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Décimo quarto dia: A luta selvagem e brutal consumiu tudo que tínhamos. Energias, suprimentos, força de vontade. Tudo. O sangue escorre de nossos corpos e nossos primeiros socorros já acabaram. Estamos longe de nosso bastião e o caminho é longo. Rastejando, encontro alguma coisa na lama. Parecem alguns papeis. Um deles envolto em plástico. Em um deles tem uma foto de alguém. Cabelo cacheado, olho claro. Um rosto quase infantil e com olhar inocente me contempla. Um nome assinado em uma letra desenhada, quase bonita.
Eu, antes disso tudo.
Finalmente, depois de duas semanas de absoluto inferno, eu encontrei a mim mesmo.
Eu, antes disso tudo.
Finalmente, depois de duas semanas de absoluto inferno, eu encontrei a mim mesmo.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Décimo primeiro dia: Começou a tempestade. Os uivos ficaram ainda mais intensos, e é possível ouvir gritos fantasmagóricos daqui de onde estamos. Avançamos em meio à chuva, com a impressão de que jamais voltaríamos. A fumaça começa a cobrir o céu e o verde das árvores já não é tão viçoso. A noite traz um frio cortante e podemos ouvir sussurros ao redor de nosso bastião. É como se eles soubessem onde estamos, mas se alimentassem do nosso desespero. Como se cada lágrima de tristeza fosse a fonte da juventude para essas bestas amaldiçoadas. Os farrapos de roupas são inúteis contra as garras deles, mas nos protegem um pouco do frio e nos separa da selvageria completa. O sol parece não nascer nunca e já são 11 horas da manhã. Mas é sempre noite e escuridão.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Décimo dia: Os uivos estão mais intensos. Éramos muitos e agora somos apenas três. Cada uma de nossas investidas nos custou alguém importante. A esperança se foi, completamente. Continuar lutando é a nossa única opção, mas queremos desistir. Alguns demônios aproximaram-se de nossa casa, mas, a muito custo, conseguimos matá-los antes que a nossa localização fosse dita. Olhamos uns para os outros e vemos apenas medo e desolação. Erguemos um ao outro quando sequer poderíamos nos erguer sozinhos, porque a nossa única esperança jaz nos dois outros guerreiros ao lado. A solidão se abate sobre cada um de nós, mesmo sabendo que há pessoas ao redor. A insanidade é a única companheira em tempo integral e o medo nos ronda como uma besta.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
É o nono dia desde que os portões do Inferno se abriram e vomitaram demônios sobre nós. Reunimos o que conseguimos e fugimos, rumo ao nada e a lugar nenhum. Nos escondemos em uma casa distante, longe da visão deles. Mas eles veem quase tudo e, em pouco tempo, virão atormentar-nos. Temos poucas armas, e as feras do Inferno uivam e rugem ao longe, festejando o banquete de carne. Nosso desespero supera nossa força de vontade e nos faz reagir insanamente. Em meu bolso, apenas minha carteira que foi esvaziada de moedas para ficar leve. Documentos são inúteis agora, assim como números de telefone. Ninguém, ou quase ninguém, está vivo. No entanto, o risco de perdermos nossos valores e nossa essência é grande quando o mundo não nos lembra quem somos. Portanto, em minha carteira, tenho somente 7 objetos.
7 curingas.
7 curingas pretos.
O resto não interessa.
E enquanto engatilho as armas, para mais uma batalha encarniçada ao amanhecer, sorrio em deleite de minha própria maldição e insanidade.
7 curingas.
7 curingas pretos.
O resto não interessa.
E enquanto engatilho as armas, para mais uma batalha encarniçada ao amanhecer, sorrio em deleite de minha própria maldição e insanidade.
terça-feira, 23 de março de 2010
O horror é como uma doença. Ele nos devasta quando estamos fortes e nos devora quando estamos fracos. A dor nunca passa: ela aumenta e diminui, mas nunca passa. Não existe realidade que dê asas à esperança e toda mentira traz o fim em sua esteira. No rastro dos exaustos, segue, incansável, o horror.
-Extraído do diário de Vershak, o Louco.
-Extraído do diário de Vershak, o Louco.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Antes eu via, na distância, o tempo em que a escuridão me cercava e nada, nada, estava disposto a iluminar meu caminho.
Hoje vejo, na distância, meus dias sagrados.
Dor. A verdade inconsolável que atravessa como uma estaca minha mente, meu coração e minha alma. Desconsolo e agonia formam a paisagem destas terras obscuras, desta maldita terra de punições, de onde extraio minha loucura.
Vejo o desespero se aproximando, correndo como uma besta sedenta de sangue e faminta de carne, exsudando líquidos ocres e viscosos. Ah, minha espada não há de retalhá-lo, mas farei com que se arrependa de cada passo que avançou. Suas patas felinas fazem o chão tremer, mas, no fim, eu irei triunfar.
Só não sei o quanto perderei.
-Extraído do diário de Vershak, o Louco
Hoje vejo, na distância, meus dias sagrados.
Dor. A verdade inconsolável que atravessa como uma estaca minha mente, meu coração e minha alma. Desconsolo e agonia formam a paisagem destas terras obscuras, desta maldita terra de punições, de onde extraio minha loucura.
Vejo o desespero se aproximando, correndo como uma besta sedenta de sangue e faminta de carne, exsudando líquidos ocres e viscosos. Ah, minha espada não há de retalhá-lo, mas farei com que se arrependa de cada passo que avançou. Suas patas felinas fazem o chão tremer, mas, no fim, eu irei triunfar.
Só não sei o quanto perderei.
-Extraído do diário de Vershak, o Louco
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