sexta-feira, 14 de maio de 2010

Décimo quarto dia: A luta selvagem e brutal consumiu tudo que tínhamos. Energias, suprimentos, força de vontade. Tudo. O sangue escorre de nossos corpos e nossos primeiros socorros já acabaram. Estamos longe de nosso bastião e o caminho é longo. Rastejando, encontro alguma coisa na lama. Parecem alguns papeis. Um deles envolto em plástico. Em um deles tem uma foto de alguém. Cabelo cacheado, olho claro. Um rosto quase infantil e com olhar inocente me contempla. Um nome assinado em uma letra desenhada, quase bonita.

Eu, antes disso tudo.

Finalmente, depois de duas semanas de absoluto inferno, eu encontrei a mim mesmo.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Décimo primeiro dia: Começou a tempestade. Os uivos ficaram ainda mais intensos, e é possível ouvir gritos fantasmagóricos daqui de onde estamos. Avançamos em meio à chuva, com a impressão de que jamais voltaríamos. A fumaça começa a cobrir o céu e o verde das árvores já não é tão viçoso. A noite traz um frio cortante e podemos ouvir sussurros ao redor de nosso bastião. É como se eles soubessem onde estamos, mas se alimentassem do nosso desespero. Como se cada lágrima de tristeza fosse a fonte da juventude para essas bestas amaldiçoadas. Os farrapos de roupas são inúteis contra as garras deles, mas nos protegem um pouco do frio e nos separa da selvageria completa. O sol parece não nascer nunca e já são 11 horas da manhã. Mas é sempre noite e escuridão.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Décimo dia: Os uivos estão mais intensos. Éramos muitos e agora somos apenas três. Cada uma de nossas investidas nos custou alguém importante. A esperança se foi, completamente. Continuar lutando é a nossa única opção, mas queremos desistir. Alguns demônios aproximaram-se de nossa casa, mas, a muito custo, conseguimos matá-los antes que a nossa localização fosse dita. Olhamos uns para os outros e vemos apenas medo e desolação. Erguemos um ao outro quando sequer poderíamos nos erguer sozinhos, porque a nossa única esperança jaz nos dois outros guerreiros ao lado. A solidão se abate sobre cada um de nós, mesmo sabendo que há pessoas ao redor. A insanidade é a única companheira em tempo integral e o medo nos ronda como uma besta.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

É o nono dia desde que os portões do Inferno se abriram e vomitaram demônios sobre nós. Reunimos o que conseguimos e fugimos, rumo ao nada e a lugar nenhum. Nos escondemos em uma casa distante, longe da visão deles. Mas eles veem quase tudo e, em pouco tempo, virão atormentar-nos. Temos poucas armas, e as feras do Inferno uivam e rugem ao longe, festejando o banquete de carne. Nosso desespero supera nossa força de vontade e nos faz reagir insanamente. Em meu bolso, apenas minha carteira que foi esvaziada de moedas para ficar leve. Documentos são inúteis agora, assim como números de telefone. Ninguém, ou quase ninguém, está vivo. No entanto, o risco de perdermos nossos valores e nossa essência é grande quando o mundo não nos lembra quem somos. Portanto, em minha carteira, tenho somente 7 objetos.

7 curingas.

7 curingas pretos.

O resto não interessa.

E enquanto engatilho as armas, para mais uma batalha encarniçada ao amanhecer, sorrio em deleite de minha própria maldição e insanidade.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

And it comes to an end, in the winter life falls...

Quão justo é o nosso destino e a nossa sina?

É justo o suficiente para que possamos lutar e cortar ao meio os inúmeros fios de destinos alternativos que constituem as nossas escolhas, mas é injusto o suficiente para que as nossas escolhas não sejam a única coisa que influencia no nosso futuro. Lutamos batalhas inteiras por objetivos mínimos e conquistamos recompensas inimagináveis sem sequer mexermos um dedo. As coisas podem ser tão crueis ou tão boas como quiserem, mas a realidade é muito mais dura e difícil.

Elas são apenas boas o suficiente para nos darem esperança e crueis o suficiente para nunca nos deixarem em paz.

“A lullaby of personalities
Introduce another side of me

A demonic twist of fate

Trying to dominate my hate

Whip my soul and caress my flesh

‘till the whines melody still last

A burning wish, a lechery

There’s a demon in me”

sábado, 10 de abril de 2010

Deus nos odeia: A Morte Térmica do Universo

A morte térmica do Universo consiste no fim das trocas de energia pela inexistência de diferenças de temperatura. Basicamente, consiste na equalização da temperatura da fonte fria (que recebe calor) e a fonte quente (que cede calor).

Mas como isso pode ocorrer?

Não existe geração de uma quantidade de energia a partir de uma quantidade menor. Ou seja, não se pode criar energia a partir do nada. Também não existe nenhuma troca de energia que seja 100% eficiente: a soma total de todos os tipos de energia utilizados em um determinado trabalho S-E-M-P-R-E é maior do que a energia resultante.

Isso nos leva a dois pontos: o primeiro deles é que a energia do Big Bang é a energia total do Universo; o segundo é, que se a soma dos fatores é sempre maior que o produto, um dia o produto vai ser zero e, portanto, o universo vai terminar, pois não existe NADA sem energia.

A expansão do Universo é consequência de uma reação de altíssima liberação de energia, mas em um determinado ponto, essa energia vai acabar. E quando ela acabar, o universo vai começar a encolher.


FONTE: Aulas de "Física para ciências biológicas" na UFRGS.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Estreando: série "Deus nos Odeia"

Os dois conceitos mais básicos, ao redor dos quais foram construídas todas as culturas existentes, são também os mais abstratos de toda a história.

Vida e Morte.

Afinal, o que nos define como seres vivos? A presença de DNA? Se você considerar os vírus seres vivos, então esqueça: os retrovírus não possuem DNA. Se você não considera os vírus seres vivos, esqueça: eles possuem DNA.

A presença de metabolismo é uma das respostas ouvidas com maior confiança: ledo engano. Sabe-se que cristais minerais apresentam metabolismo.

A capacidade de reproduzir-se também não é uma resposta confiável: flocos de neve se reproduzem e não são vivos (espera-se).

A morte, então, é um conceito ainda mais bizarro. Afinal de contas, a morte é "o fim da vida", que, já que não se sabe exatamente o que é, dificulta bastante as coisas.

No entanto, a existência de vida (o que que quer que ela seja e da forma que a conhecemos), é uma condição raríssima no universo. É dependente de inúmeros fatores dos quais podemos numerar pouquíssimos e sem muita convicção.

É também temporária, já que as condições para sua existência não se sustentam para sempre.

A partir de amanhã, iniciarei uma série semanal de postagens sob o título "Deus nos odeia: formas na qual o mundo ou o universo podem acabar". Mas nada profético: todas as possibilidades são cientificamente possíveis (algumas delas, inclusive, são INEVITÁVEIS). Serão alguns paragráfos explicando como ocorreria tal Armagedon.

Espero que gostem ou, pelo menos, achem interessante ;)

See ya.