quarta-feira, 10 de novembro de 2010

COMBO: Hymn to the Broken Legion + Deathmarks II: Wait for an Answer

(Hymn to the Broken Legion representa um monólogo de Orgulho)

No momento em que Guerra me espancava, eu ponderei inúmeras vezes os motivos pelos quais a Legião tinha me deixado. Juramos lealdade, lutamos uns pelas vidas dos outros um número... infinito de vezes. E, no entanto, quando eu estava sendo massacrado por um oponente contra o qual eu não tinha chance, nenhuma pena de Revés, escama de Fúria, pergaminho de Conhecimento, flecha de Mágoa e nem golpe de Inconsequência surgiu para salvar-me. Essa era a Legião? O que diabos tinha acontecido?

A resposta estava na própria pergunta. A Legião foi fundada há milhares de anos. Naquela época, nós éramos os nossos maiores problemas. Conforme nossos poderes, e nós mesmos, fomos crescendo, surgiram problemas novos: a relação entre Conhecimento e Felicidade, o isolamento de Fúria, as reviravoltas de Inconsequência... inúmeros. Nossos problemas aumentaram exponencialmente e, em um determinado momento, não podíamos estar lá uns para os outros. O que aconteceu à Legião não aconteceu à Legião per se.

Aconteceu àqueles que dela faziam parte.

A Legião não existe mais porque nós não temos mais tempo uns para os outros.

E essas palavras cortam minha essência conforme deixam minha boca.


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Deathmarks II: Wait for an Answer

Ergui-me com dificuldade. Guerra já tinha sumido. Apanhei minha Lâmina Eterna e decidi abusar de minha sorte. Já tinha tomado uma surra, outra não iria doer tanto. Eu precisava de alguém com a resposta para as minhas perguntas, alguém que pudesse me explicar COMO eu poderia matar um maldito Anátema... alguém antigo, que detivesse poder.

Eu precisava de Conhecimento.

O grande problema é que Conhecimento tinha se tornado um pouco hostil comigo. Mas, no máximo eu tomaria outra surra, mesmo.

Abri minhas asas e então voei até onde eu senti que ele estava. Não era muito longe para mim, mas demoraria quase um dia para os aviões humanos.

Pousei em sua frente e logo vi que a moça ao lado dele fugiu. Maldita Felicidade que não podia me ver sem ir embora.

-Orgulho. Você espantou minha visita.-disse Conhecimento.

-Eu não fiz nada, ela não suporta minha presença. Conhecimento, preciso de sua ajuda. Guerra me persegue.-disse eu.

-Você faz a guerra, Orgulho.- disse ele.- É por isso que o quero longe de mim por uns tempos.

-Não. O Cavaleiro Guerra me persegue. A morte de Esperança criou...- comecei, mas fui interrompido.

-Uma Terra Desolada. Sim, eu sei disso.

-Guerra quer que eu destrua o Anátema. Como posso fazer isso? Existe algo nos Contos Esquecidos Por Todos... exceto por você?

Conhecimento ponderou.

-Lil'Siztah.-disse ele.

-A dançarina dos túmulos.-respondi.-Ela é capaz de tamanha façanha.

-Você não faz ideia. Mas ela vai querer algo em troca. Dê algo valoroso, ou ela vai tomá-lo de você. O poder jaz nas mãos dela; a oportunidade, na sua. E desapareça agora, Orgulho. Sua presença não é mais bem-vinda.

-Obrigado, Conhecimento.

Para a prisão.
Depois para o cemitério.
E, por fim, para o Anátema.

De volta, do/para o Inferno...

Surgem no horizonte hostes de querubins caídos, com uma música conhecida nos lábios... meu bom e velho hino:

"Helena, you came to me
When seemingly life had begun
Little did I know, then
Where this would go when this begun

Once I was free to fly
I didn't promise anything
This may well be goodbye

Don't ask why
Don't be sad
Sometimes we all must alter paths we planned
Only try to understand
I want to save you from the Lost and Damned

Although you hold me close
I feel retention arise
Just as a hint of fear like subtle clouds
In summer skies

Once in the moonlight
I can't explain
And I don't know, somehow we may reunite

Don't ask why
Don't be sad
Sometimes we all must alter paths we planned
Don't forget what we had
But let me save you from the Lost and Damned

Love means nothing to me... if there's a higher place to be...

Helena, don't you cry!
Believe me, I do this for you!
Hear my decision know
I will be gone tomorrow noon

My tale has just begun
Nothing can take my faith away
In my quest for the sun

Don't ask why
Don't be sad
Sometimes we all must alter paths we planned
Only try to understand
I want to save you from the Lost and Damned

Don't ask why
Don't be sad
Sometimes we all must alter paths we planned
Leave me behind, don't look back!
'Cause deep within you know I'm Lost and Damned!"

E, com um sorriso mórbido no rosto, eu sigo meu "doce" e pútrido caminho, cantarolando a melodia enquanto os anjos do inferno liberam suas vozes abissais em meus ouvidos...

Deathmarks I: Death is Just a Feeling

Se eu já tinha me envolvido em qualquer problema na minha vida, não era nada comparado a esse.

O décimo quinto, ou sexto, ou nono, ou vigésimo (...) soco acertou meu rosto. Minha Lâmina estava longe de meu alcance, mas meu inimigo tinha sua arma próxima a seu corpo. Eu esperava que ele fosse me matar: de fato, eu estava contando com isso.

-Você simplesmente não reconhece as consequências de suas atitudes, Eterno, e agora EU tenho que descer para lhe dar uma lição. Espero que você esteja aprendendo alguma coisa.

Não respondi. Na verdade, eu duvido que consiga ficar de pé. Não era uma luta para mim; não sei se era uma luta para qualquer coisa que existe. Eu estava enfrentando -ou melhor, sendo espancado por- um dos inimigos mais poderosos que existem.

Guerra, o Cavaleiro do Apocalipse. Era uma entidade alta para um humano, e eu sei que ele certamente nunca foi um, e vestia uma armadura pesadíssima. Brandia uma espada grande com as duas mãos e a lâmina da arma era incandescente. Eu não tinha sequer lhe acertado um golpe. Na realidade, eu provavelmente nem tentei.

-O que isso lhe interessa, Cavaleiro? Porque você me pune por ter criado uma Terra Desolada?- perguntei.

-Seu idiota!-disse ele, chutando meu rosto.-Você fortalece os Anátemas. Eu e você sabemos que isso é ruim para nós, mas VOCÊ vai descobrir que isso é muito pior para você.

-O que você quer dizer?-perguntei, agonizante.

-Quero dizer que você vai destruí-lo.

-COMO?

Pisão na cara.

-Modere seu tom, Eterno. Seja criativo, Orgulho. Se seus poderes forem equiparáveis à sua estupidez, talvez você consiga resolver isso com apenas um dos braços. Do contrário, pense. Eu confio que sua vontade de continuar existindo vá lhe servir de estrela-guia nesse mar de idiotice que você resolveu nadar.

Merda. Um Anátema está para nós assim como os lobisomens estão para os lobos. Sim, eles são um pouco do que somos: mas também são muito mais do que nós provavelmente conseguiríamos ser um dia. Eu não tenho muita certeza em qual luta será pior: Guerra ou o maldito Anátema da Terra Desolada que eu criei com minha vingança pessoal.

-Então, Orgulho: dê um jeito. Faça da forma que achar melhor, eu não me importo. Mas faça isso. Desista e não existirás por tempo suficiente para me ver fazendo o seu trabalho. Falhe e eu estarei aqui esperando quando você voltar. Somente o sucesso lhe salvará.

Ótimo. A Legião se desfez; Revés converteu-se em um psicopata insano que eu fui obrigado a matar; e agora Guerra está me dando uma sentença de morte.

Como diabos isso pode piorar?

Diabos, não sei se quero saber.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Deathmarks: Intro

A morte é uma coisa tão... esquisita.

Até mesmo para nós, a quem ela nunca realmente chega, a morte é um mistério. Ela mantém as coisas como parte do ciclo, devolve o que foi investido para que algo surja. Nós nunca realmente morremos, mas isso não nos faz menos parte do ciclo.

Quando você mata pela primeira vez alguém de sua própria espécie, a sensação é muito confusa. Mesmo eu sabendo que aqueles que eu mato irão voltar, um dia, não posso deixar de sentir culpa por derrotá-los: afinal de contas, somos semelhantes. Mesmo quando todo o ódio, a raiva e o desprezo sobem à cabeça, depois que você faz uma alma dissolver-se, o componente restante é sempre o mesmo:

Culpa.

Mas eu mal sabia que a minha culpa era o menor de meus problemas no momento em que, há poucos meses atrás, matei Esperança - pela segunda vez. Por mais que eu a detestasse, a Esperança É parte das tidas como "boas emoções". Eu não entendia como e desacreditava. Mas agora eu acredito.

A morte de Esperança devastou o mundo espiritual e transformou uma área gigantesca em uma ferida pulsante de emoções negativas. Um verdadeiro chamariz para espíritos, demônios e todo o resto da corja que segue esses trastes. No centro dela, eu sabia que encontraria um espírito maligno mais antigo e poderoso do que qualquer coisa que eu poderia imaginar.

Um espírito que nós conhecemos como Anátema.

Pior de tudo: sou eu quem vai ter que limpar a bagunça.
Ainda pior que isso: só tem UM jeito de fazer isso.

Algumas cabeças vão rolar.
Muito provavelmente, a minha inclusa.

sábado, 6 de novembro de 2010

... But my words mean nothing...

No fim das contas, meu blog acabou virando um livro de contos. Mas não é isso o que eu queria, desde o início.

Mas eu acredito que, como todas as pessoas, eu funciono em fases. Uma fase de poesia (coisa que eu dificilmente consigo fazer agora), uma fase de textos... e agora uma de contos. Contos do meu jeito: sombrios, sangrentos, obscuros. É a minha forma de escrever agora e espero que ela dure o suficiente para eu não me desapontar.

Eu fico pensando, às vezes, nas situações pelas quais eu venho passando e no que eu venho sentindo. Os mesmos "bons e velhos" sentimentos: dor, culpa, arrependimento, alívio. Meus 4 Cavaleiros do Apocalipse. Um quebra, o outro esmaga, o terceiro pulveriza e o último mistura a poeira na água e evapora. E o que sobra dessa porra toda: eu.

Um pequeno interlúdio entre a Leaves' Symphony e a próxima série de postagens. Uma pequena postagem de alguém que adoraria conseguir escrever um texto como os meus anteriores.

Segundo um personagem do Retrato (cujo nome eu não lembro porque faz uns 5 anos que eu li aquela bagaça), existe uma obra-prima na vida de cada artista e, a partir daí, ele só piora. Infelizmente, acho que minha obra-prima já foi escrita. E isso me entristece, porque eu gosto do que eu escrevo (até porque, se eu não gostasse, eu não publicaria para todos verem... qualquer coisa minha que não passe pela minha aprovação não é digno de ser lido).

É isso... uma confissão sincera de uma pessoa exausta.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Esclarecimento

Já que 50% dos leitores do blog sofreram uma pequena confusão na postagem abaixo, vou dar uma explicação sutil:

-As partes compreendidas acima do trecho marcado com "~~~~~" referem-se à época atual (depois dos eventos ocorridos em Shadowlord)

-As partes compreendidas ABAIXO desse trecho, referem-se ao início dos tempos - o surgimento dos Eternos - e, portanto, são milhares de anos ANTES de Shadowlord.

Na parte III(Dead Leaves), somente o primeiro trecho acima de "~~~~~~" refere-se ao presente. A conversa entre Esperança e Fanatismo já faz parte do passado da história.

Não se esqueçam de comer os vegetais para crescerem fortes e de lerem o spin-off dessa bagaça em www.sweehe.wordpress.com

Obrigado aos outros 50% que também leram.

Leaves' Symphony Final: Fallen Leaves Waltz II

Durante muito tempo, aquela Legião, a verdadeira, foi tudo com o que eu pude contar. Eram meus amigos, irmãos, companheiros e tudo que se espera daqueles que confiam a sua vida um ao outro. As consequências daquela batalha marcaram os Eternos de tal forma que nós ainda somos lembrados por alguns como traidores do próprio povo.

Claro que nenhum deles nunca ousou dizer isso em minha frente ou na de qualquer um de nós seis.

Aqueles tempos, sim, eram tempos bons. Tempos onde a união era tudo que restava, sem esperança - nem o sentimento e nem o Eterno, que eu matei duas vezes -, sem preocupações. O tempo passava e a Legião permanecia, tão eterna quanto suas partes.

A Legião era essencial.

A Legião não existe mais.

E, diabos, como eu preciso dela.
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Das sombras eu surgi, próximo ao local onde eu sabia que Fanatismo estava. Não quis me esconder, caminhei reto em direção a ele. Olhei ao redor de mim. Outros quatro Eternos estavam ao meu redor. Inveja, Ciúmes, Verdade e Serenidade. A minha presença preocupou aos cinco.

A deles não me causou sequer uma ruga na testa.

Eles eram todos fortes, sim. Mas não eram guerreiros, eram negociadores.

-Fanatismo. Eu vim por sua cabeça.-disse eu.-Vocês vão tentar me impedir?

Inveja, sempre ela, mordeu a isca. No fundo, eu sabia que ela só queria a atenção dos outros. Ela correu em minha direção e sacou sua Lâmina, curva e espinhosa. Mas eu estava pronto. Um tentáculo de sombras segurou um de seus braços. Eu segurei o outro.

E a minha mão que sobrou enterrou minha Lâmina em seu peito.

Os outros três atacaram, mas era cedo demais para eles. Um raio de sombras projetou-se de minha mão e atirou Ciúmes longe. Verdade tentou atacar-me, mas desarmei-a e então a atirei longe de mim. Serenidade ficou em minha frente e eu a degolei.

Ciúmes tentou revidar o golpe quando se aproximou, mas eu fui mais rápido (de novo). Segurei-o pelo pescoço e então ergui-o acima da cabeça e cravei minha Lâmina. Atirei o cadáver no chão e então golpeei a cabeça de Verdade com minha Lâmina.

Fácil demais.

-Fanatismo.-disse eu.-Agora é sua vez.

-Sim, Orgulho.-respondeu ele.-Vou finalmente ter o prazer de livrar-me de você.

Ele avançou em minha direção, sua lâmina gigantesca girando como um redemoinho. Seu primeiro golpe acertou o chão, criando uma rachadura enorme. Eu esquivei-me e então chutei seu rosto. Ele reagiu ao chute com um soco, que me arremessou longe. Rápido como um raio, ele me alcançou e me acertou mais quatro ou cinco socos. A dor era excruciante, mas eu estava ali por um motivo. E não ia desistir fácil.

A Lâmina enorme de Fanatismo tentou acertar-me de novo, mas o golpe passou longe. Ignorei os socos que estava recebendo e então arranquei suas mãos. Era o único jeito de fazer aquele desgraçado parar de reagir. Guardei minha Lâmina na bainha e então comecei a socar o rosto dele.

Perdi as contas de quantas vezes eu amassei a cabeça de Fanatismo com as minhas mãos. Não tinha problema, para mim, eu não iria cansar. Esperei até que ele estivesse quase morto e então absorvi suas energias. Não o suficiente para absorver seus aspectos, mas o suficiente para deixá-lo incapaz de recuperar-se tão cedo. E então voei até o meio da batalha, carregando o quase cadáver de Fanatismo.

Meu pouso trouxe a atenção de quase todos, mas meu chamado completou o serviço.

-ETERNOS!-disse eu.-CÁ ESTOU EU, COM O LÍDER DA FALSA LEGIÃO!

Todos me olharam. Cravei minha Lâmina em Fanatismo, para que morresse.

-Vocês falharam. A falsa legião, que vocês formaram, a falsa aliança sem a menor união: está desfeita. A união triunfou. A aliança motivada triunfou. Agora deixem a verdadeira Legião dos Eternos em paz.

A guerra.
A maldita guerra.
Chegou ao fim.