Um par de asas, negras como o vazio do universo, abriram-se no meio do nada.
Onde a luz encosta, há de formar-se a sombra. O mal é um anátema necessário do bem, uma consequência. Pois há sempre de se estabelecer o equilíbrio no universo, conforme a entropia aumenta, até que finde-se a existência.
Pois bem. Essas mesmas asas abriram-se, milhares de anos depois, em cima de um prédio.
O caos da cidade grande escondia muito mais do que simplesmente um vórtice de infinitas probabilidades. Escondia também coisas antigas, que superavam em idade o próprio mundo e, talvez, o próprio Universo. Essas entidades fizeram parte da gênese de tudo e, ao mesmo tempo, foram geradas por esse mesmo tudo. O velho paradoxo do ovo e da galinha.
Não importa. Pois uma dessas entidades estava em perigo. O Revés.
E era hora de ir resgatá-lo.
"Acho que a Foice como instrumento da morte dá à vida uma idéia de colheita: você nasce, você cresce e então você é brutalmente eviscerado por uma entidade maior e com armas mais violentas que as suas..." - Dark Harlequin
quinta-feira, 17 de junho de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
Darkness, come tonight! I have no fear of what you hold!
A certeza de se estar fazendo a coisa certa nem sempre é o suficiente.
Entre névoas e brumas, nada pode ser visto com certeza. É por isso que eu temo, que eu penso, que eu me esforço. Cada passo, pode ser em falso. Cada passo em falso, pode ser o último. Não há lugar para fracos ou sensíveis. Os cipós chicoteiam as tuas costas e o vento corta teu rosto. Mesmo assim, eu sigo, solitário. É o meu caminho.
É a minha maldição.
E eu estou pegando ela de volta.
Entre névoas e brumas, nada pode ser visto com certeza. É por isso que eu temo, que eu penso, que eu me esforço. Cada passo, pode ser em falso. Cada passo em falso, pode ser o último. Não há lugar para fracos ou sensíveis. Os cipós chicoteiam as tuas costas e o vento corta teu rosto. Mesmo assim, eu sigo, solitário. É o meu caminho.
É a minha maldição.
E eu estou pegando ela de volta.
sábado, 5 de junho de 2010
Betrayer? In truth I am who has been betrayed...
Faltam palavras.
Faltam palavras, elas fogem de mim.
Raiva, fúria, ódio, desprezo... sutis demais. Indignação, ira, cólera...
Todas são vazias quando ser tratam de descrever como eu me sinto nesse exato momento. Tremo de rancor, de ira. Mal consigo escrever. Fui traído. Violado. Por alguém de minha confiança. Alguém que eu respeitava. Confiava.
AMAVA.
Nem uma naja seria capaz de tal traição. Nem um escorpião.
Somente um humano.
Pois é assim que são: sussurram elogios nos teus ouvidos, colocam joias em teus dedos...
... e cravam facas em tuas costas.
Faltam palavras, elas fogem de mim.
Raiva, fúria, ódio, desprezo... sutis demais. Indignação, ira, cólera...
Todas são vazias quando ser tratam de descrever como eu me sinto nesse exato momento. Tremo de rancor, de ira. Mal consigo escrever. Fui traído. Violado. Por alguém de minha confiança. Alguém que eu respeitava. Confiava.
AMAVA.
Nem uma naja seria capaz de tal traição. Nem um escorpião.
Somente um humano.
Pois é assim que são: sussurram elogios nos teus ouvidos, colocam joias em teus dedos...
... e cravam facas em tuas costas.
domingo, 30 de maio de 2010
The Devil we all know...
É tão impressionante ver o quão anátemas de nós mesmos conseguimos ser. Olhar para trás e ver como se fosse a imagem invertida. Me faz pensar em quanto eu abominava a coisa que eu me tornei; e o quanto eu me divirto sendo quem eu sou agora.
A verdade é que toda mudança ocorre porque temos que deixar uma parte de nós para trás. Sempre é assim, ninguém muda porque tem algo faltando. Não, nós mudamos porque temos coisas em excesso: princípios, dilemas, dúvidas, medos. Conforme caminhamos, não podemos carregar todas essas coisas em frente porque precisamos pegar coisas que aparecem em nosso caminho. E assim, vamos largando-as, deixando um rastro de pedaços de nós mesmos que leva qualquer um que esteja no início da estrada até nós, o que somos hoje. É por isso que somos nossos próprios demônios, e podemos encontrá-los em tudo que vemos.
A verdade é que os acontecimentos recentes dispararam gatilhos que estavam há muito tempo prontos. Foi simplesmente a ocasião, o casus belli que iniciou isso tudo. E tempos de guerra exigem mudanças.
Drásticas.
Desde que eu me encontrei de novo, soube automaticamente que tinha mudado para algo tão novo para mim que tomaria muito tempo até eu me conhecer de novo. Hoje vejo que estava errado, pois para ver quem sou, é simples.
Eu sou o oposto do que eu era antes, em vários aspectos.
E coisas EXATAMENTE opostas, são iguais em módulo.
A verdade é que toda mudança ocorre porque temos que deixar uma parte de nós para trás. Sempre é assim, ninguém muda porque tem algo faltando. Não, nós mudamos porque temos coisas em excesso: princípios, dilemas, dúvidas, medos. Conforme caminhamos, não podemos carregar todas essas coisas em frente porque precisamos pegar coisas que aparecem em nosso caminho. E assim, vamos largando-as, deixando um rastro de pedaços de nós mesmos que leva qualquer um que esteja no início da estrada até nós, o que somos hoje. É por isso que somos nossos próprios demônios, e podemos encontrá-los em tudo que vemos.
A verdade é que os acontecimentos recentes dispararam gatilhos que estavam há muito tempo prontos. Foi simplesmente a ocasião, o casus belli que iniciou isso tudo. E tempos de guerra exigem mudanças.
Drásticas.
Desde que eu me encontrei de novo, soube automaticamente que tinha mudado para algo tão novo para mim que tomaria muito tempo até eu me conhecer de novo. Hoje vejo que estava errado, pois para ver quem sou, é simples.
Eu sou o oposto do que eu era antes, em vários aspectos.
E coisas EXATAMENTE opostas, são iguais em módulo.
terça-feira, 25 de maio de 2010
O Sorriso do Harlequin
As sombras cobrem o mundo
E a lua brilha, esplendorosa
Uma melodia fúnebre ao fundo
Bela e cruel, como o espinho de uma rosa
E o fim traz medo e solidão
E destroi o fio da esperança
Como o pesadelo da destruição
Assola uma inocente criança
E essa aurora negra do fim
Que avassala o brilho da alegria
Também traz a cor do sangue: carmesim
E essa aurora negra do fim
Na qual brilha, triunfante, a apatia
Apagou o sorriso do Harlequin.
E a lua brilha, esplendorosa
Uma melodia fúnebre ao fundo
Bela e cruel, como o espinho de uma rosa
E o fim traz medo e solidão
E destroi o fio da esperança
Como o pesadelo da destruição
Assola uma inocente criança
E essa aurora negra do fim
Que avassala o brilho da alegria
Também traz a cor do sangue: carmesim
E essa aurora negra do fim
Na qual brilha, triunfante, a apatia
Apagou o sorriso do Harlequin.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Décimo quarto dia: A luta selvagem e brutal consumiu tudo que tínhamos. Energias, suprimentos, força de vontade. Tudo. O sangue escorre de nossos corpos e nossos primeiros socorros já acabaram. Estamos longe de nosso bastião e o caminho é longo. Rastejando, encontro alguma coisa na lama. Parecem alguns papeis. Um deles envolto em plástico. Em um deles tem uma foto de alguém. Cabelo cacheado, olho claro. Um rosto quase infantil e com olhar inocente me contempla. Um nome assinado em uma letra desenhada, quase bonita.
Eu, antes disso tudo.
Finalmente, depois de duas semanas de absoluto inferno, eu encontrei a mim mesmo.
Eu, antes disso tudo.
Finalmente, depois de duas semanas de absoluto inferno, eu encontrei a mim mesmo.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Décimo primeiro dia: Começou a tempestade. Os uivos ficaram ainda mais intensos, e é possível ouvir gritos fantasmagóricos daqui de onde estamos. Avançamos em meio à chuva, com a impressão de que jamais voltaríamos. A fumaça começa a cobrir o céu e o verde das árvores já não é tão viçoso. A noite traz um frio cortante e podemos ouvir sussurros ao redor de nosso bastião. É como se eles soubessem onde estamos, mas se alimentassem do nosso desespero. Como se cada lágrima de tristeza fosse a fonte da juventude para essas bestas amaldiçoadas. Os farrapos de roupas são inúteis contra as garras deles, mas nos protegem um pouco do frio e nos separa da selvageria completa. O sol parece não nascer nunca e já são 11 horas da manhã. Mas é sempre noite e escuridão.
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