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sábado, 9 de outubro de 2010

Rise of The Fallen - Final, 15 pt.3: Immortal (Stars)

A força faltou às minhas asas. Caí dos céus ao chão, como outrora eu já tinha feito. Miguel e Lucifer desceram e encontraram-me no chão.

-Vê, Azazel?-disse Miguel.-Esse era o único fim possível para essa batalha, meu irmão. Você não pensou, por algum momento, que pudesse vencer, pensou?

A resposta que Miguel esperava era um choro de arrependimento, talvez até um pedido de desculpas. Era assim que as coisas deveriam ser: os maus seriam punidos e então o Paraíso viria à Terra. Lucifer sabia que não era isso que iria acontecer: não, Azazel era idiota demais para notar que aquele era o fim. Ele iria fugir. Jamais encararia o próprio fim.

Mas nenhum dos dois esperava o que realmente aconteceu.

Ergui-me, fraco, mas com um sorriso triunfante no rosto. Algo naquele sorriso preocupou Lucifer e Miguel: não era o sorriso insano de alguém que acredita que está vencendo. É o sorriso de alguém que acaba de vencer a guerra.

-Porque o sorriso, Azazel? Fizeste tudo isso para encontrar teu fim? Esse era teu objetivo, morrer pelas mãos de Miguel, assim como esperavam que acontecesse comigo?-perguntou Lucifer.

Gargalhei.

-Vocês pensam isso, não é? Que os invejava. Nunca. Nunca tive inveja, porque eu sempre fui o que nenhum de vocês foi. Meu erro não marcou o mundo como o seu Lucifer, mas tampouco fui eu o cão fiel de nosso Pai. Minha vontade foi feita quando e como eu quis, por minhas próprias mãos. Tal como ela foi feita agora.

Arranquei a parte de cima da armadura. Inúmeros selos cobriam meu torso. Brilhavam em azul e vermelho, prova do poder que continham. Lucifer e Miguel entenderam, na hora, o que eu tinha feito.

-Em todo meu tempo naquele maldito buraco, eu só desejei que vocês sentissem o que eu senti. o desespero de estar sozinho e longe de casa, trancado em um ponto sem retorno. Nunca mais veria as torres de mármore de meu lar, nunca mais. Mas agora, vocês verão o que é isso. Eu tranquei Céu e Inferno, de forma que nem mesmo nosso Pai poderia abrir de novo sem a chave adequada.

-E onde está essa chave?-perguntou Miguel, assustado com a óbvia resposta.

-Vocês acabaram de destruí-la. Para sempre. EU SOU A CHAVE. Durante todo o tempo, eu quis matá-los. Mas vocês estão certos, não seria possível. Vocês podem ter me destruído, mas a minha vingança está completa. Aproveitem o seu tempo de jaula. O meu durou 6 milênios, mas o de vocês... o de vocês vai durar a eternidade.

E tão logo Azazel terminou seu discurso, sabendo da iminência de sua morte, impalou-se com a própria lâmina.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Rise of The Fallen 15 - "Series Finale" pt. 2: The War Ain't Over!

Encontrei Gabriel em frente ao meu exército: titãs, corvos da tempestade e Eternos. Todos dispostos a lutar, e morrer, pelas suas próprias liberdades.

Lucifer foi o primeiro a agir. Suas mãos encheram-se de luz e então, em menos de um segundo, tudo ao nosso redor tinha sido desintegrado: prédios, pessoas, animais. A Europa, antes um continente rico, tinha virado poeira. Somente a área restava para uma guerra cruel, desigual, e violenta.

Eu, Lucifer e Miguel, nos encontramos. Os três, frente a frente. Era hora de decidir os parâmetros da batalha e negociar possíveis rendições.

-Azazel.-disse Miguel, com sua costumeira voz de trovão.-Saia da batalha e nenhum dos seus será machucado, mas nós iremos prendê-lo de novo.

-Não tenho amigos ou irmãos nessa batalha, Miguel.-respondi.-Não trocaria eles pela minha liberdade nem se essa fosse minha única escolha.

-Eu ofereço liberdade, Azazel, mas você deixa a batalha.-ofereceu Lucifer.-Essa batalha é para os grandes, e você não faz parte dela. Você é uma peça para o fim, mas podemos retirá-lo sem problemas agora que já fizeste tua parte.

-Agradeço, meu irmão perdido, mas essa batalha é mais minha do que sua.-respondi.

-Que assim seja. Lutaremos.-disse Miguel.

-Até o fim.-continuei.

-De tudo.-completou Lucifer.

Nos encaminhamos para a frente de nossos exércitos e então demos ordem de investida. A batalha começou. O Dragão, ensandecido, começou seu massacre. Sangue de anjos, demônios, titãs e Eternos, caiu ao chão. Aquilo, sim, era uma guerra de verdade. Eu ouvia gritos e via explosões, anjos morrendo, as fundações da terra tremendo com a morte dos Eternos. Um deles, de armadura negra e sem elmo, parecia estar lutando como se fosse imortal. Eu o conhecia, de minha época. Era o Orgulho. Mas até ele iria padecer nessa batalha.

E então, enfrentei meus irmãos. Uma luta entre 3 anjos de nosso poder era algo muito mais estratégico do que físico. Era somente dois terem a chance de matar um terceiro e pronto, tornava-se um duelo. Eu, Lucifer e Miguel nos enfrentamos: minha lança, a espada de Miguel e as garras da Estrela Vespertina. Lutamos durante horas, talvez dias. Durante alguns momentos, a existência de cada um de nós esteve em risco, mas éramos os 3 mais velhos. Sabíamos o que fazíamos.

E foi esse conhecimento que fez com que, em um momento de descuido, a espada flamejante de Miguel atravessasse meu ventre.

domingo, 3 de outubro de 2010

Rise of The Fallen 15 - "Series Finale" pt. 1: Heaven and Hell

Os titãs saíam de dentro do Tártaro como se fossem uma manada de elefantes, devastando o plano de Hades. Eu e Perséfone observamos aquilo, com uma certa alegria, mas logo fez-se necessária a imposição pela força.

-TITÃS! EU OS LIBERTEI!-gritei, e minha voz ressoou como um trovão.

Um deles tomou a frente. Eram criaturas primordiais, regidas pela lei do mais forte. Então, eu tinha plena noção de quem era aquele um.

-O que quer de nós, agathodaimon? Você certamente não fez isso por bondade.-disse ele, com uma voz igualmente grave.

-Quero a sua força. A sua e de seus irmãos, Atlas. Ajudem-me em minha guerra e então estarão livres.-respondi.

-Concordamos.-disse ele, instantaneamente.-IRMÃOS! OS TITÃS MARCHAM SOBRE O MUNDO DE NOVO!

Pude ver as criaturas gigantescas sumindo na distância. Voltei-me para Perséfone.

-Precisamos voltar. Gabriel tem algo que me é necessário.-disse eu.

E então abracei-a e abri minhas asas. Não sei quanto tempo voamos, mas aquele abraço fez eu me sentir quase (desprezivelmente) humano. Maldição. Talvez essa não tenha sido minha melhor ideia.

Minhas asas cortavam o ar e o tempo, moviam-se entre as dimensões. Eu precisava abrir o portal de ida, mas meu retorno sempre era facilitado. De volta à Terra, voamos até a Inglaterra, onde eu sabia que Gabriel estava. O anjo ficou surpreso ao ver-me.

-Irmão. Não imaginei que fosse encontrá-lo de novo tão cedo.-disse ele.

-Cedo? Já estamos atrasados. Dê-me a Lança do Destino.

O anjo entregou-me a arma. Ergui-a e então fiz um corte em minha própria mão.

-Uso meu sangue, criado pela mão de Deus, para desfazer as barreiras que protegem este mundo. Uso o sangue divino, criado pela mão de Deus, para desfiar a realidade que mantém fechados os portões das dimensões. Uso o sangue do profeta, filho e enviado de Deus, para libertar das amarras os planos que nos circundam.

"Que venham os demônios
Feitos do eterno pecado
Que vivem nas chamas negras
Do Príncipe que foi derrotado.

Venham os anjos e serafins
Que ao pai, fieis são para sempre
Que surjam eles do Céu
Vertendo de seu celestre ventre

Sou Azazel, o Quinto Cavaleiro
Trago o fim a este mundo
Que o Universo engula-o, inteiro."

O mundo tremeu. Pude sentir o chão vibrar, ouvir os gritos. Música para meus ouvidos. O Céu começou a oscilar entre azul e vermelho. Pude ver uma luz intensa do lado de fora.

Lucifer, Estrela da Manhã e Miguel Arcanjo estavam a postos.

-Gabriel, vá recebê-los. Ainda tem algo que devo fazer aqui.-ordenei.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Rise of the Fallen 14: Bloody Rage of the Titans

O dragão uniu-se à Destino e a Gabriel. Faltava agora o último retoque.

Cravei minha ponta de lança no chão e então falei algumas palavras em grego. Durante muito tempo, fiquei apenas imaginando como seria o lugar que estava prestes a visitar. Um portal abriu-se em minha frente e então entrei por ele.

Era um mundo cinzento e escuro. Almas caminhavam, sem rumo, em grupos enormes. Mas eu sabia onde encontrar quem eu procurava. Aqui era a nascente do Rio Aqueronte, o mesmo rio que, a quase infinitos quilômetros dali, banhava o Inferno. Era só procurar pelo meio de transporte.

-CARONTE!-berrei ao mar. Ao longe, vi um barco erguer-se. Aproximou-se a uma altíssima velocidade.

-Saudações, Celestial. Diga-me: para que vieste?-disse ele.

-Leve-me até Hades. Não irei pedir de novo.

-Certamente, alteza.-respondeu.

Caronte parece um velho que recebeu uma surra com tijolos e depois teve o rosto mergulhado em ácido sulfúrico. Isso, entretanto, não o impedia de ser extremamente eficiente e poderoso. Somente alguém muito poderoso, ou muito idiota, ousaria desafiá-lo.

O tempo passou e então chegamos à outra margem. Um enorme castelo encontrava-se ali.

-Obrigado, barqueiro.-disse eu.

-Não por isso, Azazel... não por isso.-respondeu ele.

Abri os portões do castelo. Na outra extremidade do amplo salão, encontravam-se dois tronos. No trono da direita, encontrava-se uma mulher lindíssima, mas de aparência muito triste. Os cabelos e olhos eram extremamente escuros, e a pele era branquíssima. Vestia uma armadura de um metal extremamente escuro, que não consegui reconhecer à distância. No trono da esquerda, estava um homem alto, de cabelos e olhos pretos, também. Tinha um par de asas como as de um morcego, mas sem as membranas ligando os "dedos". Seu rosto tinha um ar de desprezo e ele vestia uma armadura extremamente leve, feita de couro...

...de dragão.

-Saudações, Senhor do Submundo.-disse eu.-É uma honra conhecê-lo pessoalmente.

-Azazel. Não esperava que viesse aqui. Veio usurpar meu reino?-disse ele, com uma voz rouca e grave.

Não contive o riso.

-Hahaha. Que ideia tens de mim, Senhor da Escuridão. Não, meu motivo é outro. Eu quero os titãs.

Dessa vez, ele riu.

-Hahaha. Estás louco, Azazel? Milênios na escuridão devem ter corroído o seu cérebro.-disse ele, ainda rindo.-Não posso libertar os titãs.

-Ou você faz, ou farei eu.-disse a ele.- Você sabe que, se vocês, deuses, querem o mundo de vocês de volta, a hora é agora e eu sou o único com quem vocês podem contar. O fim começou, Hades: você vai participar ou ficar na plateia.

Ele estendeu a mão para o lado. Uma espada formou-se, do nada.

-Saia de minhas terras, Azazel. Eu não vou libertar os titãs. Não o deixarei fazê-lo. O fim não irá começar se eu detiver você.

Empunhei meu resto de lança.

-Ideia errada, Hades.

A luta começou rápido e terminou rápido. Os deuses gregos eram fortíssimos, mas eu já tinha matado um ou outro. Hades podia ser poderoso, mas a verdade é que ele nunca tinha sido um grande guerreiro. Então, quando confrontado por um Cavaleiro do Apocalipse, ele não pode fazer muito. Perséfone, sua esposa, não interveio no combate. Eu sabia que ela estava ao meu lado. Em poucos minutos, arranquei os braços e as asas de Hades.

-Você poderia ter evitado isso, daimon. Foi a sua escolha. Morra por ela.-disse eu, e então arranquei sua cabeça.

Vesti a armadura de Hades e então virei-me para Perséfone.

-Agora, meu amor de muitas eras atrás, estamos juntos de novo. Senti a vossa falta durante cada segundo de meu cativeiro, mas jamais me arrependi. Vamos abrir logo esses portões. O fim nos espera.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Rise of the Fallen 13: Fire Below

Já chega. Chega de insultos. Chega desse desprezo. Eu não vou mais tolerar esse tratamento, de qualquer um. Era passada a hora de mostrar que, no fim das contas, somente eu irei ficar de pé. Miguel, Lucifer, meu Pai: todos estarão mortos ao fim disso tudo.

Atirei-me para dentro do vulcão. A lava ardia e emanava um calor capaz de derreter qualquer coisa, mas eu sou mais do que isso. Ela encosta em minha pele e destroi-a, queima meus cabelos, olhos e minhas asas. Grito de agonia, mas não ligo: não irá me destruir. O magma abraça-me, um abraço de destruição. E então, eu grito de novo. Mas dessa vez, é uma invocação. Abro minhas asas, queimadas, e então voo para fora da lava. E espero.

-Quem és, criatura de infinita inconsequência?-disse uma voz, grave e monstruosa.

-Azazel, Quinto Cavaleiro do Apocalipse, Líder da Segunda Grande Queda, Pai dos Quatro outros Cavaleiros. E eu solicito vossa ajuda, ser de infinita grandeza e imensurável poder.

-Porque eu o ajudaria e para que lhe é necessária minha ajuda, Quinto Cavaleiro?-perguntou a voz.

-Lucifer, Miguel e os outros estão vindo. O fim chegou, Ancião, mas eu não quero deixar que isso aconteça. Não quero que Céu ou Inferno vençam a guerra. Nós dois morreríamos se isso acontecesse, não importa qual lado vença. Sem você, a vitória do Terceiro Exército é impossível. Mas com vosso poderio ao nosso lado, temos chance de igualar as escalas. Miguel e Lucifer são grandes, mas vosso poder é inimaginável.

Elogios, elogios e mais elogios. Criaturas muito antigas e muito poderosas gostam disso.

-Não achas que consigo resolver meus problemas sozinho, criatura ínfima? Vens ao meu território de descanso, interrompes meu sono e ainda ousas me insultar?

-Não tenho intenção de insultá-lo, Grandioso, mas vós bem sabeis que Céu e Inferno são inimigos quase imbatíveis. Sozinho, poderias eliminar talvez todas as Legiões do Inferno ou todas as Falanges do Céu, mas certamente não sobreviveria a um confronto contra Lucifer, seus generais e suas Legiões simultaneamente. Essa batalha é impossível para qualquer criatura mortal, seja ela eternamente duradoura ou não.

A criatura não respondeu durante alguns minutos.

-És convincente, Quinto Cavaleiro. Sinto falta de uma batalha.

A terra tremeu. Um sorriso abriu-se em meu rosto. A criatura estava vindo, estava do meu lado da guerra. Com ela, meu exército estaria completo. Deixei a cratera vulcânica.

Uma enorme cabeça reptiliana completamente negra e com olhos vermelhos, talvez do tamanho da abertura do vulcão, ergueu-se da lava. O pescoço e o corpo seguiram, também negros e gigantescos, destruindo a montanha. As patas e as asas deixaram por último, trazendo à tona a maior dentre todas as criaturas que já pisaram na terra.

O último dragão vivo.

-Não vejo este mundo desde que lutei ao lado dos Titãs. Azazel, ninguém irá derrotar-te enquanto estiveres ao meu lado.

O sorriso ampliou-se. Talvez meu exército ainda não esteja completo.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Rise of the Fallen 12: Descent of the Archangel

-Preciso encontrar um último aliado antes de abrir os portões.-disse eu.-Destino, encontre Gabriel. Reúna os dois exércitos. Nós ainda temos uma última carta na manga.

-Certamente, Azazel. Estarei esperando-o. Você saberá onde me encontrar.-disse ele. E sumiu.

Voei até o Vesúvio, o vulcão que destruiu Pompeia. Dentro dele, em suas profundezas, havia um tesouro guardado para qualquer um com coragem, poder e convincência para arrebatá-lo. Existiam outros capazes de fazer isso que não eu, mas disposto, um somente. E era eu mesmo.

Na abertura do vulcão, porém, reconheci alguém. Confesso que senti um pouco de admiração ao vê-lo. Era da minha altura e tinha cabelos loiros e cacheados, uma barba loira rala e olhos completamente brancos. Era muito forte e vestia uma armadura no peito. Um par de asas brancas era evidente, e em suas mãos pendiam uma espada em chamas e um escudo.

Miguel Arcanjo.

-Azazel.-disse ele, com a voz seca.

-Miguel. Confesso que acho sua visão mais gratificante que a de nosso irmão mais velho. Na realidade, chego a achar bom vê-lo.-disse eu, em resposta.

-Você tem que parar com o que está fazendo, demônio. Você está arriscando tudo. Você vai morrer.-disse ele, em resposta.

Contive minha ira. Miguel sempre tinha sido ríspido e inflexível.

-Ora, meu irmão.-respondi, com um certo escárnio.-Você tem sido um bom soldado raso por muito tempo. Porque agora quer evitar uma última guerra?

-Não seja ridículo, Azazel, chamando-me de "soldado raso". Sou o Príncipe da Milícia Celeste, General das tropas do Céu. Comando falanges capazes de cobrir o sol e superá-lo em brilho. Eu não estou tentando evitar a Guerra, demônio. Eu estou tentando mantê-lo fora dela.

-Você acha que eu não sou capaz de lutar como um "terceiro lado"? Eu sou quase da sua idade e infinitamente mais poderoso que qualquer um de seus "pombos".-respondi, enfurecido.-Você me teme, não é? Me odeia por ter tido a coragem que você nunca teve.

O rosto de Miguel, pela primeira vez, demonstrou alguma emoção. Um misto de escárnio e pena.

-Eu não tenho sentimentos em relação a você, Azazel. No momento, você e seus cabeças-de-vento são o menor de meus problemas, se é que chegam a ser problema. Lucifer é o meu problema. A sua vontade de lutar contra nós é porque eu e ele somos grandes. Você é só o anjo que está à nossa sombra. Ele é o mais belo, eu sou o mais prodígio... e você é o mais tolo, Azazel. Mas não se preocupe. Se os seus planos derem certo, logo você vai notar isso. Logicamente, vai ser tarde o suficiente para sua morte ser iminente. Adeus Azazel. Até o Julgamento Final. E faça tudo rápido. Eu quero estar aqui para presenciar o seu desespero quando tudo que você acredita estiver como a lava desse vulcão: derretida e contida no fundo da Terra. Como, um dia, você mesmo esteve.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Rise of the Fallen 11: Alea Jacta

-Destino? A entidade ou o Eterno?-perguntei.

-Ambos.-disse ele.-Azazel. Seus Cavaleiros estão mortos, todos eles. Morte era o último que restava vivo. Passaram-se inúmeros anos nos quais você não esteve ciente de tudo, mas nada escapa aos meus olhos ou ouvidos, anjo.

A notícia me entristeceu. Os Cavaleiros eram aliados poderosos, mas não eram essenciais. O essencial do plano ainda era eu mesmo. E eu estava vivo. Eu só precisava encontrar criaturas dispostas a lutar ao meu lado: sozinho, eu não mudaria nada.

-Onde posso encontrar aliados, Destino?-perguntei.

-Porque eu deveria ajudá-lo?-respondeu ele.

-Porque é o que você faz: leva as coisas aos seus respectivos fins. A ideia e o conceito de Destino são embasados nisso: você traz tudo ao seu devido fim. É hora deste mundo findar, você sabe disso. Você não impediu aqueles humanos de abrirem minha jaula e, uma vez aberta, você não me impediu de tentar ressuscitar os Cavaleiros. Você está exausto, Destino, pois seu ofício não lhe parece mais grato. Onde posso encontrar ajuda para enfrentar Céu e Inferno?

Destino sorriu.

-Muito eloquente, Azazel, mas meu ofício ainda me é muito gratificante.

-Então porque não interromper? Você sabe, Destino, sempre soube. A minha aparição significa o fim.

-Não se lisonjeie tanto, Caído. O mundo iria ruir mesmo que sua jaula nunca fosse perturbada. Você pode no máximo acelerar este futuro.

-Destino. Ninguém melhor que você sabe que essas criaturas que se acham perfeitas não passam de um erro de cálculo. Meu Pai fascinou-se por elas, mas elas são meramente um esboço do que deveria ser uma raça perfeita. E nada saiu mais errado que eles. NÓS, Eternos e anjos, somos as criaturas que realmente tem um motivo para existir. E nossas existências agora são atormentadas por criaturas tão frágeis. Me ajude a exterminar esse câncer do mundo. Me dê aliados.

-Belas palavras. Você está certo, anjo. Devemos nos unir. Você tem a mim. E a meu exército.

-Exército? Que exército?

Do nada, começam a aparecer formas. Todas com a aparência de um anjo, mas com algo diferente: os pés eram de pássaro. Aquelas formas... sim, eu lembrava. Os Corvos da Tempestade. Uma vasta falange que se rebelou contra a ordem das coisas e juntou-se ao Destino para servir como sua ferramenta. Agora, no entanto, ela já tinha arrebatado milhares de anjos e demônios insatisfeitos com a situação do mundo.

-O seu caminho para a vitória, Azazel...-disse ele, mas eu o interrompi.

-Começa agora, Destino.-disse eu.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Rise of the Fallen 10: Deadly Omen

Voei até Guerra, pois já chegava de perder meu tempo. Era hora de trazer o fim. Minhas asas batiam, mais rápido do que olhos humanos poderiam ver. Cruzei o oceano em poucos minutos e então senti a presença de meu filho. Era hora de despertá-lo.

Pousei. Era uma floresta extensa e densa. Ninguém em volta. Encostei no chão e então recitei as velhas rimas que abriam os portais. A magia funcionava da mesma forma com a poesia, mas enquanto a poesia tira sua força das emoções, a magia tira sua força da vontade do conjurador. Quanto mais resoluto e obstinado, mais eficiente e capaz é o usuário. Eu, pessoalmente, era quase imbatível nesse aspecto. Tanto tempo acumulando minhas energias. Era a hora de liberá-las.

O portal abriu-se de forma repentina e eu esperei que o gigante saísse, com os olhos injetados de sangue e pronto para um massacre.

Ao invés disso, saiu uma criatura vinte centímetros mais baixa que eu e com um manto cinzento.

-Será possível que TODO meu Apocalipse foi tirado de mim?-gritei.-Quem diabos é você?

A criatura respondeu.

-Não interessa.-respondeu.-Você está atrasado, Guerra já foi libertado.

Pasmei.

-Como assim? Quem diabos é você... e mê de um motivo para acreditar em você. E outro pra não matá-lo.-perguntei.

-Já disse que não interessa. Guerra já foi libertado e morto. Morte já partiu, por suas próprias mãos.-respondeu ele.

-Você ainda não me deu um motivo para não matá-lo.-insisti.

-Você não pode me matar. Eu sou um enviado, não uma entidade. Sou imortal, pois não existo. Você está atrasado, Azazel. O fim do mundo começou muito antes de você voltar. O mundo já está acabando e não tenho certeza se a sua participação é importante. Mas nada o impede de tentar.

-QUEM É VOCÊ?-gritei.-RESPONDA-ME, INFELIZ.

A criatura tirou o capuz que cobria seu rosto. Não tinha expressão, somente uma cabeça com dois olhos e uma boca.

-Eu sou o Destino, Azazel. E sugiro que você modere seu tom ao falar comigo.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Rise of the Fallen 9: Morning Star

-Vá, então, Gabriel. Faremos bom uso de sua arma quando a hora chegar.-disse eu.

O anjo abriu as grandes asas regeneradas e então voou. E quanto a mim, era hora de reerguer meu outro filho. As minhas asas abriram-se e aprontei-me para voar. Mas alguém, uma voz conhecida, chamou meu nome.

-Azazel.-disse a voz.-Eu não esperava vê-lo tão cedo. Você está ainda mais desagradável do que da última vez que eu o vi.

Uma gargalhada de escárnio ecoou de minha garganta.

-Ora, ora.-respondi.-Veja se não é o filho bastardo e ingrato. Lucifer. Como vão as coisas naquele buraco que você chama de reino?

-Acho que estão muito melhores do que no buraco de onde você veio. Diga-me: você sentiu falta do calor da vida enquanto estava enterrado? Deve ser horrível. Você, somente. Nenhum outro de nós, nenhum humano. Somente você e terra.

Desgraçado.

-O que você quer, Imundo?-perguntei.

-Ora, acalme-se, Caído. Ou posso chamá-lo de Demônio, já? Eu sei que você não gosta, mas é o que você se tornou, não há nada que eu possa fazer. Eu vim conversar com você sobre a idiotice que você está fazendo.-respondeu ele. Lucifer apresentava-se sem asas. Vestia uma armadura completamente branca e seu cabelo preto e liso passava da cintura. Os olhos eram claros e brilhavam. Era da minha altura.

-Estás com inveja de não ter papel nenhum no Apocalipse, "maninho"? Lhe incomoda saber que você depende de mim para vencer.

Dessa vez, ele gargalhou.

-Poupe-me, verme, de seus discursos. Você sente inveja de mim porque eu fui transformado em rei e você em uma minhoca com asas fadada a esperar que algum outro animal lhe desenterrasse. Você vale menos do que a areia em que estamos pisando. Eu perdi tudo porque eu vi, antes de todos, que nós morreríamos no fim. Eu lutei por nossas existências. Você é do tamanho de seu ideal, Azazel, e você largou tudo para ter uma mulher humana. Fale o que quiser de mim, mas VOCÊ depende de mim mais do que um animal depende de água. Porque se EU decidir não lutar, como você espera enfrentar nosso Pai? Com um caído que não vale sequer uma pena de suas asas e meia dúzia de Eternos? Você é ridículo, Azazel, a escória dentre os demônios. Você sequer pode chamar-se de anjo.

Senti a fúria aflorar de minha essência na forma de energia pura. Devastei milhares de quilômetros. Quando a poeira baixou, ele ainda estava na minha frente.

-Eu vou matá-lo, Lucifer. Escreva minhas palavras, guarde-as, leia-as no teto de seu buraco durante cada noite. Quando os portões se abrirem, Miguel não terá tempo de encontrá-lo. Nem suas penas irão restar, seu desgarrado traidor.

Um sorriso apareceu nos lábios dele.

-Ah, Azazel. Tão humano. Tão patético. Eu estarei esperando você, em frente aos meus exércitos. E você, no fundo, sabe que não tem chance contra mim. Toda a sua raiva e frustração: são mínimas. EU sou o que você sempre quis ser, Azazel. Eu iluminei os Céus durante a gênese, e justo no dia em que seria sua vez, EU novamente estive lá, para atrapalhar seus planos. Eu liderei os nossos irmãos e você, como o verme inútil que é, juntou-se aos outros 5 para nos derrotar. Você sequer venceu Abbadon, ou esqueceste que Raziel salvou a tua pele imunda? Você acha que tem poder, Azazel, mas a única coisa que você tem é um par de asas. E mais nada. Você tem sorte de eu ter esse tempo para lhe lembrar QUEM de nós é REALMENTE um anjo caído... e quem é somente uma pomba indignada. Adeus.

E sumiu.

-Lucifer. Quando o sangue verter de sua garganta, você não conseguirá mais rir. E eu olharei para o seu rosto desesperado... e sorrirei.

domingo, 5 de setembro de 2010

Rise of the Fallen 8: Destiny

-Acompanhe, e lidere, os Eternos.-disse eu.

-Não entendo porque você se aliou a eles.-respondeu Gabriel.

-Porque não existe rei sem escravos.-respondi.-Aqueles idiotas podem ser úteis, mas não sem alguém para dizer o momento no qual eles devem morrer. Sukht.

As correntes soltaram-se dos punhos de Gabriel. Estava livre para fugir, mas eu sabia que ele não iria. A essas alturas, todos os anjos do mundo já tinham ideia de que ele talvez estivesse morto ou pior, ao meu lado. Batalhas entre anjos não são muito duradouras.

-Então, estás livre. Voe, se quiser.-disse eu, estalando os dedos. As asas dele cresceram de novo.-Mas não acho que vão aceitá-lo de volta.

Seus olhos ficaram marejados de lágrimas.

-Dor. Você só sente quando cai. Bem-vindo, meu irmão.-disse eu, fingindo tristeza.-Vá. Encontre os Eternos. Derrote algum deles e aproprie-se de sua arma, pois são poucas as coisas capazes de matá-los.

-Não se preocupe.-disse Gabriel, com um sorriso.-Eu tenho algo que pode fazer isso.

Por um momento, enquanto ele desembainhava sua arma, eu fiquei confuso. Mas tão logo vi o que era, fiquei infinitamente mais confuso. Não era possível que alguém como ele estivesse com algo como aquilo.

-Mas isso...-disse eu, com um sorriso de orelha a orelha.-Isso é a Lança do Destino.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Rise of the Fallen 7: The Truth Beneath the Rose

-Azazel, não faça isso.-disse Gabriel.

Suspirei.

-Meu irmão. Eu sinto muito. Mas eu preciso. Você acha justo o que foi feito a mim? Eu sei que não acha. Eu lembro. Você foi contrário ao meu castigo.-respondi.

Gabriel ergueu-se, com as mãos algemadas. Suas costas sangravam e o sol poente brilhava vermelho. Ele olhou em meus olhos.

-Você está se tornando um demônio, irmão. Está matando sua própria gente, traindo e mentindo. Eu sinto muito, muito mesmo por isso.- disse ele.

Dei-lhe um soco na cara e então arrastei-o pelo caminho.

-Você não sabe de nada. Você sabe qual a diferença entre Lucifer e Miguel? Lucifer se rebelou primeiro.

-Você está mentindo, Azazel.

-Idiota.-respondi.-Você não vê, né? Eu estou SALVANDO vocês. Matar todos os humanos é a única forma de terminar de vez com a pena a qual vocês foram submetidos.

-Isso é insano, meu irmão. Os humanos são a chave para a vitória.

-Você não vê além, Gabriel. Quando os humanos forem Arrebatados, eles estarão acima de nós, anjos. E então, nós perderemos a função. Nosso Pai nos criou para que o servíssemos e, futuramente, servíssemos aos humanos. Quando eles não precisarem mais de nós, nosso Pai também não precisará. E nós seremos mortos.

Gabriel ficou quieto. Eu sabia que ele se recusava a acreditar, mas meu argumento fazia sentido. Era a mais pura e cruel verdade.

-E se nosso pai perder, Azazel? Qual sua insana hipótese?-perguntou ele.

-Então Lucifer vence. Todas as almas humanas tornam-se posse dele. Vocês ficarão sem corpos para vestir e, eventualmente, acabarão sendo derrotados e mortos.-respondi.

-Então você está dizendo...

-... que não importa quem vencer: NÓS perdemos.-completei.-Ajude-me, irmão. Se conseguirmos manter as almas humanas longe de Céu e Inferno, poderemos manter a guerra equilibrada. Somente então teremos chances de vencer. De existir, e não sermos descartados.

Gabriel ficou quieto. Seus olhos me encararam.

-O que posso fazer?- perguntou o anjo.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Rise of the Fallen 6: Angel's Punishment

Olhei para eles dois.

-Vocês estão... humanos.-disse eu.-Não apenas em aparência, há uma alma aí dentro. O que diabos deu em vocês para saírem possuindo essas vestes como se vocês fossem... demônios?

Rafahel tomou a dianteira na resposta. Usava um corpo de altura mediana para um humano, corpo esguio. O cabelo era bastante curto e escuro, com olhos quase completamente brancos. Esse último detalhe era devido à possessão.

-As coisas mudaram, Azazel. Corpos humanos fazem nossa presença mais tolerável para a dimensão ao nosso redor. Não é a toa que o mundo está um caos. A sua presença é nociva para este planeta.

Respirei fundo.

-Sim, é. Agora me digam, meus irmãos mais novos, o que vocês estão fazendo aqui... e porque trouxeram uma corrente de Asmodeu?

Gabriel respondeu, dessa vez. Era um pouco mais baixo, mas o corpo também era mais forte. O cabelo era comprido, liso e escuro. O olhar era como o de Rafahel.

-Viemos prendê-lo, mas temos permissão para matá-lo, Azazel. Estamos armados para matá-lo e não nos orgulhamos disso. Não dificulte ainda mais as coisas.

Não consegui conter o riso.

-Hahahahaha. Inacreditável. Mandaram vocês dois?-olhei para cima, com um sorriso.-É sério? Isso é tudo?-suspiro.-Bom, vamos a isto.

-Azazel...-começou Rafahel.-Sentimos muito.

-Eu não sinto.-respondi.

Uma luta entre dois anjos é devastadora. Entre três, então, seria tranquilamente capaz de destruir meio continente se eu estivesse enfrentando os anjos certos. Mas não era o caso.

Rafahel era o mais fraco e, por isso, foi o primeiro. Trocamos socos e pontapés, mas as minhas habilidades de combate eram superiores. Atirei-o contra Gabriel e então golpeei de novo, com força. Ele tentou levar a luta para o ar, voando, mas segurei-o pela perna e então bati com seu corpo no chão. Alguns dentes caíram. Pisei em suas costas, saquei de volta minha lâmina e então atravessei seu coração.

A explosão de energia que emanou da morte do anjo arremessou Gabriel longe. Não tive dúvidas. Peguei a corrente de Asmodeu que estava em posse de Rafahel e, velozmente, prendi os dois braços de Gabriel. Para certificar-me de que ele não iria fugir, arranquei suas duas asas. O grito de agonia que ecoou de sua garganta rachou o chão ao meio em diversos pontos.

-Certo. Agora você está amarrado com uma corrente que somente quem utilizou-a pode soltar. Está sem asas e sem poder nenhum. Agora, meu irmão mais novo, você vem comigo.

-Para onde?- perguntou o anjo, entre gemidos de dor.

-Vou fazer o que qualquer pai honrado deveria fazer: vou levar o homem que matou Morte ao irmão dele, Guerra.

Gabriel me olhou com desprezo.

-Eu não matei Morte, Azazel.

Olhei-o de volta, com pena.

-Tente convencer Guerra disso.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Rise of The Fallen 5: "Bleed"

-Pai?-ouvi o gigante falar.

-Filho, estou aqui. De volta.-respondi.

-Quanto tempo se passou?

-6 mil anos, meu filho. Um longo tempo. Mas é hora de liberarmos os outros.

Ouvi uma profunda respiração.

-Não.-disse ele.

Pasmei. O que diabos ele quis dizer?

-Não? Meu filho, são seus irmãos! Eles também estão trancados!-disse eu, enfurecido.

-Pai. Porque eu iria querer libertá-los? Eu vou morrer. Você me matou no momento em que me trouxe de volta.

Inacreditável. Tudo tinha sido tirado de mim. Até meu próprio filho me negava respeito, obediência, devoção. Isso não era obra de meu Pai, nem de meus irmãos.

-Meu filho. Eles me tiraram tudo. Tudo. Até minha arma. Ajude-me a fazê-los pagar por isso. Eu preciso da sua ajuda. Você é um dos Quatro. É o seu Destino.

Ele olhou para mim. Reduziu-se até ficar ao meu tamanho e então olhou em meus olhos.

-O que EU tenho a ver com isso, pai? Por sua culpa, eu nasci e fui obrigado a assistir meus irmãos morrerem, quase todos. Você nos mandou para mundos diferentes, completamente caóticos. Você não tinha a menor ideia de para onde estava nos mandando e mesmo assim, o fez. Eu não vou ajudá-lo. Vá embora.

Baixei meus olhos. Minha mão direita direcionou-se até a ponta da lança.

-Eu realmente sinto muito, meu filho. Isso nunca fez parte dos meus planos. Você era pra ser uma ferramenta importante, mas escolheu outro caminho. Farei o que você quer que eu faça.

-Você vai fazer isso, não é? Eu vejo. Você me libertou para que eu o servisse.-respondeu ele.

-Eu o libertei para que você ajudasse seus irmãos. Mas você nos traiu. Traiu a nós todos. E eu não suporto mais traições. Você talvez não queira lutar. Vai ser mais fácil.

-Não quero facilitar, pai. Você quer me matar, porque eu facilitaria?

-Porque vai ser pior pra você do que pra mim. Eu queria fazer isso rápido.

-Tente.

Saquei minha arma e investi contra ele. O garoto era forte. Muito forte. Mas eu já era velho quando ele nasceu, e o poder de um anjo nunca para de crescer. A luta foi dura, mas estava decidida no momento em que começou. Minha lâmina cortou o peito dele de uma ponta até a outra. Ele caiu de joelhos. Ergui a ponta da lança para terminar com seu sofrimento, mas ele me interrompeu.

-Não. Deixe-me morrer, lentamente.-disse ele.-Eu quero que você assista.

Obedeci. Vi o sangue do meu primeiro e mais pródigo filho verter e, tão logo a vida sumiu de seu corpo, berrei aos céus, amaldiçoando-os.

-A todos vocês aí em cima: EU vou trazer-lhes dor e agonia.-gritei.

-Azazel. Chega. Viemos acertar as contas.- disseram duas vozes atrás de mim.

Reconheci instantaneamente

-Rafahel e Gabriel.-suspirei.-Faz tempo desde que os vi pela última vez.

sábado, 21 de agosto de 2010

Rise of the Fallen 4: Awaken the Giant

-Bom tê-lo ao nosso lado, Azazel. Sei que tens compromisso, não vamos prendê-lo.-disse Ódio.-Quanto ao nosso irmão que mataste, devo dizer que ele retornará, e por isso não teremos uma conversa mais séria sobre esta... ofensa.

-Você age como se eu desse bola pra isso. E esperem minhas ordens: não quero perder meus únicos aliados na hora errada.-respondi.-Agora vou-me.

Abri as asas e voei. Idiotas, eles estavam mortos no segundo em que tiveram a ideia estúpida de me procurar como aliado. Lógico que eu iria aceitar: quanto mais espantalhos eu tivesse pra atirar no campo de batalha, melhor. Eu sabia que estava sendo observado, por Céu e Inferno. Espero que eles tenham visto que me aliei aos Eternos: vai dar a eles ainda mais vontade de vir me pegar.

Eu sentia meu primeiro filho próximo. A energia que ele emanava era intensa, talvez até palpável para os humanos mais sensíveis. Eu lembro que alguns humanos foram grandes magos, pouco tempo antes de meu cárcere. Não, não eram grandes, não. Apenas superaram as expectativas.

Tinha chegado nele. Era o local de descanso dele; ou melhor, do Portal que conduzia até ele. Ficava lá, dentro da cidade. Ponderei sobre o assunto: eu poderia chamar atenção ao convocá-lo. Atenção desagradável, talvez alguém tentasse interromper. Afinal de contas, seria uma situação muito estranha. Quer saber? Foda-se. É minha missão.

Pus minhas mãos no chão e então liberei todo meu poder. Foi exaustivo, mas funcionou. A terra começou a tremer, enlouquecidamente. As ondas de energia fizeram as placas tectônicas chorarem e partirem-se. A cidade começou a ruir. Estendi minhas mãos e despejei uma nova onda de energia. O fogo sagrado, agora não tão sagrado, devastou a tudo. Ninguém sobreviveu e nada restou de pé. Somente eu. E ele.

Comecei a recitar:

"A salvo do tempo
A salvo do espaço
Deste maldito relento
Volte aos meus braços

De meus filhos o maior
Mais glorioso e mais forte
Retorne do teu sono

Meu filho, Morte."

E como um bebê, ele voltou. Primeiro a cabeça, depois os ombros... até que o corpo inteiro tivesse saído. Era alto, mas não muito.

No máximo 30 metros de altura.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Rise of the Fallen 3: Eternal

O ódio e a raiva ainda ferviam enquanto eu encarava minha antiga e amada arma aos pedaços. Por um momento, desejei que me encontrassem: iria eviscerá-los, matá-los, destruir suas ess...

Quem diabos estava à minha frente, agora? Surgiu do nada, do mais absoluto nada. Não era anjo ou demônio.

-Saudações, Azazel. Seu retorno não passou despercebido.-disse a criatura.

-Eu nunca fui a lugar algum para poder retornar. E quem diabos é você?- repliquei, impaciente.

-Meu nome é Ódio. E estes... - surgiram dois outros ao seu lado.-São Inveja e Honra.

-E o que eu quero com vocês? Desapareçam da minha frente!

-Não tão rápido... temos uma proposta para você. E para seus filhos.

Fiquei quieto. Quem diabos iria querer se aliar a mim? Eu era o filho da puta mais procurado atualmente. Pior que o filho do capeta. Deve ter uma recompensa gigante pela minha cabeça, esse palhaço só pode estar brincando.

-Proposta? Existe uma recompensa no céu e outra no inferno pela minha cabeça, você não pode estar falando sério. Você é retardado?-disse eu.

-Não. Eu sou Eterno.

Inacreditável. Essas pragas existiam mesmo, então. Eu sempre achei que eles fossem invenção pra assustar a gente, dizendo que existia um terceiro lado na guerra entre céu e inferno. Um lado que simplesmente queria que todos perdessem.

-Certo. Você quer fazer parte do fim do mundo?-perguntei.

-Queremos que ele volte a ser nosso. Eu e meus irmãos. Estamos dispostos a ajudá-lo, contanto que o mundo fique como nosso espólio ao fim da guerra.

-Acordo feito.-respondi.

-Como sabemos que podemos confiar em você, demônio?- perguntou Inveja.

Meu sangue ferveu. Caminhei até ele.

-Vocês podem.-respondi.

-Confiamos.-disse Ódio.-Então, o pacto. Faremos com sangue.

-Certo.

Rápido como um raio, segurei Inveja pelo pescoço. Arremessei-o longe e então corri em sua direção, com a minha lâmina em mãos. Degolei-o com um único talho e então lavei minhas mãos com seu sangue. Um jato de luz ocorreu antes de o corpo de Inveja desaparecesse.

-Por ter me chamado de demônio.-disse eu, e apertei a mão de Ódio.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Rise of The Fallen 2: Flash of the Blade

Eu estava, naquele exato momento, procurando duas coisas.

A segunda era importante, sim, mas nada como a primeira. Afinal de contas, eu poderia começar o apocalipse sozinho, mas a tarefa seria um pouco mais árdua. Eu não queria correr riscos, e Miguel e o resto dos Ursinhos Carinhosos já devem ter notado meu despertar. Mas eu sei que o Big Boss não pode ficar muito tempo na terra, então ele só aparecerá na hora certa. Problema dele: só existe uma hora - tarde demais.

A primeira coisa, essa sim era realmente importante. Acontece que há 6 mil anos atrás, quando resolveram brincar de esquilo e me enterraram até que nascesse uma desgraçada duma árvore, eu tinha uma arma. Não era uma arma qualquer, lógico que não: eu tinha forjado ela pessoalmente. Era provavelmente a melhor arma já feita no mundo. Usei metais raros, negociados com criaturas sobrenaturais dos mais diversos reinos, encantamentos tirados à força dos Djinni do deserto. Forgei-a nas chamas do Inferno, antes de conduzirmos Lucifer ao seu local de aprisionamento. Pra dizer o mínimo sobre minha arma, era indestrutível por qualquer meio conhecido, a não ser pelo meu Pai. Pessoalmente.

E logicamente, agora ela estava perdida. Afinal de contas, não deixei que a capturassem. Minutos antes de minha captura, arremessei-a. Era aerodinâmica como um pássaro e minha força naquele momento, quando a raiva ardia em meu coração, era incalculável. Nem eu próprio sabia onde ela estava. Era indetectável por qualquer meio: nem mesmo detectores de metal iriam revelá-la. Mas eu, somente eu, podia sentí-la em qualquer lugar do universo, e além. Era o único objeto pelo qual mantive meu amor durante todo esse tempo.

Aproximei-me do local do descanso de minha gloriosa arma. Um descampado, completo. O tempo tinha encoberto os sinais de sua passagem. Enterrei minhas mãos e então ergui-as: a Terra entendeu minha ordem e revirou-se até revelar a magnífica e gloriosa...

... lança quebrada em uns 6 pedaços.

Como diabos isso aconteceu? Era indestrutível, eu próprio tinha me encarregado disso, a não ser que...

... meu Pai tenha estragado meu brinquedo favorito.

Um momento de angústia para alguém que passou milênios enterrado NUNCA é uma boa ideia. Peguei apenas a parte da lâmina que estava ligada ao cabo, também quebrado, e guardei-a numa bainha improvisada. Aquilo tinha passado dos limites, nem Lucifer tinha sido tão horrivelmente castigado.

Decididamente, era hora de igualar as escalas.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Rise of The Fallen 1: Out On the Water

Bom, estamos em 2040. Uma escavação petrolífera cavou um buraco no lugar errado e acabou causando uma explosão num suposto depósito de gás que na realidade nunca existiu. Aquelas brocas gigantescas criaram uma faísca imaginária que explodiu a completamente quimérica jazida subterrânea de metano ou qualquer outra coisa parecida.

Pelo menos foi isso que eu ouvi dizer.

Na realidade, fui eu. Não poderia perder a oportunidade. Passei 6 mil anos enterrado e, de repente, alguma coisa gigante de ferro vem e abre um furo na minha jaula. A luz do sol entrou. Eu senti saudades da luz. Não pensei duas vezes: coloquei a mão para fora dos limites de meu cativeiro e então despejei meu poder. Eu não tinha a menor ideia do tamanho da área que seria destruída, fazia muito tempo desde a última vez que fez-se necessário reagir. A explosão foi como uma mancha solar: derreteu metal, evaporou água, queimou vidas.

Foda-se.

Saí daquele buraco quase infernal. Arrastei-me. Eu, um dos Primeiros. Mas estou finalmente livre. Contemplei o céu: ainda era azul. Minhas asas cinzentas abriram-se, quase atrofiadas. Era hora de voar de novo.

No reflexo da água do mar, vi meu rosto pela primeira vez desde minha condenação. Continuava igual: cabelos compridos, nariz aquilino e olhos expressivos. Quase completamente brancos, mas muito expressivos. Meu corpo tinha sofrido algumas das consequências da ausência de luz solar: minha pele tinha tornado-se morbidamente pálida. As asas cinzentas formavam um manto e cobriam meu corpo. Gostei da aparência. Vou manter-me assim.

Os primeiros humanos apareceram. Eram mais altos agora e usavam aparelhos esquisitos. Antes de ser preso, utilizei alguns feitiços: dentre os anjos, nenhum era mais capaz com magia do que eu. Mantive-me consciente, olhos e ouvidos acima daquele buraco desgraçado. Chamavam de tecnologia. Patético.

A hora deles estava para chegar.

Voei para longe, encoberto pela fumaça. E rumo ao local de descanso do primeiro de meus Cavaleiros.

Do mais velho de meus filhos.

sábado, 7 de agosto de 2010

Rise of the Fallen (INTRO)

Irmãos mais novos.

Ok, é até meio instintivo detestá-los. Toda aquela coisa de fazer eles parecerem os "favoritos da multidão", só para a auto-estima deles crescer e eles serem felizes. Eles sempre atormentam algum filho único que era o orgulho de seus pais. No meu caso, só do meu pai. Nunca soube quem era minha mãe.

Além disso, eles nunca realmente sabem o que estão fazendo. Mexem nas coisas do pai sem saber se podem... ou, pior, sabendo que não podem. E nós temos que protegê-los. Papai sempre pede para que nós demos toda atenção do mundo a ele. E é aquela sensação que um homem de 40 anos tem ao ver o emprego da sua vida ser dado a um garoto de 22 anos. "Eu já trabalhava quando esse moleque nasceu". Pior, além de tudo, o garoto ainda passa a ser seu patrão. Anos de experiência e esforço postos sob o comando de um pirralho que mal saiu das fraldas. Frustrante.

Revoltante.

E nós temos que ACEITÁ-LOS. Porque não temos escolha, não é da nossa alçada decidir se eles existem. Temos que aprender a gostar deles ou morrer tentando, porque simplesmente não há nada que possamos fazer. Nada dentro da lei, pelo menos.

Eu tenho um irmão mais novo e dois mais velhos. Na realidade, tenho milhares de irmãos mais novos. Eu tinha uma namorada, também, pelo menos até meu pai interferir no meu relacionamento. E eu fui trancado em um lugar escuro durante um tempo que não parecia passar. Mas no fim das contas, não foi muito. Foram apenas 6...

... milênios.

Mas agora estou de volta. Novo em folha.

Meu nome é Azazel. Minha profissão é "Cavaleiro do Apocalipse".
Eu sou o Quinto.
O responsável por começar tudo.
Mãos à obra!