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terça-feira, 24 de abril de 2012

These are the wizard's last holy sights... The Wizard's Last Rhymes!


“Se você encontrou essas páginas e não fui eu que lhe entreguei-as, então eu recomendo que você não as leia. Se você encontrou correntes com elas, então leia e saiba que você já está amaldiçoado.
  E eu já estou morto.
Enquanto as escrevo, vomito sangue pelo menos duas vezes por hora. Minha pele enche-se de marcas, símbolos, estigmas. A íris de meus olhos já tornou-se vermelha e a esclerótica, que os leigos chamam de “branco do olho”, já está preta. Meu corpo entra em colapso pelo uso extremo de magia, e meus sucessivos cortes para transformar meu sangue no combustível de minhas magias só aceleraram esse processo.
Morro carregando o legado dos Della Rey. E por mais debilitado que eu esteja, tenho certeza que ninguém virá me matar. Esses são meus únicos momentos de paz. Um whiskey barato e uma carteira de cigarro estão em minha mesa enquanto escrevo. No momento de minha morte, é que minha mente nubla. Faltam palavras pra descrever o que sinto...
... porque eu falhei.
Sim, falhei. Ninguém pôs as mãos nessas correntes, e muitos tentaram. Mas meu corpo apodrecerá e não poderei mais defendê-las. Irônico como eu literalmente dei a vida para protegê-las.
Sobre minha irmã... eu cometi um erro atrás do outro até que, finalmente, um dos dois teve que pagar. E foi ela. Não estava na minha capacidade evitar, era lógico. Era tão lógico que eu, sinceramente, não acredito que não percebi antes. Minha irmã pagou com a vida.
Sobre Augustus... ele foi um idiota. Eu jamais poderia ter protegido-o, mas eu poderia ter tentado se ele tivesse sido honesto sobre suas origens. Talvez um dia, se eu conseguir resolver minha situação como alma, eu tente resgatá-lo... quem sabe para matá-lo por sua estupidez.
Sobre o diácono... sim, talvez eu tenha traído-o. Mas ele arriscou minha vida ao invadir minha casa e fazer dela sua base de operações. Ele me devia, e eu devia para Smaphael. O protocolo era óbvio.
Sobre Deborah... talvez a única coisa que eu realmente pudesse ter mudado, mas ela cavou a sua própria cova. Tudo que eu fiz foi empurrá-la pra dentro.
Meus dias como humano na Terra terminam e, sinceramente, eu sequer irei sentir falta. Os dias tormentosos e as noites mal dormidas. As batalhas contra demônios tão profanos que a própria Terra urrava de dor com sua presença.

Nenhuma história de amor com uma anja.

Nenhum anjo rebelde que caiu para me ajudar.

Nenhum irmão que esteve comigo incondicionalmente.

Essa é a história de um verdadeiro caçador de demônios.
           
E, agora, ela termina.”

-Encontrado, transcrito e publicado por Stride Sinkiller.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Let the Rain

Bom, tem várias pessoas pra quem eu disse que ia escrever e, recentemente, os pedidos de algumas se mostraram mais viáveis do que os de outras. O pedido de minha mais recentemente adquirida irmã, por exemplo, foi quase visionário. Nada mais justo, então, do que escrever a postagem à pedido de minha nee-chan, Sarah.

"As lágrimas vieram aos meus olhos como uma chuva violentíssima quando o coração de minha irmã deu sua última batida.

O céus se fecham e então eu sinto que os portões vão se abrir.

E a voz de minha irmã ressoa em minha cabeça dizendo: "deixe a chuva".

Mas não.

A morte de minha irmã foi um golpe baixíssimo do Destino em minha vida. Injusto com ela, talvez merecido por mim. Mas ela definitivamente não merecia morrer, não daquele jeito, depois de horas de tortura. Quantas vezes ela gritou por meu nome? Talvez nenhuma, talvez inúmeras. Quantas vezes ela desejou nunca ter me chamado de volta em sua vida? E o filho dela, que desapareceu? A captura de Augustus, a única pessoa em quem ela confiava? Seria isso tudo minha culpa?

E novamente, à chuva vem. Eu senti, algumas vezes na minha vida, que existia mais no mundo do que minha alma, agora afogada, percebia.

Eu estava errado.

Não existe mais nada. Não existe mais Helena, não existe mais Augustus, não existe mais um possível Della Rey. Não existe mais ninguém em quem eu possa confiar, salvo talvez aquele mago patético que se esconde em minha casa com medo de sair na rua. O mundo torna-se um lugar mais sombrio e terrível a cada segundo, e a maldição dos Della Rey segue implacável, retirando de minha vida todos aqueles que ousam lutar ao meu lado. E agora planos ainda mais profundos que o Inferno espalham seus tentáculos na Terra e, para variar, eu estou no centro do furacão.

E para piorar, é tudo culpa minha

Os céus escurecem. Não mais em minha alma... mas no mundo real.

Eu gostaria de deixar a chuva vir essa noite.

Mas as sombras de minha vida jamais me deixariam fazer isso."

domingo, 25 de março de 2012

Lost and Damned

Eu sabia, desde que comecei a escrever essa série de postagens com base em músicas, que eventualmente eu iria acabar escrevendo sobre essa música. Sem um pingo de modéstia, dedico essa postagem com uma de minhas músicas favoritas a mim mesmo.

"Cara irmã,

Escrevo-lhe essa carta porque não irei vê-la de novo. Helena, não chore... acredite em mim, eu faço isso por você.

Helena, eu lembro de você ter aparecido em minha vida quando ela tinha apenas começado. E mal sabia eu aonde isso tudo iria parar quando começou...

Eu era uma criança quando você nasceu e, mesmo naquela época, eu senti medo. Medo porque eu sabia como seria a sua vida - com sorte, menos pior que a minha. Sem sorte, você provavelmente não duraria dez anos. E foi com essa idade que eu deixei-a, pois eu sempre fui mais uma ameaça do que uma salvaguarda. Toda vida morre, especialmente ao meu redor. São as correntes da condenação que me amarram à essa tragédia que vivo. É a minha maldição.

A nossa maldição.

Não existe final feliz para nós, minha irmã. Mas seu filho... talvez ele não seja um Della Rey. Talvez ele tenha a sorte de nunca ouvir falar dessa família maldita, talvez ele tenha uma vida... normal. Eu farei o possível pra isso. Eu daria minha vida por isso. Mas não consegui salvá-los, e você sabia que eu não conseguiria. Quando você me chamou, você sabia que eu não conseguiria.

E mesmo assim, quando eu a vi de novo, você me abraçou forte. E, naquele momento, eu senti receio. Uma pequena pontada de medo, como nuvens discretas no céu limpo. E naquela noite, tudo veio abaixo e você sumiu. Portanto, tão logo eu resgate-a... eu quero que você faça o que já deveria ter feito.

Não pergunte porque.
Não se entristeça.
Às vezes temos que mudar os planos que fizemos.
Deixe-me para trás.
Não se arrependa.
Porque no fundo, você sabe...

E eu sei que você sabe...

Eu já estou perdido e condenado."

sexta-feira, 2 de março de 2012

Runaway Train

"Quando saí de minha casa, dei um adeus e parti com um bolso cheio de sonhos.

Sonhos horríveis e deturpados.

Mas, quando saí, pensei: 'essa estrada escura que eu trilho não me traz escapatória alguma'.

E diabos, eu estava certo. Mesmo com a presença de minha irmã, agora talvez ainda mais intensa do que nunca tinha sido, eu tenho certeza que escolhi o veneno errado. Essa vida não é para mim, ou para qualquer mortal. É dura demais, tem perdas demais e, principalmente, não traz recompensa alguma. Tolos são aqueles entre nós com a mente nobre e que, enquanto acham que fazem um trabalho comunitário, erguem suas barrigas obesas para a pobreza, achando que são reis em um mundo de diamantes.

Idiotas.

Como, COMO alguém pode justificar sua escolha quando acorda gritando? Como alguém pode fingir ser cego quando está enxergando toda a podridão que nos circunda?

Não. Não fazemos nada de bom. Perdemos tudo em nossa vida sem sequer termos um motivo, e para que? Para fingir que estamos cavalgando para um mundo de flores engraçadas? Eu já não aguento mais essa minha vida, sequer aguento minha dor. Faço de tudo para ficar longe de todos. Para não ter ninguém a minha volta.

É apenas uma parte da natureza humana tentar nos manter longe da dor.

Diabos, tudo que eu quero é um trem para fugir daqui."

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Fear of the Dark

Parando um pouco com as homenagens, decidi partir pra um clássico. Espero que eu não destrua a música ou desonre-a de qualquer forma.

"Eu sou um homem que caminha sozinho... e, diabos, se eu caminho por uma estrada escura.

E na verdade, essa foi a minha opção e o meu destino. O destino me forçou a caminhar por uma estrada escura, e eu optei por fazê-lo sozinho. Não é saudável ter gente perto de mim, ainda mais agora com todos esses anjos e demônios atrás de mim. A solidão doi, de vez em quando... mas a perda sempre doi muito mais.

Eu estou acorrentado ao meu destino, literalmente.

Pior que a perda em si, talvez, seja o medo de senti-la quando tenho alguém comigo. Como aconteceu com ela, como aconteceu com a minha irmã recentemente... Eu tenho medo de muitas coisas. Eu tenho medo constante de que tem algo próximo de mim, algo que eu não vejo, mas sinto, que eu não ouço, mas posso quase farejar... O medo de que minha hora solene esteja chegando. Meus medos são quase maiores do que minha dor e meu tormento.

Quase.

Depois de minha irmã, de quem a completa ausência de notícias me é tranquilizante, eu percebi que estou condenado de vez a viver sozinho. Ela fez muito por mim, mesmo em pouco tempo: as informações que tive a partir dos estudos dela me guiaram a uma compreensão maior de como usar minha maldição em favor próprio. As Correntes de Halzazee cobram o preço de seu poder em sangue... e, pelo visto, eu estou pagando muito bem. Temo pelo dia que talvez eu não consiga pagá-lo...

Tenho medo de muitas coisas. De como tudo pode terminar, de como talvez eu não descanse nem depois de morto. De como a posse contratual de minha própria alma pode trazer um final ainda mais escuro à estrada que sigo...

Posso ter medo do fim da minha estrada.

Mas, diabos, eu não tenho medo do escuro."

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

The Haunting (Somewhere in Time)

Amizades antigas são difíceis de explicar. Sem muitas delongas, entrego o texto que escrevi com a música escolhida por um de meus grandes amigos, em quem muito confio e a quem muito devo.

Essa é a tua, Lucas.

"O mero som da voz de sua voz me fez acreditar que você era ela.

E que felicidade isso me trouxe ao ouvir sua voz, minha irmã. O fato de eu ainda ter uma família foi o maior consolo que tive nos últimos vinte anos, desde que deixei tudo para trás para viver uma vida de paranoia e fuga. Quando eu disse que para você me deixar enquanto ainda podia.

Mas você não me ouviu e me procurou, e me levou de volta para a sua vida.

E as coisas pioraram, rápido. Tudo piorou e então você foi tragada de volta no redemoinho que corre em nosso sangue. Você foi atacada por meus inimigos até sua mente estar em pedaços. E quando não há mais virtudes para defender, você cai.

Fundo.

Eu sinto muito. Muito mesmo. Eu não pude fazer nada para protegê-la... eu sequer pude me proteger quando me dispus a dar tempo para que você fugisse. Mas sim, eu derrotei aquela criatura. Se isso lhe servir de consolo, eu a derrotei. Eu nunca vou me orgulhar tanto de alguma coisa quanto me orgulhei daquilo: de quando olhei para você e disse 'vá embora essa noite, eu fui longe demais para poder começar tudo de novo...

... com alguém como você.'

Eu posso não saber onde você está, sequer saber se você está viva. Mas uma coisa eu prometo, do fundo de minha alma, minha irmã...

... Em algum momento do tempo, eu irei encontrá-la e assombrá-la de novo.

Obrigado por tudo."

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

The Mercenary

"A vida de um caçador de demônios não é nada fácil. Você perde sua pele... perde sua cabeça, algumas vezes.

O pior de tudo é ver que os programas de TV acham 'bonito' ter caçadores de demônios. Isso me irrita profundamente, porque é sempre algo muito bonito ou muito glorioso. Não é. Tu mata gente, pessoas que não tinham nada a ver com essa merda toda porque... bom, porque os demônios e o resto da corja sobrenatural botam elas no meio.

O pior é que nunca realmente termina. Você mata um e vem outro se vingar. Ou então aquele que você matou da um jeito de voltar e tenta matar você. A minha vida consiste basicamente em fugir de alguns e enfrentar os outros, mas na realidade...

Eu não tenho para onde fugir.
Eu não tenho onde me esconder.
E eu preciso matar pra poder viver.

Não é bonito e nem glorioso. É uma merda tão fodida e que fode tanto com a tua cabeça que a maioria dos meus sonhos são piores que a realidade. A maioria das minhas boas memórias envolvem 'sair vivo' ou então uma cicatriz particularmente marcante. As pessoas que eu amei ou foram embora ou morreram... às vezes, ambos. Mas agora não tem volta, eu já comecei e vou ter que ir até o fim. É o peso, literal e figurativo, das minhas correntes que me mantém nisso tudo.

Eu odeio ver pessoas vangloriando caçadores de demônios ou se sentindo emocionadas pelo sacrifício que eles fazem em nome da humanidade. NÃO! Nós não somos dignos de honra...

Somos dignos de pena.

Porque toda vez que entramos em um combate com um demônio, não pensamos 'eu estou salvando milhares de pessoas' ou 'meu trabalho é importante'. As únicas coisas que passam na cabeça de um caçador de demônios são as seguintes frases:

Não demonstre sentir medo.
E não demonstre sentir dor."


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Wasting Love

Bom, na mesma linha do que eu escrevi pro André (Farewell), o Bruno Paini foi outra pessoa que deu uma mão no ano passado. Além disso, a gente jogou League of Legends o ano inteiro e ele me deu uma mão pra sair do Elo Hell. Como meu presente de formatura, o máximo que eu posso fazer é o que vem a seguir.

“Eu fico pensando: como minha vida seria se eu fosse normal?

Quero dizer, talvez um dia eu seja um homem honesto. Por ‘honesto’, eu quero dizer “alguém que faz o que diz e que pode ser digno de confiança”. Mas eu não sou, porque eu tenho que ser tão insidioso quanto os demônios que eu caço... e que me caçam. Então eu vivo assim, com uma paranóia interminável, sempre observando, sempre de olhos abertos, do nascer do sol ao por do sol e assim sucessivamente.

Eu também penso se as coisas seriam melhores se eu tivesse alguém que caçasse junto comigo... mas eles normalmente morrem, ou fogem. Os mais sortudos fogem. Eu sou obrigado a viver sozinho, porque qualquer um que se aproxima de mim é um alvo em potencial. Eu passo meus dias completamente sozinho porque já tive aliados o suficiente pra saber que não é saudável pra eles. Talvez seja meu destino, viver sozinho. Eu já tentei aceitar isso, especialmente depois da morte dela, mas é tão difícil...

Mas não. Eu tenho um motivo para fazer isso. Eu tenho as minhas correntes, e elas são o suficiente. Nas mãos erradas, elas seriam muito problemáticas. Eu tenho que defendê-las e, até agora, eu estou fazendo o melhor que posso.

E quanto aos amigos que perdi...

Eu garanto que irei lembrar deles... e evitarei que suas vidas sejam cobertas pelas areias do tempo.”

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sympathy for the Devil

A gente adquire um monte de coisas quando começa a faculdade. Conhecimento, dores de cabeça, dúvidas, frustrações, alegrias. Sim, muitas dessas coisas. Mas de todas as coisas que eu conquistei no curso de biologia, talvez nenhuma tenha sido tão importante quanto essa. Nenhuma outra coisa esteve comigo SEMPRE que eu precisei. Nenhuma outra coisa me disse a verdade quando ela tinha que ser dita e, na biologia, nenhuma coisa me deixou tão claro o quanto o vínculo de “sangue” é pequeno perante a infinidade de possibilidades que é uma amizade.

Ivi, essa é pra ti.

E a música que ela escolheu já está no título.

“Decidi começar a escrever as catástrofes que acontecem comigo pra quando algum idiota me matar por causa dessas malditas correntes, eu pelo menos tenha feito algo produtivo em vida... talvez produtivo o suficiente pra limpar a minha vergonha por ter falhado.

Então, por favor, permita que eu me apresente. Eu não sou um cara de riquezas e bom gosto. Não. Eu tenho um Del Rey velho e um apartamento caindo aos pedaços que mal cabe metade da minha mobília. Eu fumo charutos vagabundos, cigarros baratos e a minha coleção inteira de whiskeys não soma trinta dólares. Eu tenho tatuagens, incluindo uma corrente, a corrente pela qual provavelmente me mataram. Eu sou paranóico e fiz um sistema de vigilância com minha câmera fotográfica que ficou tão precário que não durou um dia. Eu tenho um monte de armas velhas e livros com tanta poeira que seria considerado homicídio doloso se eu abrisse um deles na frente de alguém alérgico a pó.

Mas eu não cheguei tão longe assim sendo um fracassado. Eu passei por cima de muita coisa. Eu lutei com cultistas tão velhos que fariam o atraso no lançamento do ‘Chinese Democracy’ parecer uma semana. Eu enfrentei demônios tão horríveis que muitos iriam preferir assistir o filme do Justin Bieber durante dias a sequer ter que olhar para eles. E sim, eu vi gente morta. Com que freqüência? Maior do que eu gostaria. Muitas vezes, gente de quem eu gostava. E foi isso tudo, e o diabo do legado das correntes, que me fez seguir adiante. Isso e, algumas vezes, vingança. Eu já passei por tanta merda que nem sei se a coisa pode piorar.

Não sou conhecido. Não espero que você adivinhe meu nome.

Meu nome é Ivan Della Rey.

E, como você provavelmente percebeu (e se não percebeu, como diabos eu morri contra alguém burro que nem você?), eu não tenho a menor simpatia pelo Diabo.”

domingo, 15 de janeiro de 2012

Amigo Nenhum

Bom, eu não vou me delongar muito. A gente entra em alguns grupos conhecendo apenas uma pessoa e, de repente, em questão de meses... aquele grupo te faz se sentir em casa. As pessoas desse grupo te entendem, se divertem contigo... mas quando a coisa fica séria, eles mostram pro que vieram. No exato momento em que a minha turma da faculdade se dispersou, eu fui agraciado com um grupo assim. E a música dessa postagem foi escolhida por uma pessoa desse grupo.
A Alícia.
Então, aqui está:

“Eu realmente cometi alguns erros grotescos. Sim, acontece com todo mundo, especialmente com gente fodida na vida que nem eu. Mas acho que das idiotices que eu fiz na minha vida, nenhuma foi mais estúpida do que quando eu me mudei pra essa cidade.

Eu lembro que quando entrei com meu Del Rey nas primeiras ruas do centro, tive uma sensação filha da puta. Olhei para o espelho e disse ‘caralho, eu acabei de chegar e já me arrependi’. Sim, foi uma merda. E o pior não é isso: é a imundície disso tudo. Eu moro aqui há vinte anos... essa cidade cresceu que nem tênia em barriga de gordo. E continua TUDO sujo, continua tudo realmente MUITO feio. Eu ando por essas ruas e o cheiro me dá náuseas. Eu já estive em necrotérios abandonados e nunca sequer tive vontade de vomitar, e ainda assim o cheiro de esgoto do centro disso aqui me derruba. E isso não é o pior.
As pessoas são desagradáveis. Eu entendo perfeitamente porque isso aqui é cheio de demônios: todo mundo é tão podre que eles devem se sentir em casa. E não para por aí: não são só as pessoas que são horríveis. Eu sou uma pessoa que gosta de frio, sim. Mas aqui, o inverno é foda... a neve faz com que seja complicado até pra caminhar e o vento é tão gelado que é difícil respirar. É tudo ruim, com escalas ocasionais em ‘muito ruim’ e paradas mais longas do que devia em ‘uma merda’. E ainda assim, eu tô preso pelo dever nesse rincão desolado da fazenda do demônio que alguns insistem em chamar de ‘cidade’.
Diabos, eu odeio isso aqui... até falar daqui me irrita.
Nas poucas vezes que eu viajo, a única coisa que eu penso quando chego nessa desgraça de novo é...
... mil vezes maldita cidade.”

sábado, 14 de janeiro de 2012

Farewell

Essa música foi escolhida por um amigo meu de curta data que eu sequer conheço pessoalmente mas que, sim, eu já considero como um amigo. Passei grande parte do ano conversando e rindo e falando merda com o pessoal no skype e, sinceramente, foi uma das coisas que me fez segurar as pontas durante o ano passado inteiro. Pra iniciar as homenagens e agradecimentos aos meus amigos, começo com a música escolhida pelo André de Peder... Farewell, do Kamelot. Um abração André e obrigado por ter participado.

“Se eu apenas tivesse tido a chance de dizer adeus a algumas pessoas durante a minha vida.
Pra ser sincero, eu me arrependo de muita coisa. De ter seguido o meu legado de família, de ter arrastado algumas pessoas pra isso comigo. Não há nada, talvez, de que eu me arrependa mais do que dessas duas coisas. Não foi fácil, pra mim, entrar num mundo cheio de demônios e, sinceramente, eu tenho tantas marcas (físicas e mentais) devido a essa escolha que talvez nem Deus conseguiria curar a minha alma se ele tentasse.
Mas eu rezo por aqueles que eu amei.
Todos os dias, e é só por eles que eu rezo. Todas as pessoas que, indiretamente, entraram nesse buraco e não saíram. Todas as vezes que eu me deparei com os corpos sem vida daqueles que confiaram em mim. Não foram muitas, mas certamente não foram poucas: a culpa, no entanto, é infinita. E ela marca, como ferro quente. Se todas as vezes que eu tive “certeza do que estava fazendo”, eu parasse e percebesse que ninguém segura a verdade absoluta em suas mãos...
Eu não posso dizer que eu teria feito tudo diferente. Não, talvez eu não tivesse. Talvez eu tivesse cometido o mesmo erro, seguido a mesma linha de raciocínio. Mas se, de todas as vezes que isso aconteceu, eu tive conseguido mudar apenas uma delas... qualquer uma delas. Se em um momento eu percebesse que eu não sou a prova de falhas na hora de envolver os outros e que, por mais que meus planos me parecessem perfeitos, alguém acharia uma falha neles...
Se eu tivesse tido a chance de dizer adeus.”

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Blizzard on a Broken Mirror

Eu decidi que vou tentar uma coisa nova no blog. A partir de agora, eu vou escolher uma música não só como título da postagem, mas também como tema, e vou tentar usar frases da música quando for possível, sempre tentando manter a história com sentido. A música estará no título da postagem.

"O espelho quebrado na minha frente me relembra da minha infância. Eu costumava olhar pro espelho que tinha no meu quarto e fingir que existia um reino atrás, um reino meu. Era meu mecanismo de escape quando eu era novo, pra fugir de todo o horror que cercava a minha família. Era a forma de eu manter a minha inocência.

Inocência essa que eu perdi. Agora, eu olho pra esse espelho e tento enxergar meu reino... tento ver um reino em um espelho quebrado. Mas que coisa idiota: é lógico que não tem como.

Eu vou até a janela da casa que eu tô e olho pra baixo. É alto aqui, deve ser o nono ou décimo andar. O demônio que eu acabei de exorcizar tinha escolhido uma bela moradia. Não posso ficar muito tempo, mas tudo isso é tão reconfortante. E o espelho quebrado... tantas memórias...

A nevasca lá fora intensifica. Eu enxergo cada vez menos daquelas ruas. Olho de novo pro espelho e agora ele reflete a nevasca. Nevasca naquele espelho quebrado, nevasca no reino dos meus sonhos... É tão triste. A neve dá uma impressão de isolamento. Saio daquela casa, sigo meu caminho.

E como se nunca tivesse vindo aqui, vou-me embora... ninguém nunca se importará, porque ninguém nunca vai saber o que ninguém nunca viu.


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

End of the Road

"Está chegando. Todos podem sentir.

Pelo menos aqueles que conhecem um pouco. Aqueles que falam a língua dos espíritos, ou dos demônios. É dito em sussurros, ninguém realmente quer chamar a atenção. Mas é dito, e o vento carrega essas palavras. "O fim".

Encho meu copo de whiskey. Tomo um gole, talvez dois. Um cigarro percorre meus dedos como se eu brincasse com uma moeda. Nunca é tarde para mudar de vida: eu posso me mudar pro Alaska e esquecer disso tudo. Logicamente eu posso.

Mas eu não vou.

A espingarda calibre 12 em meu colo não é um brinquedo: é a minha vida, é dela que eu dependo. Dela, de meus dois revólveres, minhas quatro pistolas, minha coleção de facas, as duas espadas e o resto de minhas armas. E as correntes. Ah, as correntes. Malditas correntes.

Meu apartamento de um quarto mal localizado e meu Del Rey velho e podre, mantido funcionando mal e porcamente pelo vínculo quase sobrenatural que eu tenho com aquela porcaria, são as únicas coisas que eu tenho além do meu emprego fajuto que eu uso como desculpa pra ter acesso a todo o tipo de quinquilharia que eu preciso pra manter os demônios longe de mim. Nem sempre funciona, mas foda-se. Eu tenho que carregar o fardo da minha família. Às vezes eu penso em mandar tudo se foder, mas daí eu vejo que se tudo se foder, eu me fodo junto. E isso não me agrada.

Sei lá, isso tudo é uma merda. Merda de cidade.

Merda de mundo.

E merda de corrente."

-Do diário de Ivan Della Rey.