Revés e Felicidade deixaram o recinto. Era eu contra uma das piores coisas que eu iria enfrentar em minha existência. Mas tudo bem, era uma missão simples.
Sair vivo.
Meu poder divino estava ainda esvaindo. Decidi aproveitá-lo enquanto era possível. Investi contra a criatura, Lâmina em punho, e golpeei-a com violência. Meus braços, porém, encontraram apenas o ar. O monstro esquivou-se e direcionou sua lança ao meu peito, mas somente sombras foram acertadas. Eu já estava longe.
-Você não é meu alvo, Orgulho. Desapareça da minha frente ou eu farei você se arrepender.-disse Scarecrow, com uma voz rouca.
-O que você espera? Que eu limpe o caminho? Eu perdi tudo... tudo. Os resquícios da Legião são tudo que sobrou. E agora você ameaça eles. Eu posso não ser capaz de destruí-lo... mas talvez eu seja capaz de enfrentá-lo.-respondi.
-Sua divindade não irá durar para sempre... ela está se esvaindo.-respondeu o monstro.
-Eu, na realidade, estou contando com isso.-repliquei.
A lança sombria de Scarecrow deixou suas mãos e percorreu o ar quase tão rápido quanto eu poderia vê-la. Com um salto, deixei a trajetória da arma e então aterrisei com os dois pés na cara do monstro. Aproveitei o impacto para pegar impulso e saltar para longe.
Mas uma mão segurou minha perna.
A besta atirou-me do lado oposto ao que tinha arremessado a lança. Colidi fortemente com a parede e, por um momento, senti que o fluxo de energia estava diminuindo. Eu estava voltando ao normal, e rápido.
Hora de ser idiota.
Corri contra a criatura, que correu em minha direção. Exatamente como eu queria. No exato momento em que nossos corpos deveriam ter colidido, somente um manto de sombras entrou em contato com o monstro. Teletransportei-me para sua lança, arranquei-a da parede e então libertei uma última emanação grotesca de energia que derrubou o castelo de Felicidade sobre as nossas cabeças. Segurei firmemente a arma, enquanto a criatura tentava inverter sua investida.
Tentou em vão.
-Revés...-disse eu, engasgado com meu próprio sangue.-Essa dívida é maior do que eu imaginava.
-Talvez eu possa ajudá-lo com isso, Orgulho.-disse uma voz, surgindo do nada.-Afinal de contas, Revés pode ser seu irmão... mas também é meu filho. E eu agradeço o que fizeste por ele.
Ri enlouquecidamente quando ouvi aquela voz. A gargalhada de alguém que encontra consolo no desespero, triunfo na desgraça. Uma mão forte segurou meu braço e então puxou-me dos escombros.
-Vamos embora rápido, antes que ele levante. Deixe essa arma aí.-disse o dono da voz.-Você está um bagaço.
-Adoraria que sua intervenção tivesse vindo antes, meu bom e velho amigo Caos.-respondi, com um sorriso de incredulidade.
"Acho que a Foice como instrumento da morte dá à vida uma idéia de colheita: você nasce, você cresce e então você é brutalmente eviscerado por uma entidade maior e com armas mais violentas que as suas..." - Dark Harlequin
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terça-feira, 16 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Deathmarks X (FINAL): Abandoned
-Você vai viver, Orgulho. Isso que eu quis dizer.-respondeu Guerra.
-É... vou ter tempo parar remoer minha derrota.-respondi.
-Muito bem, não é da minha conta. Nosso acordo foi cumprido, então... - começou Guerra, mas parou.-O que é isso?
Uma energia azul pálida começou a emanar de mim. Eu sentia meu poder diminuindo, mas aquilo não me preocupava.
-Poder.-respondi.
-Você está me desafiando, Orgulho?-disse Guerra, levando a mão à espada.
-Não. O poder que me foi dado está sendo tomado de volta. Lil'siztah.-expliquei.
-A dançarina dos túmulos. Bem pensado. Como você teve acesso aos Contos Esquecidos?
-Conhecimento. Ele é meu aliado. Ou melhor, era.
-Você realmente está perdido, não está?
-O universo vai parar de fazer piada com a minha desgraça? Nosso acordo está cumprido, Guerra. Deixe-me sozinho.
-Certo... só acho que você deve presenciar algo, antes.
Gritei de dor quando minha cabeça foi invadida por inúmeras imagens. Dezenas de sombras escuras enormes e, silhuetas brancas gigantescas e, no meio disso tudo, um vulto cinzento correndo e empunhando alguma coisa que brilhava sinistramente.
-O que diabos é isso?-perguntei.
-As sombras são demônios. As silhuetas brancas, anjos... e a sombra cinzenta... é Revés.-disse ele.
-O que ele está fazendo entre essas criaturas?-perguntei.
-Nada de bom, você deve imaginar. Eu lhe ofereci essa visão como recompensa: você tem a chance de seguir sozinho... ou de refazer a Legião. Vai fazer uma escolha?
Revés. Eu ainda quero algumas respostas dele e ainda quero tentar refazer a Legião. Por outro lado, eu estive em desgraça e ninguém de meus aliados tentou me ajudar. Eu fui para o Inferno sozinho, voltei sozinho e só consegui ajuda de Conhecimento a contragosto. Eu não desisti da Legião, mas ela desistiu de mim.
-Minha escolha já foi feita, Guerra.-disse eu.
-É... vou ter tempo parar remoer minha derrota.-respondi.
-Muito bem, não é da minha conta. Nosso acordo foi cumprido, então... - começou Guerra, mas parou.-O que é isso?
Uma energia azul pálida começou a emanar de mim. Eu sentia meu poder diminuindo, mas aquilo não me preocupava.
-Poder.-respondi.
-Você está me desafiando, Orgulho?-disse Guerra, levando a mão à espada.
-Não. O poder que me foi dado está sendo tomado de volta. Lil'siztah.-expliquei.
-A dançarina dos túmulos. Bem pensado. Como você teve acesso aos Contos Esquecidos?
-Conhecimento. Ele é meu aliado. Ou melhor, era.
-Você realmente está perdido, não está?
-O universo vai parar de fazer piada com a minha desgraça? Nosso acordo está cumprido, Guerra. Deixe-me sozinho.
-Certo... só acho que você deve presenciar algo, antes.
Gritei de dor quando minha cabeça foi invadida por inúmeras imagens. Dezenas de sombras escuras enormes e, silhuetas brancas gigantescas e, no meio disso tudo, um vulto cinzento correndo e empunhando alguma coisa que brilhava sinistramente.
-O que diabos é isso?-perguntei.
-As sombras são demônios. As silhuetas brancas, anjos... e a sombra cinzenta... é Revés.-disse ele.
-O que ele está fazendo entre essas criaturas?-perguntei.
-Nada de bom, você deve imaginar. Eu lhe ofereci essa visão como recompensa: você tem a chance de seguir sozinho... ou de refazer a Legião. Vai fazer uma escolha?
Revés. Eu ainda quero algumas respostas dele e ainda quero tentar refazer a Legião. Por outro lado, eu estive em desgraça e ninguém de meus aliados tentou me ajudar. Eu fui para o Inferno sozinho, voltei sozinho e só consegui ajuda de Conhecimento a contragosto. Eu não desisti da Legião, mas ela desistiu de mim.
-Minha escolha já foi feita, Guerra.-disse eu.
domingo, 14 de novembro de 2010
Deathmarks IX: No Pain for the Dead
-Eu, Orgulho.-disse ele, com um sorriso irônico.
Inúmeras perguntas percorreram minha mente, todas querendo ser feitas de uma vez só. A única que saiu foi...
-Como?-perguntei.
Dor sorriu e ergueu-se.
-Você, Orgulho. Você me deu esse presente. Você criou esse reino ao matar Esperança... o Anátema que veio até aqui era poderoso, mas eu fui mais. Eu o prendi. Metade de seu poder ficou comigo e a outra metade ficou na jaula. E então você me faz mais um favor.
Tremi de raiva.
-Perseverança. Você trancou o Anátema dentro dela e então soltou-a contra mim. Você sabia que eu iria matá-la.-respondi.
-Não. Eu achei que ela fosse matar você. Mas o fato de você estar matando todos esses Eternos trouxe mais alguém para meu lado. Você imagina quem.- disse Dor, com um sorriso cínico no rosto.-Quando eu soube que Guerra esteve atrás de você, foi como degustar a perda de um jovem promissor. Que sorvo! Alguém finalmente iria completar a lição que eu queria dar em você.
Ele estava revelando que, basicamente, tudo que fiz foi para levar-me até aquele ponto. O desgraçado, de alguma forma, conseguiu aproveitar-se das situações que eu criava de uma forma tão magistral que, mesmo agora, que eu sou um deus, ele me derrotou.
De novo.
-Ora, sorria Orgulho! Cadê suas palavras ásperas, suas ofensas ferinas? Você minguou perante tão sórdida obra minha? Será que eu toquei na ferida?-disse ele e, com um tom ainda maior de sadismo na voz, completou.- Será que eu feri o seu orgulho?
Sem reação. Minhas mão direita buscou minha Lâmina e então segurou-a com firmeza.
-Você perdeu, Orgulho. Você perdeu a Legião, você perdeu Perseverança... tudo que você perdeu: fui eu quem tirou de você. Xeque-mate.-disse ele.
Meus olhos o encararam.
-Dor. Sim, talvez você tenha vencido a guerra. Mas essa última batalha, ah... essa última será minha.-disse eu.-Eu não posso matá-lo, mas posso puni-lo.
A promessa. Eu não poderia matá-lo, ainda mais agora que minha culpa tinha atingido seu ápice.
-Você não pode me matar porque lhe falta o poder, Eterno. Eu transcendi a condição de Eterno, deixei essa situação amaldiçoada para trás e agora tornei-me acima disso. Eu não sou mais o mesmo que você.
Um sorriso correu meus lábios pela primeira vez.
-Agora eu posso matá-lo.
Corri em sua direção, com a Lâmina em punho. Dor espalhou seus tentáculos para pegar-me, mas arranquei-os impiedosamente. Não me importava com o fato de que eles voltariam: eu só queria a cabeça daquele desgraçado. Ele golpeou-me inúmeras vezes, com força capaz de matar um anjo. Mas eu era mais que isso.
Lutei como tinha lutado poucas vezes, com um poder que nunca tinha tido. A terra ao nosso redor tremia de agonia: o medo emanava de onde estávamos. Mais de uma vez, as inúmeras Lâminas de Dor tentaram terminar minha existência, mas eu as desviava com uma devoção fanática. E então, aconteceu: durante um golpe precipitado, as Lâminas encontraram um alvo.
Mas já era tarde.
Senti minha Lâmina vibrar intensamente quando ela perfurou o pescoço de Dor.
-Não há dor para os mortos, Dor.-disse eu.-Você imagina como isso dever ser?
-Deve ser como a paz que você nunca vai encontrar, Orgulho.-disse ele.
Um feixe de luz surgiu da Lâmina e então o corpo de Dor explodiu. A explosão atirou-me a uma distância considerável e abriu uma cratera gigantesca no lugar da antiga Terra Desolada. Meus olhos demoraram a abrir-se e então, quando eles abriram, sentei-me no chão.
-Você venceu, Orgulho.-disse Guerra, atrás de mim.
-Não, Guerra... eu perdi.-respondi.
Inúmeras perguntas percorreram minha mente, todas querendo ser feitas de uma vez só. A única que saiu foi...
-Como?-perguntei.
Dor sorriu e ergueu-se.
-Você, Orgulho. Você me deu esse presente. Você criou esse reino ao matar Esperança... o Anátema que veio até aqui era poderoso, mas eu fui mais. Eu o prendi. Metade de seu poder ficou comigo e a outra metade ficou na jaula. E então você me faz mais um favor.
Tremi de raiva.
-Perseverança. Você trancou o Anátema dentro dela e então soltou-a contra mim. Você sabia que eu iria matá-la.-respondi.
-Não. Eu achei que ela fosse matar você. Mas o fato de você estar matando todos esses Eternos trouxe mais alguém para meu lado. Você imagina quem.- disse Dor, com um sorriso cínico no rosto.-Quando eu soube que Guerra esteve atrás de você, foi como degustar a perda de um jovem promissor. Que sorvo! Alguém finalmente iria completar a lição que eu queria dar em você.
Ele estava revelando que, basicamente, tudo que fiz foi para levar-me até aquele ponto. O desgraçado, de alguma forma, conseguiu aproveitar-se das situações que eu criava de uma forma tão magistral que, mesmo agora, que eu sou um deus, ele me derrotou.
De novo.
-Ora, sorria Orgulho! Cadê suas palavras ásperas, suas ofensas ferinas? Você minguou perante tão sórdida obra minha? Será que eu toquei na ferida?-disse ele e, com um tom ainda maior de sadismo na voz, completou.- Será que eu feri o seu orgulho?
Sem reação. Minhas mão direita buscou minha Lâmina e então segurou-a com firmeza.
-Você perdeu, Orgulho. Você perdeu a Legião, você perdeu Perseverança... tudo que você perdeu: fui eu quem tirou de você. Xeque-mate.-disse ele.
Meus olhos o encararam.
-Dor. Sim, talvez você tenha vencido a guerra. Mas essa última batalha, ah... essa última será minha.-disse eu.-Eu não posso matá-lo, mas posso puni-lo.
A promessa. Eu não poderia matá-lo, ainda mais agora que minha culpa tinha atingido seu ápice.
-Você não pode me matar porque lhe falta o poder, Eterno. Eu transcendi a condição de Eterno, deixei essa situação amaldiçoada para trás e agora tornei-me acima disso. Eu não sou mais o mesmo que você.
Um sorriso correu meus lábios pela primeira vez.
-Agora eu posso matá-lo.
Corri em sua direção, com a Lâmina em punho. Dor espalhou seus tentáculos para pegar-me, mas arranquei-os impiedosamente. Não me importava com o fato de que eles voltariam: eu só queria a cabeça daquele desgraçado. Ele golpeou-me inúmeras vezes, com força capaz de matar um anjo. Mas eu era mais que isso.
Lutei como tinha lutado poucas vezes, com um poder que nunca tinha tido. A terra ao nosso redor tremia de agonia: o medo emanava de onde estávamos. Mais de uma vez, as inúmeras Lâminas de Dor tentaram terminar minha existência, mas eu as desviava com uma devoção fanática. E então, aconteceu: durante um golpe precipitado, as Lâminas encontraram um alvo.
Mas já era tarde.
Senti minha Lâmina vibrar intensamente quando ela perfurou o pescoço de Dor.
-Não há dor para os mortos, Dor.-disse eu.-Você imagina como isso dever ser?
-Deve ser como a paz que você nunca vai encontrar, Orgulho.-disse ele.
Um feixe de luz surgiu da Lâmina e então o corpo de Dor explodiu. A explosão atirou-me a uma distância considerável e abriu uma cratera gigantesca no lugar da antiga Terra Desolada. Meus olhos demoraram a abrir-se e então, quando eles abriram, sentei-me no chão.
-Você venceu, Orgulho.-disse Guerra, atrás de mim.
-Não, Guerra... eu perdi.-respondi.
Deathmarks VIII: You Will Always Walk Alone
-Seu poder é enorme... mas temporário. Use-o sabiamente, Orgulho.-disse ela.
Impressionante. Eu sentia o próprio tecido da realidade moldar-se ao meu redor. Minhas asas abriram-se e cortaram os ventos, quase mais rápido do que eu conseguia me orientar. O Pesadelo me seguia, mas ficou para trás. Então isso é ser um deus? Tentador.
Mas eu tenho uma missão a cumprir.
A Terra Desolada começou a ficar cada vez mais próxima. Pousei e então observei. Meus olhos percorrem o horizonte, mais visionários do que nunca. Meus sentidos estavam loucos, mas alerta. A sensação era arrebatadora. Minhas mão direita fechou-se e desceu como um martelo em direção ao chão.
Uma cratera mais ou menos do meu tamanho formou-se ao redor do ponto de impacto e eu caí dentro dela. Dei uma risada, como uma criança que acabou de ganhar um brinquedo melhor do que o que tinha antes. Saltei para fora do buraco e caminhei em direção ao ponto central da área, onde eu sabia que encontraria o Anátema.
Essa era uma das primeiras vezes que eu rumava para uma situação como essa sem auxílio nenhum. Sem a Legião, sem ninguém. Sozinho. Parecia ser diferente, mas era a mesma coisa: eu talvez esteja um pouco incomodado por saber que Revés estava vivo de novo (de fato, eu tenho certo receio de encontrá-lo de novo). Quem sabe, depois disso tudo eu possa encontrá-lo e equilibrar as escalas que ficaram pendentes...
Os primeiros oponentes apareceram. Uma fileira com vinte, talvez mais. Espíritos inferiores, que eu seria capaz de matar sem esforço mesmo antes. Mas agora, eu quero testar meus brinquedos.
Varri o ar com a mão direita e inúmeras adagas feitas de sombra surgiram e atacaram as criaturas. Metade dos espíritos sumiram instantaneamente. A outra metade continuou a investida.
Um sorriso correu meus lábios.
Minha Lâmina anseava por isso, e quem sou eu para negar algo a ela? Saquei-a e então comecei o massacre. Percorri a distância que me separava deles muito antes que as criaturas soubessem o que estava acontecendo. Nenhuma arma tocou meu corpo e, antes que eu pudesse começar a me preocupar, a batalha tinha acabado.
Não preciso me deter a todos os detalhes de minha viagem. Enfrentei monstros gigantescos feitos de carne podre, espíritos malignos capazes de fazer um Eterno mais fraco tremer de medo e bestas que, até hoje, eram lendas para mim. E, mesmo com todos esses oponentes, nenhum golpe acertou-me.
O golpe que realmente me acertou foi quando eu vi quem estava sentado em um trono pestilento cercado por tochas no centro da Terra Desolada. Não acreditei. Era impossível, não existia algo assim.
Não era um Anátema.
Não era um deus.
Era um Eterno.
-Ah, Orgulho. Eu já lhe agradeci alguma vez pelo imenso presente que me deste?-disse ele, com um sorriso no rosto.-Porque, se ainda não o fiz, não me deixe esquecer. Você realmente sabe como agradar os Eternos, não sabe?
Minhas mãos cerraram-se tão rápido que a onda de choque derrubou e apagou as tochas. Minha mão direita voou na bainha da Lâmina, enquanto eu encarava, lívido de ira, aquela criatura. Minha boca retorceu-se de nojo ao pronunciar aquele nome.
-Dor.
Impressionante. Eu sentia o próprio tecido da realidade moldar-se ao meu redor. Minhas asas abriram-se e cortaram os ventos, quase mais rápido do que eu conseguia me orientar. O Pesadelo me seguia, mas ficou para trás. Então isso é ser um deus? Tentador.
Mas eu tenho uma missão a cumprir.
A Terra Desolada começou a ficar cada vez mais próxima. Pousei e então observei. Meus olhos percorrem o horizonte, mais visionários do que nunca. Meus sentidos estavam loucos, mas alerta. A sensação era arrebatadora. Minhas mão direita fechou-se e desceu como um martelo em direção ao chão.
Uma cratera mais ou menos do meu tamanho formou-se ao redor do ponto de impacto e eu caí dentro dela. Dei uma risada, como uma criança que acabou de ganhar um brinquedo melhor do que o que tinha antes. Saltei para fora do buraco e caminhei em direção ao ponto central da área, onde eu sabia que encontraria o Anátema.
Essa era uma das primeiras vezes que eu rumava para uma situação como essa sem auxílio nenhum. Sem a Legião, sem ninguém. Sozinho. Parecia ser diferente, mas era a mesma coisa: eu talvez esteja um pouco incomodado por saber que Revés estava vivo de novo (de fato, eu tenho certo receio de encontrá-lo de novo). Quem sabe, depois disso tudo eu possa encontrá-lo e equilibrar as escalas que ficaram pendentes...
Os primeiros oponentes apareceram. Uma fileira com vinte, talvez mais. Espíritos inferiores, que eu seria capaz de matar sem esforço mesmo antes. Mas agora, eu quero testar meus brinquedos.
Varri o ar com a mão direita e inúmeras adagas feitas de sombra surgiram e atacaram as criaturas. Metade dos espíritos sumiram instantaneamente. A outra metade continuou a investida.
Um sorriso correu meus lábios.
Minha Lâmina anseava por isso, e quem sou eu para negar algo a ela? Saquei-a e então comecei o massacre. Percorri a distância que me separava deles muito antes que as criaturas soubessem o que estava acontecendo. Nenhuma arma tocou meu corpo e, antes que eu pudesse começar a me preocupar, a batalha tinha acabado.
Não preciso me deter a todos os detalhes de minha viagem. Enfrentei monstros gigantescos feitos de carne podre, espíritos malignos capazes de fazer um Eterno mais fraco tremer de medo e bestas que, até hoje, eram lendas para mim. E, mesmo com todos esses oponentes, nenhum golpe acertou-me.
O golpe que realmente me acertou foi quando eu vi quem estava sentado em um trono pestilento cercado por tochas no centro da Terra Desolada. Não acreditei. Era impossível, não existia algo assim.
Não era um Anátema.
Não era um deus.
Era um Eterno.
-Ah, Orgulho. Eu já lhe agradeci alguma vez pelo imenso presente que me deste?-disse ele, com um sorriso no rosto.-Porque, se ainda não o fiz, não me deixe esquecer. Você realmente sabe como agradar os Eternos, não sabe?
Minhas mãos cerraram-se tão rápido que a onda de choque derrubou e apagou as tochas. Minha mão direita voou na bainha da Lâmina, enquanto eu encarava, lívido de ira, aquela criatura. Minha boca retorceu-se de nojo ao pronunciar aquele nome.
-Dor.
sábado, 13 de novembro de 2010
Deathmarks VII: Dance on the Graves (Lil'Siztah)
-Orgulho... não faça isso.-disse Raziel.
Voltei-me para ele.
-Guerra quer minha cabeça. Outros Eternos querem minha cabeça. Lucifer quer a minha cabeça. A única coisa boa que poderia resultar disso seria essas três "equipes" decidirem lutar até a morte pra ver quem arranca o maior pedaço! Ninguém nunca sentiu sua falta, Raziel, ou teriam ido buscá-lo. Eu sinto muito, mas não preciso nem dizer quem eu vou escolher entre nós dois.
-Você está me irritando, Eterno. Meu tempo é precioso e se você continuar desperdiçando-o, os outros vão chegar tarde demais para coletar sua cabeça.-disse a deusa.
Eu sabia. Não existe cortesia entre divindades psicóticas.
-Minha oferta é Raziel, Antigo Príncipe dos Querubins, um dos 7 anjos mais poderosos que já existiu e prisioneiro estimado da Estrela da Manhã.
Lil'Siztah flutuou até ele e o observou. Sua mão tocou o anjo, que gritou de dor.
-Sim. Delicioso, Orgulho.-disse ela.-Mas o que você quer em troca disso?
-Eu preciso do poder necessário para destruir um Anátema.
Ela sorriu.
-Você deseja que eu o transforme em um deus e tudo que me oferece é uma pomba de asas grandes? Você me insulta, Orgulho!
-Eu preciso do poder para destruí-lo... somente até eu destruí-lo. Retire o poder que me deres depois que minha missão terminar. Eu o trouxe pessoalmente do Inferno, enfrentei perigos incontáveis... e nunca precisei ser um deus para isso. Mas agora, pelo menos por alguns momentos, eu preciso. Essa é minha troca: Raziel é seu para sempre... se um poder como o seu me servir durante alguns momentos.
-Meu tempo é precioso.-disse ela.
-Precioso, sim... mas também infinito.-respondi.
-Quero também que você se desfaça da adaga.-disse ela.
Hesitei. A adaga de Revés era meu único vínculo com ele, atualmente. Eu sabia que ele já tinha retornado, mas não conseguiria ainda encontrá-lo pessoalmente. Não tenho ideia de qual poderia ser a reação dele e nem a minha.
-Um pedido reles, Lil'Siztah.-disse eu.- Existe algum motivo real para isso?
-Destino.-disse ela.
Merda. Era a resposta que eu não queria.
-Aceito. Me desfaço da adaga e dou-lhe Raziel pelo poder para destruir um Anátema.
-Pacto selado, Orgulho. Aproxime-se.
Os dedos dela estalaram e então a adaga sumiu em chamas. Pude sentí-la no Inferno, mas não tinha ideia de onde. Longe demais para eu ir buscar, era minha única certeza. A seguir, Raziel gritou enquanto seu corpo transformava-se em uma substância luminosa. Aura. Lil'Siztah bebeu tudo e então olhou para mim.
-Sua vez.-disse ela.
No momento em que ela tocou em mim, eu desejei que me matasse. A dor era excruciante, eu sentia cada minúsculo fragmento de meu corpo explodindo, crescendo, aumentando. Tentáculos de sombra projetaram-se do chão e tentaram impedir a deusa de continuar encostando em mim, mas a força dela era inigualável. O poder tinha um preço: a dor. A única coisa que leva ao poder é o esforço, e o esforço sempre traz dor. Naquele momento, eu estava sentindo a dor necessária para que eu me tornasse um deus. Senti meus corpo rompendo inteiro, como se eu estivesse trocando de pele. Minha essência explodia dentro de mim mesmo e a onda de choque servia como uma rede de navalhas que destroçavam tudo ao seu redor.
Quando aquele toque maldito deixou-me, eu pude sentir minha própria Aura fugindo de meu alcance.
Eu, agora, sou uma divindade.
Voltei-me para ele.
-Guerra quer minha cabeça. Outros Eternos querem minha cabeça. Lucifer quer a minha cabeça. A única coisa boa que poderia resultar disso seria essas três "equipes" decidirem lutar até a morte pra ver quem arranca o maior pedaço! Ninguém nunca sentiu sua falta, Raziel, ou teriam ido buscá-lo. Eu sinto muito, mas não preciso nem dizer quem eu vou escolher entre nós dois.
-Você está me irritando, Eterno. Meu tempo é precioso e se você continuar desperdiçando-o, os outros vão chegar tarde demais para coletar sua cabeça.-disse a deusa.
Eu sabia. Não existe cortesia entre divindades psicóticas.
-Minha oferta é Raziel, Antigo Príncipe dos Querubins, um dos 7 anjos mais poderosos que já existiu e prisioneiro estimado da Estrela da Manhã.
Lil'Siztah flutuou até ele e o observou. Sua mão tocou o anjo, que gritou de dor.
-Sim. Delicioso, Orgulho.-disse ela.-Mas o que você quer em troca disso?
-Eu preciso do poder necessário para destruir um Anátema.
Ela sorriu.
-Você deseja que eu o transforme em um deus e tudo que me oferece é uma pomba de asas grandes? Você me insulta, Orgulho!
-Eu preciso do poder para destruí-lo... somente até eu destruí-lo. Retire o poder que me deres depois que minha missão terminar. Eu o trouxe pessoalmente do Inferno, enfrentei perigos incontáveis... e nunca precisei ser um deus para isso. Mas agora, pelo menos por alguns momentos, eu preciso. Essa é minha troca: Raziel é seu para sempre... se um poder como o seu me servir durante alguns momentos.
-Meu tempo é precioso.-disse ela.
-Precioso, sim... mas também infinito.-respondi.
-Quero também que você se desfaça da adaga.-disse ela.
Hesitei. A adaga de Revés era meu único vínculo com ele, atualmente. Eu sabia que ele já tinha retornado, mas não conseguiria ainda encontrá-lo pessoalmente. Não tenho ideia de qual poderia ser a reação dele e nem a minha.
-Um pedido reles, Lil'Siztah.-disse eu.- Existe algum motivo real para isso?
-Destino.-disse ela.
Merda. Era a resposta que eu não queria.
-Aceito. Me desfaço da adaga e dou-lhe Raziel pelo poder para destruir um Anátema.
-Pacto selado, Orgulho. Aproxime-se.
Os dedos dela estalaram e então a adaga sumiu em chamas. Pude sentí-la no Inferno, mas não tinha ideia de onde. Longe demais para eu ir buscar, era minha única certeza. A seguir, Raziel gritou enquanto seu corpo transformava-se em uma substância luminosa. Aura. Lil'Siztah bebeu tudo e então olhou para mim.
-Sua vez.-disse ela.
No momento em que ela tocou em mim, eu desejei que me matasse. A dor era excruciante, eu sentia cada minúsculo fragmento de meu corpo explodindo, crescendo, aumentando. Tentáculos de sombra projetaram-se do chão e tentaram impedir a deusa de continuar encostando em mim, mas a força dela era inigualável. O poder tinha um preço: a dor. A única coisa que leva ao poder é o esforço, e o esforço sempre traz dor. Naquele momento, eu estava sentindo a dor necessária para que eu me tornasse um deus. Senti meus corpo rompendo inteiro, como se eu estivesse trocando de pele. Minha essência explodia dentro de mim mesmo e a onda de choque servia como uma rede de navalhas que destroçavam tudo ao seu redor.
Quando aquele toque maldito deixou-me, eu pude sentir minha própria Aura fugindo de meu alcance.
Eu, agora, sou uma divindade.
Deathmarks VI: Silent Goddess
Uma montaria não seria má ideia, na realidade, especialmente uma dessas.
-Eu sou seu novo cavaleiro, Pesadelo. Estamos de acordo?-perguntei.
A criatura acenou a cabeça.
Raziel começava a recuperar a consciência lentamente. Pude sentir seus poderes voltando ao normal. Droga, eu não tinha tanto tempo quanto achava que teria. Era melhor eu ser rápido.
Abri um portal e então atravessamos, os 3. Montei o Pesadelo e então ele correu na direção que ele sabia que era a correta. Pesadelos não são muito inteligentes, mas conseguem se vincular ao seu cavaleiro mentalmente. Ele sabia para onde eu queria ir.
Eu rumava para o maior cemitério que já existiu. Um local conhecido para Raziel.
O ponto onde Lucifer caiu.
Conforme avançávamos, Raziel ia se tornando lúcido. E preocupado.
-Orgulho. Porque você fez isso?-disse ele.
-Porque eu preciso.-respondi.-Como você está se sentindo?
-Totalmente recuperado.-disse ele.
-Não minta para mim, Raziel. Você não me assusta: eu sei que seus poderes não voltaram ainda. Não blefe comigo, porque você está em desvantagem.
Ele ficou quieto.
-Onde estamos indo?-perguntou ele.
-Planície do Lamento.-respondi.
-Mas lá é onde...
-Sim, eu sei. Você vai me dizer algo que eu não saiba hoje, ainda?-perguntei, irritado.
Ele ficou quieto.
A mudança na atmosfera do mundo espiritual me avisava que estávamos na Planície. Um clima pesado de apatia abateu-se sobre nós. Parei o Pesadelo, desci e então ajudei Raziel a descer. Saquei minha Lâmina.
-Raziel. Eu não sou sua salvação, mas busquei-te em teu sítio de condenação. Infelizmente... é a minha existência ou a sua. Sinto muito por isso.-disse eu, e antes que ele tentasse fugir, tentáculos de sombra prenderam-no.
Deixei meu braço em ângulo reto, paralelo ao chão e com a Lâmina apontada para baixo. Fiz um corte profundo na outra mão e deixei o sangue fluir.
-Lil'Siztah, que nos túmulos dança. Ouça meu chamado. Avalie minha oferta. Dê-me o que preciso ou então puna-me pela insolência, mas apareça... pois eu lhe chamo.
O vento rugiu forte. Nuvens de tempestade se formaram e então eu vi esqueletos se desenterrando. Eles formaram um círculo e então cada um deles recebeu um instrumento musical. E eles começaram a tocar.
Uma valsa.
A aparência de Lil'Siztah é muito mais assustadora do que qualquer outra coisa que eu já tivesse visto. Ela veste-se como uma noiva, mas seu vestido é metálico. Seus olhos são completamente azuis, sem íris nem pupila. Seus dentes são como os de um vampiro, mas ao invés de 4 caninos, sua boca tem 16. O cabelo é longo e roxo, e parece ser carregado pelo vento com muito mais facilidade do que cabelos normais. E seus pés, gelados e sem vida, nunca encostam o chão.
-Estou aqui, Eterno.-disse ela, com uma voz assustadoramente doce.-Faça seu pedido... e sua oferta.
A Dançarina dos Túmulos.
Hora da barganha.
-Eu sou seu novo cavaleiro, Pesadelo. Estamos de acordo?-perguntei.
A criatura acenou a cabeça.
Raziel começava a recuperar a consciência lentamente. Pude sentir seus poderes voltando ao normal. Droga, eu não tinha tanto tempo quanto achava que teria. Era melhor eu ser rápido.
Abri um portal e então atravessamos, os 3. Montei o Pesadelo e então ele correu na direção que ele sabia que era a correta. Pesadelos não são muito inteligentes, mas conseguem se vincular ao seu cavaleiro mentalmente. Ele sabia para onde eu queria ir.
Eu rumava para o maior cemitério que já existiu. Um local conhecido para Raziel.
O ponto onde Lucifer caiu.
Conforme avançávamos, Raziel ia se tornando lúcido. E preocupado.
-Orgulho. Porque você fez isso?-disse ele.
-Porque eu preciso.-respondi.-Como você está se sentindo?
-Totalmente recuperado.-disse ele.
-Não minta para mim, Raziel. Você não me assusta: eu sei que seus poderes não voltaram ainda. Não blefe comigo, porque você está em desvantagem.
Ele ficou quieto.
-Onde estamos indo?-perguntou ele.
-Planície do Lamento.-respondi.
-Mas lá é onde...
-Sim, eu sei. Você vai me dizer algo que eu não saiba hoje, ainda?-perguntei, irritado.
Ele ficou quieto.
A mudança na atmosfera do mundo espiritual me avisava que estávamos na Planície. Um clima pesado de apatia abateu-se sobre nós. Parei o Pesadelo, desci e então ajudei Raziel a descer. Saquei minha Lâmina.
-Raziel. Eu não sou sua salvação, mas busquei-te em teu sítio de condenação. Infelizmente... é a minha existência ou a sua. Sinto muito por isso.-disse eu, e antes que ele tentasse fugir, tentáculos de sombra prenderam-no.
Deixei meu braço em ângulo reto, paralelo ao chão e com a Lâmina apontada para baixo. Fiz um corte profundo na outra mão e deixei o sangue fluir.
-Lil'Siztah, que nos túmulos dança. Ouça meu chamado. Avalie minha oferta. Dê-me o que preciso ou então puna-me pela insolência, mas apareça... pois eu lhe chamo.
O vento rugiu forte. Nuvens de tempestade se formaram e então eu vi esqueletos se desenterrando. Eles formaram um círculo e então cada um deles recebeu um instrumento musical. E eles começaram a tocar.
Uma valsa.
A aparência de Lil'Siztah é muito mais assustadora do que qualquer outra coisa que eu já tivesse visto. Ela veste-se como uma noiva, mas seu vestido é metálico. Seus olhos são completamente azuis, sem íris nem pupila. Seus dentes são como os de um vampiro, mas ao invés de 4 caninos, sua boca tem 16. O cabelo é longo e roxo, e parece ser carregado pelo vento com muito mais facilidade do que cabelos normais. E seus pés, gelados e sem vida, nunca encostam o chão.
-Estou aqui, Eterno.-disse ela, com uma voz assustadoramente doce.-Faça seu pedido... e sua oferta.
A Dançarina dos Túmulos.
Hora da barganha.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Echoes of Tragedy (Shadowlord Interlude)
(Algum tempo atrás, pouco antes do fim de Leaves' Symphony)
Deixei minha arma pender de minhas mãos tão logo o corpo no qual ela estava cravada sumiu.
Meus olhos fecharam-se, minha mente retorceu-se. A Legião estava entrando em colapso. E, junto com ela, eu também. Caí de joelhos no chão, lágrimas de sangue quase deixando meus olhos. Meus punhos cerraram-se e socaram o chão. A terra ao meu redor tremeu e um enorme círculo de areia ergueu-se ao meu redor e então caiu sobre mim. Mas a situação tinha saído do controle, essa tinha sido minha última e mais esforçada tentativa. Outro soco. Outro círculo. E nada de novo sob o mesmo escaldante e amaldiçoado sol.
Ergui-me, pois sou Orgulho e não posso ficar caído. Bradei infinitas vezes contra os céus, contra o destino... contra tudo e todos. Eu queria que Revés estivesse aqui para me ouvir, ou Conhecimento, ou Fúria... mas eles não estavam. Eles tinham me deixado, e eu agora estava sozinho. A decadência abateu-se sobre mim e, naquela conspiração, eu tinha sido traído por minhas próprias emoções. Se eu um dia soubesse quem Dor planejava usar para me destruir, teria degolado aquele bastardo filho da puta muito antes de ele sequer usar sua língua ofídia para me deter. Mas ele me derrotou: o bastardo me derrotou.
O cadáver, já sumido, de Perseverança não era minha preocupação. Não, Perseverança era a marionete na longa corda. Eu não vi isso, não estava pronto para isso. Ela veio em minha direção, com um olhar vidrado e uma arma em punho. Uma obstinação sombria para me matar. E então eu entendi: Dor. Dor torturou de formas tão crueis Perseverança que esta, ao ver-se livre, resolveu caçar aquele que seu captor disse que era o culpado.
Eu. Mas eu a matei.
E eu sabia quem mais Dor iria conquistar para seu lado tão logo eu matasse Perseverança. Matar um Eterno como Perseverança era considerado hediondo. Mas eu o fiz, porque era minha única opção. E era por essa outra companhia que minha mente estava parada. Palavras sem sentido saíram de minha boca no momento em que prometi que não enterraria minha Lâmina em outro Eterno até que a culpa deixasse minha mente descansar.
-Esse não foi o fim que eu planejei. Mas as circunstâncias fizeram as coisas diferentes. Despeço-me... Amor.-e virei as costas.
E, em minha cabeça sombria, os olhos do verdadeiro Senhor das Sombras piscaram pela primeira vez desde que eu o fiz parte de mim.
Dentro de mim, o mal tinha despertado.
Deixei minha arma pender de minhas mãos tão logo o corpo no qual ela estava cravada sumiu.
Meus olhos fecharam-se, minha mente retorceu-se. A Legião estava entrando em colapso. E, junto com ela, eu também. Caí de joelhos no chão, lágrimas de sangue quase deixando meus olhos. Meus punhos cerraram-se e socaram o chão. A terra ao meu redor tremeu e um enorme círculo de areia ergueu-se ao meu redor e então caiu sobre mim. Mas a situação tinha saído do controle, essa tinha sido minha última e mais esforçada tentativa. Outro soco. Outro círculo. E nada de novo sob o mesmo escaldante e amaldiçoado sol.
Ergui-me, pois sou Orgulho e não posso ficar caído. Bradei infinitas vezes contra os céus, contra o destino... contra tudo e todos. Eu queria que Revés estivesse aqui para me ouvir, ou Conhecimento, ou Fúria... mas eles não estavam. Eles tinham me deixado, e eu agora estava sozinho. A decadência abateu-se sobre mim e, naquela conspiração, eu tinha sido traído por minhas próprias emoções. Se eu um dia soubesse quem Dor planejava usar para me destruir, teria degolado aquele bastardo filho da puta muito antes de ele sequer usar sua língua ofídia para me deter. Mas ele me derrotou: o bastardo me derrotou.
O cadáver, já sumido, de Perseverança não era minha preocupação. Não, Perseverança era a marionete na longa corda. Eu não vi isso, não estava pronto para isso. Ela veio em minha direção, com um olhar vidrado e uma arma em punho. Uma obstinação sombria para me matar. E então eu entendi: Dor. Dor torturou de formas tão crueis Perseverança que esta, ao ver-se livre, resolveu caçar aquele que seu captor disse que era o culpado.
Eu. Mas eu a matei.
E eu sabia quem mais Dor iria conquistar para seu lado tão logo eu matasse Perseverança. Matar um Eterno como Perseverança era considerado hediondo. Mas eu o fiz, porque era minha única opção. E era por essa outra companhia que minha mente estava parada. Palavras sem sentido saíram de minha boca no momento em que prometi que não enterraria minha Lâmina em outro Eterno até que a culpa deixasse minha mente descansar.
-Esse não foi o fim que eu planejei. Mas as circunstâncias fizeram as coisas diferentes. Despeço-me... Amor.-e virei as costas.
E, em minha cabeça sombria, os olhos do verdadeiro Senhor das Sombras piscaram pela primeira vez desde que eu o fiz parte de mim.
Dentro de mim, o mal tinha despertado.
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Deathmarks V: Ride the Sky
-ORGULHO!-berrou Lucifer, enfurecido.-VOCÊ OUSA DESAFIAR AS REGRAS EM MINHA CASA!!!
-Não seja tolo, Lucifer.-respondi.-Eu jamais desafiei regra nenhuma. Sabes muito bem que, uma vez fechada, se eu estiver inteiramente atrás da porta, jamais poderei passar por ela. No entanto, essa Lâmina é tão parte de mim quanto meu braço. E ela atravessou a porta. Então, cá estou. Eu e seu irmão.
-Raziel. Muito bem, Orgulho. Você sobreviveu... à primeira parte. Não esqueceu do resto, esqueceu?
Moderei minha expressão facial para não dar a Lucifer a satisfação, mas sim, eu tinha esquecido. Buscar alguém no Inferno é como entrar em um presídio sem guardas. Você entra e abre a cela que quiser, mas, no momento em que faz isso, você dá direito a todos os policias do país lhe prenderem. Agora imagine que "prender" significa matar, "policiais" significa "demônios" e "país" significa "Inferno". Ah, com dois adicionais: primeiro, todos REALMENTE querem pegar você.
Segundo, todos sabem onde você está. Exatamente.
-Não posso intervir diretamente... mas você sabe o quanto eu quero que você falhe.-disse ele.
-Não se preocupe, Lucifer. Eu não irei falhar.
-Um dia eu vou assistir a sua queda, Orgulho.
-Seria justo, já que eu assisti à sua.
O rosto de Lucifer contorceu-se de ódio.
-Não tenho mais tempo a perder. Vamos, Raziel.
Coloquei o anjo nas minhas costas e então saquei minha Lâmina. Eu vi, ao longe, incontáveis sombras vindo na minha direção. Sentia o calor da raiva emanando de Lucifer. Ele não podia intervir diretamente, mas eu entendi instantaneamente o que ele fez.
Ele ofereceu minha "alma" como recompensa pela minha captura.
Bom, decidi fazer valer a pena.
Minhas asas abriram-se e então voei na direção dos portões. Assistir uma perseguição dessas é como assistir um tubarão ser perseguido por dois bilhões de piranhas. Ok, o tubarão é maior.
Mas são dois bilhões.
-Raziel. Você está livre. Eu vou precisar que use pelo menos alguns de seus poderes.-disse eu.
-Não sei se consigo...
Ótimo. Eu carregava como peso morto um dos 7 maiores anjos da história do universo.
Voei o mais rápido que pude, enquanto as sombras se aproximavam de mim. Minha Lâmina começou a chamar-me para o combate. Eu queria, mas seria uma vitória impossível. Os primeiros demônios chegaram até mim, mas enquanto o enxame não chegasse, eu estava salvo. Decidi usar eles como exemplo para alguns dos outros.
Com uma investida lateral, usei minha lâmina para cortar a asa direita do primeiro. Outros dois mergulharam em minha direção, mas as suas próprias sombras os cegaram e então, eles colidiram. Um quarto ainda tentou golpear meu pescoço, mas eu consegui escapar do ataque e então cortar seu longo pescoço.
E então chegaram os primeiros pequenos enxames. E minha paciência acabou.
Usando as sombras ao redor, eu criei uma gigantesca onda de choque. As sombras solidificaram-se, colidiram contra os enxames e então explodiram em milhares de "mini-rochas feitas de sombra". O enxame que estava próximo diminuiu. No grande enxame, não mudou nada. Mas aquilo consumiu demais de mim. Eu não seria capaz de fazer de novo.
Minhas asas aceleraram o voo e eu finalmente enxerguei ao longe os portões. O enxame ainda me perseguia, mas agora eu poderia livrar-me deles... se estivesse disposto a me arriscar. Até o momento, eu não estava. Mas a coisa ficou feia.
Pesadelos.
Sim, os malditos cavalos com as patas em chamas. Os desgraçados correm mais do que qualquer coisa que eu já vi na vida (e minha vida é longa). Decidi descer até próximo do chão. Sobre eles, Algozes, aqueles que o inferno manda quando a coisa fica difícil. Eu estou ferrado. Mas vou dar trabalho.
Arremessei minha Lâmina em um Algoz, que cravou no escudo posto em frente pelo demônio. Era exatamente o que eu queria que ele fizesse. Teletransportei-me até a Lâmina, arranquei-a do escudo e então cravei na cabeça do Abissal. Um a menos.
Assumi as rédeas do Pesadelo. Sim, eles são poderosos, mas não são muito inteligentes e nem dão bola para seu cavaleiro.
-Corra mais que os outros ou eu irei degolá-lo e drenar sua energia para que não sobre nada de você. Nunca mais.
Pesadelos são de elite. E, pra elite, missão dada é missão cumprida.
Tão logo fechei os Portões do Inferno, decidi apropriar-me do tal Pesadelo.
-Não seja tolo, Lucifer.-respondi.-Eu jamais desafiei regra nenhuma. Sabes muito bem que, uma vez fechada, se eu estiver inteiramente atrás da porta, jamais poderei passar por ela. No entanto, essa Lâmina é tão parte de mim quanto meu braço. E ela atravessou a porta. Então, cá estou. Eu e seu irmão.
-Raziel. Muito bem, Orgulho. Você sobreviveu... à primeira parte. Não esqueceu do resto, esqueceu?
Moderei minha expressão facial para não dar a Lucifer a satisfação, mas sim, eu tinha esquecido. Buscar alguém no Inferno é como entrar em um presídio sem guardas. Você entra e abre a cela que quiser, mas, no momento em que faz isso, você dá direito a todos os policias do país lhe prenderem. Agora imagine que "prender" significa matar, "policiais" significa "demônios" e "país" significa "Inferno". Ah, com dois adicionais: primeiro, todos REALMENTE querem pegar você.
Segundo, todos sabem onde você está. Exatamente.
-Não posso intervir diretamente... mas você sabe o quanto eu quero que você falhe.-disse ele.
-Não se preocupe, Lucifer. Eu não irei falhar.
-Um dia eu vou assistir a sua queda, Orgulho.
-Seria justo, já que eu assisti à sua.
O rosto de Lucifer contorceu-se de ódio.
-Não tenho mais tempo a perder. Vamos, Raziel.
Coloquei o anjo nas minhas costas e então saquei minha Lâmina. Eu vi, ao longe, incontáveis sombras vindo na minha direção. Sentia o calor da raiva emanando de Lucifer. Ele não podia intervir diretamente, mas eu entendi instantaneamente o que ele fez.
Ele ofereceu minha "alma" como recompensa pela minha captura.
Bom, decidi fazer valer a pena.
Minhas asas abriram-se e então voei na direção dos portões. Assistir uma perseguição dessas é como assistir um tubarão ser perseguido por dois bilhões de piranhas. Ok, o tubarão é maior.
Mas são dois bilhões.
-Raziel. Você está livre. Eu vou precisar que use pelo menos alguns de seus poderes.-disse eu.
-Não sei se consigo...
Ótimo. Eu carregava como peso morto um dos 7 maiores anjos da história do universo.
Voei o mais rápido que pude, enquanto as sombras se aproximavam de mim. Minha Lâmina começou a chamar-me para o combate. Eu queria, mas seria uma vitória impossível. Os primeiros demônios chegaram até mim, mas enquanto o enxame não chegasse, eu estava salvo. Decidi usar eles como exemplo para alguns dos outros.
Com uma investida lateral, usei minha lâmina para cortar a asa direita do primeiro. Outros dois mergulharam em minha direção, mas as suas próprias sombras os cegaram e então, eles colidiram. Um quarto ainda tentou golpear meu pescoço, mas eu consegui escapar do ataque e então cortar seu longo pescoço.
E então chegaram os primeiros pequenos enxames. E minha paciência acabou.
Usando as sombras ao redor, eu criei uma gigantesca onda de choque. As sombras solidificaram-se, colidiram contra os enxames e então explodiram em milhares de "mini-rochas feitas de sombra". O enxame que estava próximo diminuiu. No grande enxame, não mudou nada. Mas aquilo consumiu demais de mim. Eu não seria capaz de fazer de novo.
Minhas asas aceleraram o voo e eu finalmente enxerguei ao longe os portões. O enxame ainda me perseguia, mas agora eu poderia livrar-me deles... se estivesse disposto a me arriscar. Até o momento, eu não estava. Mas a coisa ficou feia.
Pesadelos.
Sim, os malditos cavalos com as patas em chamas. Os desgraçados correm mais do que qualquer coisa que eu já vi na vida (e minha vida é longa). Decidi descer até próximo do chão. Sobre eles, Algozes, aqueles que o inferno manda quando a coisa fica difícil. Eu estou ferrado. Mas vou dar trabalho.
Arremessei minha Lâmina em um Algoz, que cravou no escudo posto em frente pelo demônio. Era exatamente o que eu queria que ele fizesse. Teletransportei-me até a Lâmina, arranquei-a do escudo e então cravei na cabeça do Abissal. Um a menos.
Assumi as rédeas do Pesadelo. Sim, eles são poderosos, mas não são muito inteligentes e nem dão bola para seu cavaleiro.
-Corra mais que os outros ou eu irei degolá-lo e drenar sua energia para que não sobre nada de você. Nunca mais.
Pesadelos são de elite. E, pra elite, missão dada é missão cumprida.
Tão logo fechei os Portões do Inferno, decidi apropriar-me do tal Pesadelo.
Deathmarks IV: Dying for an Angel
Eu sabia o tempo que eu tinha.
Mas eu sabia onde ele estava.
Algo muito interessante sobre anjos, demônios e alguns Eternos, é que nós temos um sentido a mais (que pode ser considerado como dois, na realidade). Nós somos capazes de perceber auras. A aura (da forma como nós percebemos), por definição, é a energia que emana de uma determinada entidade que TENHA TIDO alma e que tenha uma centelha de vida. Vampiros, humanos, espíritos, demônios, lobisomens, anjos... todos tem aura. A intensidade de uma aura varia com o poder da entidade que a possui: o que significa que a de Raziel era extraordinariamente intensa.
E esse seria meu faro.
É claro que quando você lida com um lugar como esse, auras são EXATAMENTE como cheiros. Eles se misturam. Ignorei os pedidos de ajuda: todos sabiam que eu estava ali para salvar alguém. Mas não sou um anjo, eu não trago salvação.
Eu trago a ruína. Pelo menos hoje.
E então minhas asas cortavam os ventos e seguiam em direção ao que eu tinha farejado. Meu tempo estava chegando à metade, mas eu estava perto. Eu podia vê-lo, amarrado por correntes à duas grandes pilastras. Parecia estar desmaiado e balbuciava pedidos de ajuda.
Pousei à sua frente.
-Pedes ajuda, Raziel? Há quantos anos?-perguntei.
-Não tenho ideia. Não sei quanto tempo passou. Porque?-disse ele, com voz rouca e cansada.
-Estou aqui, querubim.-disse eu, e rompi as correntes com minha Lâmina.-Temos pouco tempo.
Voei de novo, com o anjo em meu ombro. Usei minha força máxima para voar, mas eu sabia que talvez não desse tempo. Decidi arriscar. Eu já podia ver os portões, mas faltavam apenas alguns segundos conforme a distância diminuía, mas jamais daria tempo. A regra é clara: se nenhuma parte de mim que entrou comigo passasse na volta, então eu estaria trancado.
Meus olhos miraram e então fiz a coisa mais desesperada que poderia. Atirei uma parte de mim.
E a porta se fechou.
-Ah, esperei tanto tempo por isso, Orgulho.-disse Lucifer, na câmara onde a porta estava fechada.
Os olhos de Lucifer olharam de forma estranha para as sombras que se moviam no chão da sala, próximo a onde um pequeno objeto estava cravado.
-Eu imagino.-respondi, pegando minha Lâmina Eterna do chão da sala.-Raziel quer dar um oi para você.
Mas eu sabia onde ele estava.
Algo muito interessante sobre anjos, demônios e alguns Eternos, é que nós temos um sentido a mais (que pode ser considerado como dois, na realidade). Nós somos capazes de perceber auras. A aura (da forma como nós percebemos), por definição, é a energia que emana de uma determinada entidade que TENHA TIDO alma e que tenha uma centelha de vida. Vampiros, humanos, espíritos, demônios, lobisomens, anjos... todos tem aura. A intensidade de uma aura varia com o poder da entidade que a possui: o que significa que a de Raziel era extraordinariamente intensa.
E esse seria meu faro.
É claro que quando você lida com um lugar como esse, auras são EXATAMENTE como cheiros. Eles se misturam. Ignorei os pedidos de ajuda: todos sabiam que eu estava ali para salvar alguém. Mas não sou um anjo, eu não trago salvação.
Eu trago a ruína. Pelo menos hoje.
E então minhas asas cortavam os ventos e seguiam em direção ao que eu tinha farejado. Meu tempo estava chegando à metade, mas eu estava perto. Eu podia vê-lo, amarrado por correntes à duas grandes pilastras. Parecia estar desmaiado e balbuciava pedidos de ajuda.
Pousei à sua frente.
-Pedes ajuda, Raziel? Há quantos anos?-perguntei.
-Não tenho ideia. Não sei quanto tempo passou. Porque?-disse ele, com voz rouca e cansada.
-Estou aqui, querubim.-disse eu, e rompi as correntes com minha Lâmina.-Temos pouco tempo.
Voei de novo, com o anjo em meu ombro. Usei minha força máxima para voar, mas eu sabia que talvez não desse tempo. Decidi arriscar. Eu já podia ver os portões, mas faltavam apenas alguns segundos conforme a distância diminuía, mas jamais daria tempo. A regra é clara: se nenhuma parte de mim que entrou comigo passasse na volta, então eu estaria trancado.
Meus olhos miraram e então fiz a coisa mais desesperada que poderia. Atirei uma parte de mim.
E a porta se fechou.
-Ah, esperei tanto tempo por isso, Orgulho.-disse Lucifer, na câmara onde a porta estava fechada.
Os olhos de Lucifer olharam de forma estranha para as sombras que se moviam no chão da sala, próximo a onde um pequeno objeto estava cravado.
-Eu imagino.-respondi, pegando minha Lâmina Eterna do chão da sala.-Raziel quer dar um oi para você.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Deathmarks III: Folsom Prison Blues
E lá estava eu de novo, asas abertas em direção ao Inferno. Eu precisava de alguém de lá, a única coisa suficientemente poderosa e tão acessível.
Há milhares de anos atrás, a cisão entre os anjos custou muito ao Paraíso. Os maiores custos foram: a queda de Lucifer... e o aprisionamento do antigo Príncipe dos Querubins, Raziel.
Lucifer foi cruel. Ele arrancou as asas do próprio irmão mais novo e então levou-o ao Inferno. Raziel nunca aceitou juntar-se ao irmão traidor e, como punição, é mantido nas Areias Infinitas, uma região prisional anexa ao Inferno e que, aparentemente, tem fim onde começa. Ninguém consegue entrar sem abrir a porta e ninguém consegue sair depois que ela fecha. O funcionamento é simples: abra a porta e entre. Consiga o que quiser e então volte. Se voltar a tempo, desfrute de sua conquista.
Se não, você terá a eternidade para lamentar.
Encarei os portões do Inferno e então abri-os. O guardião das chaves veio questionar-me.
-Então, o que traz você de vol...-começou ele, mas foi interrompido.
-Eu resolvo isso.-disse o próprio Lucifer.-Orgulho. Pensei que eu tivesse expulsado-o de minhas Terras e proibido seu retorno a elas.
-Lucifer.-disse eu, formalmente.-Meu objetivo aqui é outro. Eu vim buscar alguém nas Areias.
Lucifer sorriu.
-Nesse caso, e somente porque sei que não retornarás a tempo, deixo-o livre. Guardião, conduza-o até a prisão. E faça questão de me chamar quando ele tiver falhado. Quero ver Orgulho em desgraça.
-Não o culpo, Lucifer, mas lamento muito por isso.
O Guardião conduziu-me às portas da prisão e abriu-as. Eu sabia o que encontraria depois daquelas portas.
Nada. Somente areia.
-Aquele que você procura está aqui?-perguntou o Guardião.
-Já posso sentir sua presença.-respondi.
Raziel, não se preocupe.
A libertação finalmente chegou para você.
Há milhares de anos atrás, a cisão entre os anjos custou muito ao Paraíso. Os maiores custos foram: a queda de Lucifer... e o aprisionamento do antigo Príncipe dos Querubins, Raziel.
Lucifer foi cruel. Ele arrancou as asas do próprio irmão mais novo e então levou-o ao Inferno. Raziel nunca aceitou juntar-se ao irmão traidor e, como punição, é mantido nas Areias Infinitas, uma região prisional anexa ao Inferno e que, aparentemente, tem fim onde começa. Ninguém consegue entrar sem abrir a porta e ninguém consegue sair depois que ela fecha. O funcionamento é simples: abra a porta e entre. Consiga o que quiser e então volte. Se voltar a tempo, desfrute de sua conquista.
Se não, você terá a eternidade para lamentar.
Encarei os portões do Inferno e então abri-os. O guardião das chaves veio questionar-me.
-Então, o que traz você de vol...-começou ele, mas foi interrompido.
-Eu resolvo isso.-disse o próprio Lucifer.-Orgulho. Pensei que eu tivesse expulsado-o de minhas Terras e proibido seu retorno a elas.
-Lucifer.-disse eu, formalmente.-Meu objetivo aqui é outro. Eu vim buscar alguém nas Areias.
Lucifer sorriu.
-Nesse caso, e somente porque sei que não retornarás a tempo, deixo-o livre. Guardião, conduza-o até a prisão. E faça questão de me chamar quando ele tiver falhado. Quero ver Orgulho em desgraça.
-Não o culpo, Lucifer, mas lamento muito por isso.
O Guardião conduziu-me às portas da prisão e abriu-as. Eu sabia o que encontraria depois daquelas portas.
Nada. Somente areia.
-Aquele que você procura está aqui?-perguntou o Guardião.
-Já posso sentir sua presença.-respondi.
Raziel, não se preocupe.
A libertação finalmente chegou para você.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
COMBO: Hymn to the Broken Legion + Deathmarks II: Wait for an Answer
(Hymn to the Broken Legion representa um monólogo de Orgulho)
No momento em que Guerra me espancava, eu ponderei inúmeras vezes os motivos pelos quais a Legião tinha me deixado. Juramos lealdade, lutamos uns pelas vidas dos outros um número... infinito de vezes. E, no entanto, quando eu estava sendo massacrado por um oponente contra o qual eu não tinha chance, nenhuma pena de Revés, escama de Fúria, pergaminho de Conhecimento, flecha de Mágoa e nem golpe de Inconsequência surgiu para salvar-me. Essa era a Legião? O que diabos tinha acontecido?
A resposta estava na própria pergunta. A Legião foi fundada há milhares de anos. Naquela época, nós éramos os nossos maiores problemas. Conforme nossos poderes, e nós mesmos, fomos crescendo, surgiram problemas novos: a relação entre Conhecimento e Felicidade, o isolamento de Fúria, as reviravoltas de Inconsequência... inúmeros. Nossos problemas aumentaram exponencialmente e, em um determinado momento, não podíamos estar lá uns para os outros. O que aconteceu à Legião não aconteceu à Legião per se.
Aconteceu àqueles que dela faziam parte.
A Legião não existe mais porque nós não temos mais tempo uns para os outros.
E essas palavras cortam minha essência conforme deixam minha boca.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Deathmarks II: Wait for an Answer
Ergui-me com dificuldade. Guerra já tinha sumido. Apanhei minha Lâmina Eterna e decidi abusar de minha sorte. Já tinha tomado uma surra, outra não iria doer tanto. Eu precisava de alguém com a resposta para as minhas perguntas, alguém que pudesse me explicar COMO eu poderia matar um maldito Anátema... alguém antigo, que detivesse poder.
Eu precisava de Conhecimento.
O grande problema é que Conhecimento tinha se tornado um pouco hostil comigo. Mas, no máximo eu tomaria outra surra, mesmo.
Abri minhas asas e então voei até onde eu senti que ele estava. Não era muito longe para mim, mas demoraria quase um dia para os aviões humanos.
Pousei em sua frente e logo vi que a moça ao lado dele fugiu. Maldita Felicidade que não podia me ver sem ir embora.
-Orgulho. Você espantou minha visita.-disse Conhecimento.
-Eu não fiz nada, ela não suporta minha presença. Conhecimento, preciso de sua ajuda. Guerra me persegue.-disse eu.
-Você faz a guerra, Orgulho.- disse ele.- É por isso que o quero longe de mim por uns tempos.
-Não. O Cavaleiro Guerra me persegue. A morte de Esperança criou...- comecei, mas fui interrompido.
-Uma Terra Desolada. Sim, eu sei disso.
-Guerra quer que eu destrua o Anátema. Como posso fazer isso? Existe algo nos Contos Esquecidos Por Todos... exceto por você?
Conhecimento ponderou.
-Lil'Siztah.-disse ele.
-A dançarina dos túmulos.-respondi.-Ela é capaz de tamanha façanha.
-Você não faz ideia. Mas ela vai querer algo em troca. Dê algo valoroso, ou ela vai tomá-lo de você. O poder jaz nas mãos dela; a oportunidade, na sua. E desapareça agora, Orgulho. Sua presença não é mais bem-vinda.
-Obrigado, Conhecimento.
Para a prisão.
Depois para o cemitério.
E, por fim, para o Anátema.
No momento em que Guerra me espancava, eu ponderei inúmeras vezes os motivos pelos quais a Legião tinha me deixado. Juramos lealdade, lutamos uns pelas vidas dos outros um número... infinito de vezes. E, no entanto, quando eu estava sendo massacrado por um oponente contra o qual eu não tinha chance, nenhuma pena de Revés, escama de Fúria, pergaminho de Conhecimento, flecha de Mágoa e nem golpe de Inconsequência surgiu para salvar-me. Essa era a Legião? O que diabos tinha acontecido?
A resposta estava na própria pergunta. A Legião foi fundada há milhares de anos. Naquela época, nós éramos os nossos maiores problemas. Conforme nossos poderes, e nós mesmos, fomos crescendo, surgiram problemas novos: a relação entre Conhecimento e Felicidade, o isolamento de Fúria, as reviravoltas de Inconsequência... inúmeros. Nossos problemas aumentaram exponencialmente e, em um determinado momento, não podíamos estar lá uns para os outros. O que aconteceu à Legião não aconteceu à Legião per se.
Aconteceu àqueles que dela faziam parte.
A Legião não existe mais porque nós não temos mais tempo uns para os outros.
E essas palavras cortam minha essência conforme deixam minha boca.
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Deathmarks II: Wait for an Answer
Ergui-me com dificuldade. Guerra já tinha sumido. Apanhei minha Lâmina Eterna e decidi abusar de minha sorte. Já tinha tomado uma surra, outra não iria doer tanto. Eu precisava de alguém com a resposta para as minhas perguntas, alguém que pudesse me explicar COMO eu poderia matar um maldito Anátema... alguém antigo, que detivesse poder.
Eu precisava de Conhecimento.
O grande problema é que Conhecimento tinha se tornado um pouco hostil comigo. Mas, no máximo eu tomaria outra surra, mesmo.
Abri minhas asas e então voei até onde eu senti que ele estava. Não era muito longe para mim, mas demoraria quase um dia para os aviões humanos.
Pousei em sua frente e logo vi que a moça ao lado dele fugiu. Maldita Felicidade que não podia me ver sem ir embora.
-Orgulho. Você espantou minha visita.-disse Conhecimento.
-Eu não fiz nada, ela não suporta minha presença. Conhecimento, preciso de sua ajuda. Guerra me persegue.-disse eu.
-Você faz a guerra, Orgulho.- disse ele.- É por isso que o quero longe de mim por uns tempos.
-Não. O Cavaleiro Guerra me persegue. A morte de Esperança criou...- comecei, mas fui interrompido.
-Uma Terra Desolada. Sim, eu sei disso.
-Guerra quer que eu destrua o Anátema. Como posso fazer isso? Existe algo nos Contos Esquecidos Por Todos... exceto por você?
Conhecimento ponderou.
-Lil'Siztah.-disse ele.
-A dançarina dos túmulos.-respondi.-Ela é capaz de tamanha façanha.
-Você não faz ideia. Mas ela vai querer algo em troca. Dê algo valoroso, ou ela vai tomá-lo de você. O poder jaz nas mãos dela; a oportunidade, na sua. E desapareça agora, Orgulho. Sua presença não é mais bem-vinda.
-Obrigado, Conhecimento.
Para a prisão.
Depois para o cemitério.
E, por fim, para o Anátema.
Deathmarks I: Death is Just a Feeling
Se eu já tinha me envolvido em qualquer problema na minha vida, não era nada comparado a esse.
O décimo quinto, ou sexto, ou nono, ou vigésimo (...) soco acertou meu rosto. Minha Lâmina estava longe de meu alcance, mas meu inimigo tinha sua arma próxima a seu corpo. Eu esperava que ele fosse me matar: de fato, eu estava contando com isso.
-Você simplesmente não reconhece as consequências de suas atitudes, Eterno, e agora EU tenho que descer para lhe dar uma lição. Espero que você esteja aprendendo alguma coisa.
Não respondi. Na verdade, eu duvido que consiga ficar de pé. Não era uma luta para mim; não sei se era uma luta para qualquer coisa que existe. Eu estava enfrentando -ou melhor, sendo espancado por- um dos inimigos mais poderosos que existem.
Guerra, o Cavaleiro do Apocalipse. Era uma entidade alta para um humano, e eu sei que ele certamente nunca foi um, e vestia uma armadura pesadíssima. Brandia uma espada grande com as duas mãos e a lâmina da arma era incandescente. Eu não tinha sequer lhe acertado um golpe. Na realidade, eu provavelmente nem tentei.
-O que isso lhe interessa, Cavaleiro? Porque você me pune por ter criado uma Terra Desolada?- perguntei.
-Seu idiota!-disse ele, chutando meu rosto.-Você fortalece os Anátemas. Eu e você sabemos que isso é ruim para nós, mas VOCÊ vai descobrir que isso é muito pior para você.
-O que você quer dizer?-perguntei, agonizante.
-Quero dizer que você vai destruí-lo.
-COMO?
Pisão na cara.
-Modere seu tom, Eterno. Seja criativo, Orgulho. Se seus poderes forem equiparáveis à sua estupidez, talvez você consiga resolver isso com apenas um dos braços. Do contrário, pense. Eu confio que sua vontade de continuar existindo vá lhe servir de estrela-guia nesse mar de idiotice que você resolveu nadar.
Merda. Um Anátema está para nós assim como os lobisomens estão para os lobos. Sim, eles são um pouco do que somos: mas também são muito mais do que nós provavelmente conseguiríamos ser um dia. Eu não tenho muita certeza em qual luta será pior: Guerra ou o maldito Anátema da Terra Desolada que eu criei com minha vingança pessoal.
-Então, Orgulho: dê um jeito. Faça da forma que achar melhor, eu não me importo. Mas faça isso. Desista e não existirás por tempo suficiente para me ver fazendo o seu trabalho. Falhe e eu estarei aqui esperando quando você voltar. Somente o sucesso lhe salvará.
Ótimo. A Legião se desfez; Revés converteu-se em um psicopata insano que eu fui obrigado a matar; e agora Guerra está me dando uma sentença de morte.
Como diabos isso pode piorar?
Diabos, não sei se quero saber.
O décimo quinto, ou sexto, ou nono, ou vigésimo (...) soco acertou meu rosto. Minha Lâmina estava longe de meu alcance, mas meu inimigo tinha sua arma próxima a seu corpo. Eu esperava que ele fosse me matar: de fato, eu estava contando com isso.
-Você simplesmente não reconhece as consequências de suas atitudes, Eterno, e agora EU tenho que descer para lhe dar uma lição. Espero que você esteja aprendendo alguma coisa.
Não respondi. Na verdade, eu duvido que consiga ficar de pé. Não era uma luta para mim; não sei se era uma luta para qualquer coisa que existe. Eu estava enfrentando -ou melhor, sendo espancado por- um dos inimigos mais poderosos que existem.
Guerra, o Cavaleiro do Apocalipse. Era uma entidade alta para um humano, e eu sei que ele certamente nunca foi um, e vestia uma armadura pesadíssima. Brandia uma espada grande com as duas mãos e a lâmina da arma era incandescente. Eu não tinha sequer lhe acertado um golpe. Na realidade, eu provavelmente nem tentei.
-O que isso lhe interessa, Cavaleiro? Porque você me pune por ter criado uma Terra Desolada?- perguntei.
-Seu idiota!-disse ele, chutando meu rosto.-Você fortalece os Anátemas. Eu e você sabemos que isso é ruim para nós, mas VOCÊ vai descobrir que isso é muito pior para você.
-O que você quer dizer?-perguntei, agonizante.
-Quero dizer que você vai destruí-lo.
-COMO?
Pisão na cara.
-Modere seu tom, Eterno. Seja criativo, Orgulho. Se seus poderes forem equiparáveis à sua estupidez, talvez você consiga resolver isso com apenas um dos braços. Do contrário, pense. Eu confio que sua vontade de continuar existindo vá lhe servir de estrela-guia nesse mar de idiotice que você resolveu nadar.
Merda. Um Anátema está para nós assim como os lobisomens estão para os lobos. Sim, eles são um pouco do que somos: mas também são muito mais do que nós provavelmente conseguiríamos ser um dia. Eu não tenho muita certeza em qual luta será pior: Guerra ou o maldito Anátema da Terra Desolada que eu criei com minha vingança pessoal.
-Então, Orgulho: dê um jeito. Faça da forma que achar melhor, eu não me importo. Mas faça isso. Desista e não existirás por tempo suficiente para me ver fazendo o seu trabalho. Falhe e eu estarei aqui esperando quando você voltar. Somente o sucesso lhe salvará.
Ótimo. A Legião se desfez; Revés converteu-se em um psicopata insano que eu fui obrigado a matar; e agora Guerra está me dando uma sentença de morte.
Como diabos isso pode piorar?
Diabos, não sei se quero saber.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Deathmarks: Intro
A morte é uma coisa tão... esquisita.
Até mesmo para nós, a quem ela nunca realmente chega, a morte é um mistério. Ela mantém as coisas como parte do ciclo, devolve o que foi investido para que algo surja. Nós nunca realmente morremos, mas isso não nos faz menos parte do ciclo.
Quando você mata pela primeira vez alguém de sua própria espécie, a sensação é muito confusa. Mesmo eu sabendo que aqueles que eu mato irão voltar, um dia, não posso deixar de sentir culpa por derrotá-los: afinal de contas, somos semelhantes. Mesmo quando todo o ódio, a raiva e o desprezo sobem à cabeça, depois que você faz uma alma dissolver-se, o componente restante é sempre o mesmo:
Culpa.
Mas eu mal sabia que a minha culpa era o menor de meus problemas no momento em que, há poucos meses atrás, matei Esperança - pela segunda vez. Por mais que eu a detestasse, a Esperança É parte das tidas como "boas emoções". Eu não entendia como e desacreditava. Mas agora eu acredito.
A morte de Esperança devastou o mundo espiritual e transformou uma área gigantesca em uma ferida pulsante de emoções negativas. Um verdadeiro chamariz para espíritos, demônios e todo o resto da corja que segue esses trastes. No centro dela, eu sabia que encontraria um espírito maligno mais antigo e poderoso do que qualquer coisa que eu poderia imaginar.
Um espírito que nós conhecemos como Anátema.
Pior de tudo: sou eu quem vai ter que limpar a bagunça.
Ainda pior que isso: só tem UM jeito de fazer isso.
Algumas cabeças vão rolar.
Muito provavelmente, a minha inclusa.
Até mesmo para nós, a quem ela nunca realmente chega, a morte é um mistério. Ela mantém as coisas como parte do ciclo, devolve o que foi investido para que algo surja. Nós nunca realmente morremos, mas isso não nos faz menos parte do ciclo.
Quando você mata pela primeira vez alguém de sua própria espécie, a sensação é muito confusa. Mesmo eu sabendo que aqueles que eu mato irão voltar, um dia, não posso deixar de sentir culpa por derrotá-los: afinal de contas, somos semelhantes. Mesmo quando todo o ódio, a raiva e o desprezo sobem à cabeça, depois que você faz uma alma dissolver-se, o componente restante é sempre o mesmo:
Culpa.
Mas eu mal sabia que a minha culpa era o menor de meus problemas no momento em que, há poucos meses atrás, matei Esperança - pela segunda vez. Por mais que eu a detestasse, a Esperança É parte das tidas como "boas emoções". Eu não entendia como e desacreditava. Mas agora eu acredito.
A morte de Esperança devastou o mundo espiritual e transformou uma área gigantesca em uma ferida pulsante de emoções negativas. Um verdadeiro chamariz para espíritos, demônios e todo o resto da corja que segue esses trastes. No centro dela, eu sabia que encontraria um espírito maligno mais antigo e poderoso do que qualquer coisa que eu poderia imaginar.
Um espírito que nós conhecemos como Anátema.
Pior de tudo: sou eu quem vai ter que limpar a bagunça.
Ainda pior que isso: só tem UM jeito de fazer isso.
Algumas cabeças vão rolar.
Muito provavelmente, a minha inclusa.
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