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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Esclarecimento

Já que 50% dos leitores do blog sofreram uma pequena confusão na postagem abaixo, vou dar uma explicação sutil:

-As partes compreendidas acima do trecho marcado com "~~~~~" referem-se à época atual (depois dos eventos ocorridos em Shadowlord)

-As partes compreendidas ABAIXO desse trecho, referem-se ao início dos tempos - o surgimento dos Eternos - e, portanto, são milhares de anos ANTES de Shadowlord.

Na parte III(Dead Leaves), somente o primeiro trecho acima de "~~~~~~" refere-se ao presente. A conversa entre Esperança e Fanatismo já faz parte do passado da história.

Não se esqueçam de comer os vegetais para crescerem fortes e de lerem o spin-off dessa bagaça em www.sweehe.wordpress.com

Obrigado aos outros 50% que também leram.

Leaves' Symphony Final: Fallen Leaves Waltz II

Durante muito tempo, aquela Legião, a verdadeira, foi tudo com o que eu pude contar. Eram meus amigos, irmãos, companheiros e tudo que se espera daqueles que confiam a sua vida um ao outro. As consequências daquela batalha marcaram os Eternos de tal forma que nós ainda somos lembrados por alguns como traidores do próprio povo.

Claro que nenhum deles nunca ousou dizer isso em minha frente ou na de qualquer um de nós seis.

Aqueles tempos, sim, eram tempos bons. Tempos onde a união era tudo que restava, sem esperança - nem o sentimento e nem o Eterno, que eu matei duas vezes -, sem preocupações. O tempo passava e a Legião permanecia, tão eterna quanto suas partes.

A Legião era essencial.

A Legião não existe mais.

E, diabos, como eu preciso dela.
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Das sombras eu surgi, próximo ao local onde eu sabia que Fanatismo estava. Não quis me esconder, caminhei reto em direção a ele. Olhei ao redor de mim. Outros quatro Eternos estavam ao meu redor. Inveja, Ciúmes, Verdade e Serenidade. A minha presença preocupou aos cinco.

A deles não me causou sequer uma ruga na testa.

Eles eram todos fortes, sim. Mas não eram guerreiros, eram negociadores.

-Fanatismo. Eu vim por sua cabeça.-disse eu.-Vocês vão tentar me impedir?

Inveja, sempre ela, mordeu a isca. No fundo, eu sabia que ela só queria a atenção dos outros. Ela correu em minha direção e sacou sua Lâmina, curva e espinhosa. Mas eu estava pronto. Um tentáculo de sombras segurou um de seus braços. Eu segurei o outro.

E a minha mão que sobrou enterrou minha Lâmina em seu peito.

Os outros três atacaram, mas era cedo demais para eles. Um raio de sombras projetou-se de minha mão e atirou Ciúmes longe. Verdade tentou atacar-me, mas desarmei-a e então a atirei longe de mim. Serenidade ficou em minha frente e eu a degolei.

Ciúmes tentou revidar o golpe quando se aproximou, mas eu fui mais rápido (de novo). Segurei-o pelo pescoço e então ergui-o acima da cabeça e cravei minha Lâmina. Atirei o cadáver no chão e então golpeei a cabeça de Verdade com minha Lâmina.

Fácil demais.

-Fanatismo.-disse eu.-Agora é sua vez.

-Sim, Orgulho.-respondeu ele.-Vou finalmente ter o prazer de livrar-me de você.

Ele avançou em minha direção, sua lâmina gigantesca girando como um redemoinho. Seu primeiro golpe acertou o chão, criando uma rachadura enorme. Eu esquivei-me e então chutei seu rosto. Ele reagiu ao chute com um soco, que me arremessou longe. Rápido como um raio, ele me alcançou e me acertou mais quatro ou cinco socos. A dor era excruciante, mas eu estava ali por um motivo. E não ia desistir fácil.

A Lâmina enorme de Fanatismo tentou acertar-me de novo, mas o golpe passou longe. Ignorei os socos que estava recebendo e então arranquei suas mãos. Era o único jeito de fazer aquele desgraçado parar de reagir. Guardei minha Lâmina na bainha e então comecei a socar o rosto dele.

Perdi as contas de quantas vezes eu amassei a cabeça de Fanatismo com as minhas mãos. Não tinha problema, para mim, eu não iria cansar. Esperei até que ele estivesse quase morto e então absorvi suas energias. Não o suficiente para absorver seus aspectos, mas o suficiente para deixá-lo incapaz de recuperar-se tão cedo. E então voei até o meio da batalha, carregando o quase cadáver de Fanatismo.

Meu pouso trouxe a atenção de quase todos, mas meu chamado completou o serviço.

-ETERNOS!-disse eu.-CÁ ESTOU EU, COM O LÍDER DA FALSA LEGIÃO!

Todos me olharam. Cravei minha Lâmina em Fanatismo, para que morresse.

-Vocês falharam. A falsa legião, que vocês formaram, a falsa aliança sem a menor união: está desfeita. A união triunfou. A aliança motivada triunfou. Agora deixem a verdadeira Legião dos Eternos em paz.

A guerra.
A maldita guerra.
Chegou ao fim.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

SPIN-OFF

Para ler um Spin-off de "Shadowlord", que aborda mais especificamente o personagem Revés, acesse:

http://sweehe.wordpress.com/2010/11/02/no-leaf-clover-shadowlord-spin-off/

Leaves' Symphony Final: Fallen Leaves Waltz pt. I

Se nós somos como folhas, aquele então era o nosso outono.

Caíamos massivamente. Poucos de nós permaneceram perante a frieza e a força dos ventos que sopraram em nossa falsa e patética sociedade. O interesse do grupo era muito pouco significativo. E, no entanto, a Legião iria triunfar se ninguém fizesse nada. A ideia certamente era boa, mas Fanatismo não valia um rato morto sem cabeça. Eu sabia disso, e os outros resistentes também sabiam. Seria só questão de tempo até ele se tornar um imperador tirano e usar a sua força e influência sobre os outros para forçá-los a seguir seus desígnios. Teríamos pouco tempo de existência contínua se isso acontecesse.

Mas, a Legião trazia conforto. Afinal, poder contar com os outros sempre é bom. O problema é que essa ajuda teria um preço: a submissão. Não era assim que todos pensavam, mas era assim que seria. As coisas nunca funcionam do jeito que se espera, nunca saem como o esperado.

E a Legião era só mais uma prova disso tudo.

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-Revés, leve-me até os outros.-pedi.

-Não preciso levá-lo. Eles já estão aqui.-disse ele.-Quando me convocaste, eu pedi que viessem. Eu sei que Esperança foi buscar-te, e quis me certificar de que não estavas querendo destruir a resistência.

-Esperança está morta. Fanatismo deturpou a mente dela com suas próprias convicções, e eu me defendi como pude. Mas ele ainda me deve por ter tomado minha melhor e única amiga. Eu sei como podemos destruir a Legião, mas preciso do apoio de vocês.

-Conte-me vosso plano e lhe diremos se estamos contigo.-disse Fúria.

-Certo. Fanatismo pode ser poderoso, mas creio que nós também somos. Conhecimento poderia derrotá-lo com facilidade, mas ele nunca vem sozinho. Sempre está cercado por um séquito de idiotas. Eu cuidarei disso, mas preciso que vocês atraiam a atenção dos outros. Sozinhos, seremos pulverizados, mas juntos podemos detê-lo.

-Bom plano, mas arriscado.-disse Mágoa.

-Nem tanto. Conhecimento ficará aqui com vocês. Juntos, vocês cinco conseguem derrotar o suficiente para me dar o tempo que preciso. Tão logo eu derrote Fanatismo, eu sei como farei para terminar com a Guerra. O que vocês acham?

-Eu concordo.- disse Inconsequência.

-Nós também estamos de acordo.- disseram Mágoa, Conhecimento e Fúria.

-Certo. Quem diria... acho que finalmente, formamos a verdadeira Legião. Sem líder e nem leis. Somente a união.-disse Conhecimento.

Sorri.

-Sim. Nós somos a verdadeira Legião dos Eternos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Leaves' Symphony IV: Sweet Leaf

Como o nome diz, nós Eternos duramos para sempre. No entanto, podemos "morrer".

A morte para nós é mais como um "coma". Nossa presença cessa, mas ainda resta a nossa essência. Ela vai se regenerando, aos poucos, até formar uma nova presença material. Quanto mais poderoso o Eterno, mais tempo ele demoraria para se regenerar, mas a velocidade de regeneração também varia com o poder, de forma que um Eterno fraco ainda regenerará mais rapidamente que um Eterno forte, mas a diferença de tempo não será muito grande.

Nós somos um caso único de "imortalidade" virtual. Anjos morrem, demônios morrem. Mas nós não. Isso, em parte, deve-se ao fato de que nós não somos capazes de criar outros da nossa espécie. Pelo menos não com a mesma facilidade que anjos e demônios. Somos entidades conceituais e somente a geração de um novo conceito poderoso o suficiente pode criar outro de nós. A única forma de cessar a regeneração de um eterno é a absorção de sua essência. Essa era uma das principais razões para a Legião querer abolir a prática: absorver um Eterno é absorver seu conceito e, portanto, a absorção de outra entidade torna o "devorador" significativamente mais poderoso. A intenção, em teoria, era evitar a diminuição de nossos números.

Na prática, Fanatismo queria se tornar um "devorador real". Alguém que tivesse a permissão e função de absorver os "condenados".

E era isso que eu, e um grupo escasso, estávamos tentando evitar.

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A morte de Esperança não foi discreta. Todos ficaram sabendo do ocorrido, o que significava que, entre outras coisas, meu esconderijo tinha sido descoberto. Eu não tinha a menor ideia da localização dos outros poucos membros da "resistência", exceto de um: Revés. Era hora de ir atrás dele.

Ou de chamar ele até mim.

Fiz um corte em minha mão e deixei meu sangue verter. Existem rituais que podemos executar que invocam instantaneamente um outro membro da estirpe, contanto que ele queira ser invocado, mas envolvem poderes além da nossa compreensão. Os 4 Cavaleiros do Apocalipse são entidades poderosíssimas, alheias aos acontecimentos terrenos, mas dispostas a ajudar aqueles que fazem o sacrifício correto. E o sangue de um Eterno é, sem dúvida, um ótimo sacrifício.

Comecei a recitar.

"Além dos ventos do Norte,
Onde no frio, reside a Morte.

Venha, do Sul, a Terra
Tal como a glória vem da Guerra

Que venham as nuvens do Oeste
E em sua soleira, tragam a Peste

E ao Leste, ecoa e some
O uivo mórbido da Fome.

Com dor, invoco os 4 Cavaleiros.
E ajoelho-me perante vossos pés
Se invocarem meu aliado, Revés."

A figura de um homem alto, magro e com asas de corvo apareceu em minha frente. Cartas de baralho e dados faziam parte de sua vestimenta, formando uma espécie de armadura. O conceito de "má sorte" era esquisito e Revés o incorporava muito bem. Inconstante, sim. Mas sempre leal.

-Orgulho.-disse ele.

-Revés.-respondi.-Eu sei de sua posição em
relação à Legião. Preciso de sua ajuda e você precisa da minha.

-Você é arrogante, Orgulho. O que o faz pensar que eu preciso da sua ajuda?

-O fato de que você é um dos poucos que ainda se opõe, e a Legião só será formada quando ela compreender todos os Eternos existentes no momento de sua criação. Mas, perdoe-me por perturbá-lo se você não precisa de ajuda. Apenas me dê nomes, então, Revés.

Revés ficou quieto.

-Eu aceito sua ajuda, Orgulho. Fúria, Mágoa, Inconsequência e Conhecimento também se opõe à Legião. Eu sei onde encontrá-los, apenas me acompanhe.

E, naquele momento, selou-se um destino.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Leaves' Symphony III: Dead Leaves

A batalha contra a Legião estava teoricamente ganha antes da guerra começar, mas as marés da batalha, e a presença dos anjos nela, mudaram essa situação. Tínhamos poucos Eternos de peso ao nosso lado: Esperança e Conhecimento eram quase os únicos. Por outro lado, a Legião tinha Desespero, Fanatismo, Ódio, entre outros.

A situação, para nós, era horrível. Éramos poucos e dispersos, cada um escondido em seu abrigo, saindo somente para causar estrago. Mas a verdade é que era fácil nos derrotar. Era somente uma questão de tempo até nós colapsarmos, sob o peso de nossos adversários. Minha sorte foi que nenhum dos grandes me procurou, ou eu estaria ferrado.

Mas, eu tinha um trunfo em minha manga: minha melhor e mais leal amiga, Esperança.

E que surpresa ela foi para mim.

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-Você tem certeza?- perguntou Fanatismo.

-Absoluta.- respondeu Esperança.-Orgulho me ouvirá. Ele virá para o nosso lado.

-Certo. Mas você sabe o que fazer se ele recusar, correto?-continuou Fanatismo.

-Eu... eu não poss...-começou Esperança, mas parou.-Eu farei.

-Então vá. E traga-me aquele infeliz.-disse Fanatismo.

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Meu esconderijo não era dos melhores, mas servia. Eu precisava de um refúgio e aquela caverna no meio do nada era uma ótima opção, mas não era exatamente à prova de invasões. Esperança estava fora, lutando. E eu estava quieto, contemplativo. Era provável que eu fosse abatido, eu sabia disso. Se eu fosse o único a resistir, minha morte seria iminente.

Mas eu não tinha ideia do que estava para acontecer. Algo que mudaria completamente o rumo das coisas.

-Orgulho.-disse Esperança.

-Olá. Bom vê-la viva. Quantos deles morreram?-perguntei.

-Nenhum. Eu acho que devemos nos juntar a eles.-disse ela.

-Você está brincan...-comecei, mas interrompi.-Você já fez, não é? Você juntou-se à Legião.

Seu silêncio foi o carrasco da minha esperança pessoal. Sem ela, eu não teria condições de vencer a batalha. Senti meus planos e minhas ideias esvaindo. E meu orgulho pessoal estava ultrajado.

-EU CONFIEI EM VOCÊ, ESPERANÇA! ME DISPUS A MORRER JUNTO COM VOCÊ! FOI VOCÊ QUEM ME PUXOU PARA ESSA BATALHA E AGORA DECIDIU DEIXAR-ME SOZINHO, PERANTE A MORTE IMINENTE?-gritei.-EU LHE DESPREZO. EU LHE DETESTO.

Minhas mãos voaram para a Lâmina.

-Você é minha inimiga. E nós vamos resolver isso agora.-eu disse.

-Orgulho, por favor... a Legião é uma ideia excelente. É o que precis...-começou ela, mas eu interrompi.

-Ninguém... vai... colocar... uma sela em mim.-disse eu, entre os dentes.

Esperança sacou sua Lâmina.

-Então eu sinto muito.

Ataquei. Era a batalha mais idiota da minha vida, eu não tinha chance. Mas eu queria lutar, queria abatê-la. Queria vencê-la pela sua traição, puni-la por abandonar-me na batalha para a qual ela me puxou. Lutei com selvageria, ódio, raiva. Cada um de meus golpes era desferido como se fosse o último. Ela defendia-se e contra-atacava. Sua lâmina furou-me inúmeras vezes. Meu sangue Eterno verteu, mas eu não dava bola. Não sei quanto tempo nossa batalha durou, mas ao fim, eu estava de pé. Minha ira, meu desprezo, meus instintos me levaram além das capacidades até mesmo dela. E quando cravei minha Lâmina em seu peito, ela gritou.

-Eu não lhe absorverei por dois motivos: primeiro, não quero ter sua mácula em minha essência.-disse eu, entre os dentes.

E então, quando ela estava quase se esvaindo, eu continuei a resposta.

-E segundo, porque eu quero poder matá-la de novo.

domingo, 31 de outubro de 2010

Leaves' Symphony II: The Play of The Leaves

A criação da Legião dos Eternos era planejada por um Eterno chamado Fanatismo. Era, logicamente, muito enfático em suas participações na nossa "sociedade". Digo "sociedade" pois ninguém de nós realmente dava bola para a decisão dos outros, pelo menos até alguém sugerir uma união entre todos. Era uma chance mestra: indiretamente, aquele que sugerisse se tornaria um tipo de líder entre a Terceira Estirpe. É como ser Deus ou Lucifer. Se eu visse a chance, teria feito isso. A justificativa era válida: éramos a única Estirpe não unificada.

Mas não era esse o motivo, logicamente. Fanatismo queria hierarquizar os Eternos e, logicamente, ele ficaria no topo. Ele queria que a Legião tivesse leis restritas e punições severas. Alguns concordavam: éramos um povo sem-lei, o caos iria nos consumir. Mas o principal fator mesmo era que Fanatismo era caçado por metade do mundo. Ter uma Legião em seu encalço iria segurar a situação para ele.

Lógico que quem iria se ferrar nessa situação, eram todos os outros Eternos.
E isso me incluía.

E quando você tenta colocar uma sela em alguém cujo nome é Orgulho, o resultado é no mínimo interessante.

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Éramos poucos e estávamos sob ataque constante. Estávamos lutando pelas nossas existências; e estávamos perdendo.

Enfrentar um anjo não é a coisa mais fácil que existe. Eles são poderosos, impiedosos e resistentes. Não importa o quanto você bate; eles sempre duram mais do que você espera. Arranque suas asas, chute suas faces, impale-os. Aquelas pragas não morrem fácil. O grande problema deles, e que se não fosse isso, eles estariam governando o mundo, é que eles não são criativos. São sempre aqueles golpes clássicos, visando seus pontos vitais. Sem improvisações, sem golpes criativos. Sem graça. Numa batalha como essa, criatividade é 50%.

Eu estava tranquilo. Não reconheci nenhum anjo poderoso ou particularmente notável. Era apenas "joaoninguém-el", "idiotel" e "estupidel". El, el, el. Para mim, todos que não se destacavam eram iguais. E todos que passassem na minha frente teriam o mesmo destino.

Minha única preocupação era com a única criatura com quem eu podia contar. Um Eterno poderoso, mas muito visado pelos adversários. Nós éramos íntimos, talvez o suficiente para os outros pensarem que tínhamos uma relação extra-curricular. Minha boa e velha amiga, a...

-Esperança!-berrei, ao vê-la sendo atacada por cinco anjos.

Corri em sua direção, Lâmina em punho. Cortei dois dos cinco antes que eles notassem o que estava acontecendo. Não sei como deve ser a morte em uma vida eterna. Não espero descobrir.

Eu e Esperança juntamos nossas costas. Era a defesa perfeita: ela era meu escudo e eu era o dela. Nossas Lâminas foram brandidas juntas durante um tempo incontável. E então as trombetas anunciaram a retirada das pombas.

Hoje a noite, aqui na selva, quem dorme são os Eternos.

sábado, 30 de outubro de 2010

Leaves' Symphony I: We Are But Falling Leaves

Naquele tempo, há milhares de anos, a humanidade era só uma parte insignificante do equilíbrio do mundo.

Nós éramos a única estirpe que não descendia diretamente deles, embora sejamos entidades conceituais e relacionadas a eles. Os Celestiais, que depois viriam a ser chamados de "anjos", eram almas humanas purificadas do pecado e de uma parte esmagadora de seu livre-arbítrio. Os Abissais, atualmente chamados de "demônios", eram o oposto: almas que foram tão imersas em um universo de pecado que enraizaram esse aspecto em suas essências.

Nenhuma das estirpes gostava das outras duas. E é por isso que houve guerra.

Não entre nós e eles, mas só entre nós.

A verdade é que alguns de nós, Eternos, queriam que se formasse uma espécie de "aliança" na estirpe. Alegavam que, com algumas pequenas regras de convívio, poderíamos enfrentar os Celestiais e os Abissais e então livrar o mundo deles. Mas nem todos concordam: somos entidades com necessidades e intenções diferentes, e um pacto iria com certeza nos limitar. A situação foi ficando cada vez mais complexa. Até a guerra.

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Desenterrei minha Lâmina do peito de meu inimigo. Sua essência estava em minha lâmina, agora. Alimentei-me dela. Senti o sorvo de energia percorrendo cada centímetro de meu corpo. Ele agora seria parte de mim, uma voz insignificante, na melhor das hipóteses. Os olhos do auto-proclamado Senhor das Sombras estavam opacos. Sua morte abalou as fundações do mundo e a Terra rachou-se no ponto onde seu corpo morto jazia.

Observei a batalha. Conhecimento era impiedoso e forte, varrendo dúzias de inimigos de seu caminho. Seu alvo era Discórdia. Estávamos vencendo aqueles bastardos hierarquistas. Não existe hierarquia a não ser a gerada pela força. "Legião dos Eternos". Ninguém estava realmente disposto a acreditar que isso fosse funcionar um dia.

O massacre foi temporariamente interrompido pelo som de trombetas. Desgraçados. Os Celestiais viram na guerra uma chance de dar um fim na Terceira Estirpe. Malditos.

As tropas celestiais desceram com força. Diversos meteoros colidiram com o chão. Ouvi gritos de desprezo e de desespero, de ódio e de medo. Em qualquer ocasião desse tipo, os membros da mesma estirpe teriam unido-se contra o inimigo comum.

Mas nós mesmos éramos o inimigo comum.

E é por isso que o massacre continuou.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Leaves' Symphony: Intro

É como uma sinfonia.

Os gritos são as inúmeras vozes de tenores e sopranos, atingindo nossos ouvidos. As armas e armaduras formam a percussão, cadenciando o ritmo e o andamento do espetáculo sonoro. As catapultas, aríetes e balestras formam os tons dos baixos e contraltos, dando vida ao momento e à orquestra. As cordas dos arcos, e os zumbidos de suas flechas, são os cravos e pianos, sempre presentes e ajudando a reger as vozes. Por fim, os generais agem como maestros, coordenando quais notas e quais instrumentos fazem a sua parte em cada peça dessa ópera.

A guerra é como uma sinfonia.

E nós somos como folhas. Caímos, mas estamos de volta depois de uma estação.

Essa é nossa primeira grande guerra. Lutamos sem ideais, sem justiça e nem motivo. Somos como máquinas, espíritos fadados a sempre existir desde que nos alimentemos. E nós, no momento, somos um banquete para nós mesmos. Anseamos um pelo sangue do outro, mas não somente pelo sangue: queremos suas essências. Essa é nossa sina, nossa maldição.

E meu nome é Orgulho.