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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Tomo Desconhecido de Fúria: "Under the ice we will be free..."

E então, estavam todos os Eternos reunidos pela primeira vez em sei lá eu quanto tempo. Seria um momento emocionante... se nós gostássemos uns dos outros.

Orgulho estava no centro de todos, cercado por mim, por Revés, Mágoa e Conhecimento. Aquele círculo também marcava a confiança: de fora dele, não confiávamos em ninguém. Mas era necessário tê-los ao nosso lado, então Orgulho não tinha opção.

-Meus irmãos. Tenho noção de que muitos de vocês tentaram recusar essa invocação, pois sei que me odeiam ou me temem. Mas Revés é um grande mago e forçou-os a vir. E é porque tem algo que vocês precisam saber.-começou Orgulho.

-Eu matei o Matador de Gigantes. E esse é o martelo dele.-disse ele, erguendo a arma.

Inúmeras expressões. Pânico, admiração, desespero. Essas são apenas algumas delas, mas houve um consenso geral: surpresa.

-A morte do Matador de Gigantes serve como prova para o que eu direi a seguir. Existem algumas entidades que nós consideramos imortais, mas elas podem ser mortas. Anjos e demônios, esses nós sabemos que podemos matar. E, no entanto, eles nos trancaram aqui. E ficaram com ambos os mundos. O mundo espiritual é uma prisão perpétua na qual nós não tentamos fugir. E é isso que eu lhes proponho: vamos quebrar as correntes que nos prendem aqui.

Mais surpresa.

-Céu e Inferno não são os nossos inimigos. Não, talvez até pelo contrário: talvez eles nos ajudem. Nossa guerra será contra os Quatro Cavaleiros. Aqueles de vocês que querem lutar pela sua própria liberdade contra as criaturas que nos forçam a ficar nesse mundo, estejam aqui quando o primeiro raio do sol tocar o chão desse deserto. O resto de vocês...não me interessa.

sábado, 10 de setembro de 2011

Do Tomo Desconhecido de Fúria - "Since there is time, since the beginning..."

Não vou me ater aos detalhes que fizeram de Orgulho o vitorioso. Basta apenas que eu diga que foi uma das batalhas mais impressionantes que já vi, e que, naquele momento, eu entendi porque Orgulho era tão temido.

A Lâmina Eterna dele trespassou o próprio corpo e eu senti minha essência sendo extirpada dele. Conforme fui me refazendo, fui notando o quanto eu estava errado sobre as motivações de Orgulho. Embora às vezes imprevisível, meu velho aliado nunca teria me deixado em tão sombria situação sem um plano de escape.

Ele então caminhou até o corpo de Thor e arrancou de suas mãos o martelo. Nesse exato instante, uma tenebrosa tempestade aproximou-se.

-É hora de voltarmos para Além do Véu. Rápido.-disse ele.

Sem dificuldade nenhuma, transpassamos a barreira que separa os dois mundos.

"Minha vitória significou muito, Fúria", disse Orgulho. "Significou mais do que o renome por ter derrotado Thor: significou desafiar entidades tidas como indestrutíveis. Significou mais do que o desejo de testar minhas capacidades: mostrou que nossos poderes são limitados por nossas ambições. Mas, acima de tudo, ela significou muito mais do que o fim da existência de um dos maiores nêmesis dos Eternos.

Significou que nós estamos à altura de nossos adversários."

-Adversários? O que você planeja, Orgulho?-perguntei.

-O Martelo de Thor tem um significado especial. Tê-lo me dá o poder de enfrentar Eternos poderosíssimos, de controlar quem vive e quem morre. Eu não quero esse poder, mas irei portá-lo enquanto ele estiver sob minha custódia. Mas ele também é a chave.

-Chave para que?

-Para, pela primeira vez desde o início dos nossos tempos, unir a TODOS os Eternos do mundo sob um único estandarte.

-Que estandarte, Orgulho??? O seu???

Nesse momento, Orgulho sorriu.

-Não, meu irmão. O da liberdade.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Do Tomo Desconhecido de Fúria - "Let the Hammer Fall..."

Tão logo Orgulho terminou de absorver-me, eu entendi o que havia acontecido.

O martelo de Thor é capaz de destruir um Eterno com apenas um golpe. Se aquele golpe tivesse me acertado, eu teria sido destruído. Orgulho, ao absorver-me, não apenas salvou minha existência como também tornou-se mais forte para enfrentar o Matador de Gigantes. E, por mais que, para mim, toda essa situação fosse impensável, Orgulho fora tocado pela Loucura. Sua mente era capaz de pensar em inúmeras coisas ao mesmo tempo.

E, portanto, ele foi capaz de prever esse acontecimento.

-Inesperado, Eterno. Por mais que eu despreze sua raça, a facilidade de vocês para trair uns aos outros ainda me surpreende.

-Alegre-se, Thor. Essa foi a última traição que você viu.-respondeu Orgulho.

O martelo voltou à mão de Thor. Ele e Orgulho se encararam e eu, como parte de Orgulho, pude sentir tanto medo quanto hesitação. A mão de Orgulho embainhou a Lâmina Eterna e sacou a Lança do Destino.

Thor, em resposta, assumiu a forma híbrida que é comum a todos os lobisomens.

"Orgulho... se você morrer... eu o mato de novo quando nós voltarmos..." disse a ele.

"Não se preocupe, meu velho amigo.

Eu não vou morrer." respondeu ele, com um tom de superioridade na voz.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Do Tomo Desconhecido de Fúria - "When you hear thunder's mighty roar..."

-Eu talvez não o tenha ouvido direito, Eterno. Devo eu acreditar que ameaçaste matar-me?

-Sim, Thor.-disse Orgulho.

Eu estava pasmo. Orgulho era... orgulhoso, talvez até arrogante. E louco. Mas isso era demais: desafiar o matador de gigantes não era uma loucura...

Era um suicídio.

E o pior: ele me trouxe. Se quer se matar, que o faça sozinho.

-Convoco um duelo, neste caso.-disse Thor.

-É justo.-respondeu Orgulho.

E foi tudo muito rápido. Thor arremessou seu martelo, enquanto Orgulho sacou sua Lâmina e desferiu um golpe.

Ambas as coisas em mim.

O golpe de Orgulho acertou-me primeiro. Senti minha essência ser sugada lentamente para dentro da Lâmina.

-O que...?- gaguejei.

-Você pode não entender agora, mas você me deve uma.-disse ele.

E então comecei a desaparecer. O martelo de Thor passou por mim. Sem o golpe de Orgulho, ele teria me acertado. Não importava.

Orgulho traiu-me.

E eu não tenho a menor ideia do porque.

sábado, 6 de agosto de 2011

Do Tomo Desconhecido de Fúria - "You've been... thunderstruck!"

Olhei para Orgulho, com um misto de terror e admiração.

-O Matador de Gigantes.-disse para ele.

-Sim. Ele mesmo.- Orgulho me respondeu sorrindo.

Nada fazia sentido. Porque diabos Orgulho iria querer enfrentar alguém cujo nome inspira mais terror do que o nome dele próprio entre aqueles de nossa espécie? É incompreensível. O matador de gigantes tem esse nome não porque matava "gigantes" propriamente, mas porque matava criaturas de poder gigante.

Nós.

Orgulho andou pelo mundo dos mortais, etéreo. Ninguém conseguia sentir sua presença, exceto talvez pelos mortais mais sensíveis, por quem um frio corria pela espinha quando sentia a presença do Eterno. Andei junto, mas nada confiante. O Matador de Gigantes sabia que estávamos aqui, e não estava feliz com isso.

E então Orgulho parou.

-Eu o sinto.-disse ele. Alçou asas e voou para cima de um prédio, comigo em sua esteira.

Um homem enorme estava encostado na beirada do tal prédio. A chuva caía em seu corpo, mas ele não dava sinal de estar incomodado.

Não por aquilo.

-Vocês.- disse ele, com uma voz retumbante.-Vocês não deveriam estar aqui. Saiam agora ou eu irei matá-los, como fiz com inúmeros de vocês.

-Acalme-se, meu caro. Tal como você, eu também matei inúmeros de minha espécie.-disse Orgulho. E então continuou.

-Mas diferentemente de você, eu não morrerei essa noite, Thor.

sábado, 16 de julho de 2011

Do Tomo Desconhecido de Fúria - "Through the dark age and into the storm..."

-Para que você precisa da Lança do Destino?- perguntei.

-Para enfrentar meu verdadeiro alvo.- respondeu Orgulho.-Venha, está na hora.

-Para onde vamos?

-Para o mundo dos mortais.

Orgulho concentrou-se durante alguns minutos e então abriu uma fenda entre os dois mundos. Atravessei primeiro, e então ele me seguiu. Inúmeros espíritos tentaram fazer a travessia, mas Orgulho conseguiu evitar que eles nos seguissem.

-Essa travessia já foi suficientemente indiscreta. Não quero dar a ele o tempo que precisa para se preparar.-disse ele.

-Eu ainda não sei quem estamos enfrentando.-reclamei, mas Orgulho estava olhando para cima.

Olhei para o céu. Estava coberto de nuvens, que ficavam mais escuras a cada segundo. Dava para ver que uma intensa tempestade estava se formando.

-Você não sabe... mas ele já sabe que estamos aqui. E eu não acho que tenha gostado da notícia.-disse Orgulho, com um sorriso no rosto.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"One more day by the gates of hell..."

Eu nunca tinha visto Orgulho naquele estado.

-O que aconteceu no Inferno, velho amigo?-perguntei.

-Lucifer colaborou pacificamente, como sempre. Nunca vi tantos demônios juntos...-disse ele, tremendo. Estava a um passo de morrer, pelo que parecia.

-O que você precisava do Inferno?

-Informações. Ninguém melhor que demônios para se fazer as perguntas certas. Mas acho que consegui.

-Conseguiu o que?

-O mais recente paradeiro da Lança do Destino.

Confesso que, por um momento, fiquei pasmo. A VERDADEIRA Lança do Destino? Porque diabos alguém iria dizer para Orgulho o paradeiro de uma das mais poderosas armas do planeta? É como entregar um tanque de guerra à um deus. Quando alguém é poderoso, não se dá mais poder a ele. A menos que...

... você não tenha escolha.

-E onde ela está, Orgulho?

Ele sorriu.

-Embainhada em minha cintura.


domingo, 10 de julho de 2011

Do Tomo Desconhecido de Fúria - "I am the Dark"

Quando a escuridão aproximou-se dos Eternos, eu lembro de ver grande parte deles desesperados. Isso aconteceu quase que no mesmo instante em que o apocalipse começou. Eu lembro de vê-los agonizantes perante a premissa de um fim. Somos Eternos, mas e se a eternidade estiver acabando agora?

Orgulho estava sumido, até então, e ninguém além de seus aliados mais próximos tinha alguma ideia de onde ele estava. Nós sabíamos.

Ele estava no Inferno.

Quando a escuridão estava se aproximando, ele estava no Inferno.

Quando a escuridão caiu, Orgulho estava de volta.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Prólogo 1

"Foi uma decisão difícil, a minha. Mas eu decidi que toda essa história deve ser registrada. Ninguém sabe qual o futuro que nos aguardava até que Orgulho decidiu fazer o que ele sempre fez: se atirar de cabeça no que, para ele, era um motivo para lutar. Eu mesmo sei muito pouco.

Faz três anos desde o Apocalipse. Azazel trancou Céu e Inferno na Terra, e pouquíssimos Eternos ainda existem. A antiga Legião dos Eternos está destruída, é preciso matar para estar vivo. E no entanto, poderia ter sido muito pior.

Tudo começou na viagem de Orgulho à Pestifera. Ele descobriu muitas coisas naquela viagem, segundo ele. Inúmeras histórias foram absorvidas. Dentre as quais, alguns detalhes que tinham passado desapercebidos. Algo sobre Céu, Inferno e os Quatro Cavaleiros.

Eu no início não acreditei quando Orgulho me disse que a Grande Guerra tinha sido causada pelos Cavaleiros. Que Lucifer não caiu: foi derrubado. Ele não era o elo mais fraco da corrente: pelo contrário, era um dos mais fortes. Mas era exatamente esse o ponto que fazia dele o mais adequado. O anjo rebelado não poderia ser fraco, pois um anjo fraco arrebataria poucos aliados. Não, precisava ser um dos três primogênitos. E Lucifer era o mais adequado para essa tarefa. Não tão devotado quanto Miguel e nem tão esperançoso quanto Azazel.

Os Cavaleiros então, após a queda de Lucifer, assumiram o corpo de 4 Nephilins, filhos de Azazel. Ele foi então chamado de O Quinto Cavaleiro, o responsável por começar tudo. Mesmo quando Azazel os escondeu em outros planos, eles continuaram exercendo sua influência no mundo. Eles não SÃO nephilins: são espíritos conceituais, como nós, mas muito mais poderosos. Nenhum de nós pensaria em enfrentá-los.

A não ser Orgulho.

E, novamente, demorei para acreditar quando ele me contou sobre todo o resto. A manutenção da Grande Guerra e como eles iriam enfrentar todos os exércitos sozinhos. E então Orgulho decidiu testar sua hipótese.

Ele bebeu as águas do Mar do Destino."

-Tomo Sem Nome, escrito por Fúria.