-Como posso saber que você não vai ordenar que suas formigas tentem me morder depois de eu lhe entregar a Lança?-perguntei.
-Porque, ao contrário de você, eu sou honrado.
-Se tem algo que descobri em minha vida, foi que anjos honrados tem dois fins: ou caem, ou morrem. Se você ainda é celestial, é porque põe sua honra abaixo de seu dever. Eu não vou arriscar tanto em nome da sua honra.
Aquilo irritou Gabriel profundamente, mas vi que ele se conteve. Aquilo era um jogo de xadrez com peças capazes de matar umas às outras mais rápido do que seria saudável. Eu estava muito mais poderoso do que eu era quando me deparei com ele pela primeira vez, mas Gabriel tinha a vantagem diplomática de estar com Revés. Um erro dele e eu acharia um jeito de salvar Revés e então chaciná-los. Um erro meu e ele mataria Revés.
-Façamos assim. Você crava a Lança na exata metade do caminho e então eu liberto Revés.-disse Gabriel.
-Se você hesitar, que seja por um segundo... eu juro...
Fiz o que ele disse, percorri metade do caminho e cravei a ponta de lança no chão. Aquilo era exatamente como lidar com os explosivos que os humanos faziam. Um erro, por mais banal que fosse, e estava tudo destruído. E não iria ser nem um pouco agradável.
Recuei pacientemente, e então ouvi Gabriel dizer alguma coisa na direção de Revés. As correntes se soltaram e então meu irmão esticou as mãos. O anjo caminhou até a Lança e então tirou-a do chão.
-Foi um prazer negociar com você, Orgulho.
-Desapareça.
Gabriel, bem como seu séquito de idiotas, sumiu.
-Orgulho.
-Revés.
Por um momento, rimos. De novo, como já era de costume, o destino nos trazia de volta para o campo de batalha.
-Será que haverá um dia em que finalmente teremos paz, irmão?-perguntei.
-Talvez... mas acho que você não vai aguentar muito tempo sem estragar tudo.-disse ele, ainda rindo.
"Acho que a Foice como instrumento da morte dá à vida uma idéia de colheita: você nasce, você cresce e então você é brutalmente eviscerado por uma entidade maior e com armas mais violentas que as suas..." - Dark Harlequin
sexta-feira, 20 de julho de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
A trick of Fate, about Misfortune and Destiny
Terminou, mas é uma sensação estranha.
Quase como se eu tivesse perdido uma parte de mim.
A parte que desejava vingança.
Abri minhas asas e então esperei enquanto abria meu portal para fora daquela dimensão tenebrosa. A morte de Peste significava um cavaleiro a menos em meu objetivo, mas eu ainda teria que enfrentar outros três. Fome, Guerra e Morte. Talvez eu devesse começar por Guerra... seria o inimigo mais óbvio.
Meu plano era simples: se eu matasse os Cavaleiros, eu cessaria a sua influência sobre a Terra. Eles surgiram como ferramentas para o fim do mundo, mas seu poder cresceu e eles decidiram tramá-lo. Existem muitas coisas que eu odeio na existência, mas eu quero poder continuar odiando-as. O fim do mundo não era uma perspectiva agradável, e, aparentemente, eram poucos os que sabiam que estávamos nos aproximando dele.
Ouvi um farfalhar de asas tão logo eu voltei para o mundo físico. Sorri.
Anjos. Eu adoro anjos. Especialmente quando mortos.
-O que você fez, Eterno?-perguntou o líder da falange, Gabriel.
-Não é da sua conta, pomba.-respondi.-Desapareça do meu caminho.
-Ah, certamente é da minha conta. Sabe, eu não costumo me irritar com as suas atitudes, Senhor das Sombras. Pelo contrário, acho engraçada a forma como você lida com seus problemas. Você tornou-se uma besta completamente incapaz de prever suas consequências...
-Se eu ouvir mais uma nota em sua voz que me desagrade, terão sido as suas últimas palavras. Eu não preciso ouvir absurdos de uma criatura cuja única função é ser enchimento de travesseiro. Lucifer não me enfrentou: não me faça rir de você.
-Se eu estalar meus dedos, uma falange inteira estará aqui antes de você piscar.
-Se eu estalar os meus, sua falange inteira estará morta antes de pisar no chão.
Ele estalou os dedos. Eu saquei minha arma.
Mas ao invés de uma falange inteira aparecer, somente uma criatura apareceu. Uma criatura corvídea que eu instantaneamente reconheci como meu irmão. Revés. Seus braços estavam presos por uma corrente de aspecto antigo, mas eu sabia o que ela realmente era. As Correntes de Asmodeus só podem ser soltas por quem as prendeu.
-REVÉS!-berrei.-Eu espero que você tenha um plano de escape, porque...
E então apareceu a tal falange. Desgraçado.
-Sim, você talvez consiga me matar e matar todos nós, mas... esses anjos estão dispostos a ignorá-lo para matar Revés. Então, eu sugiro que você pense bem nas suas atitudes.
Olhei ao redor. Eram trinta ou quarenta... talvez levasse uns três minutos. Droga, não é suficiente.
-O que você quer?
-O que mais seria, Senhor das Sombras... nós trocaremos seu irmão pela Lança do Destino.
Quase como se eu tivesse perdido uma parte de mim.
A parte que desejava vingança.
Abri minhas asas e então esperei enquanto abria meu portal para fora daquela dimensão tenebrosa. A morte de Peste significava um cavaleiro a menos em meu objetivo, mas eu ainda teria que enfrentar outros três. Fome, Guerra e Morte. Talvez eu devesse começar por Guerra... seria o inimigo mais óbvio.
Meu plano era simples: se eu matasse os Cavaleiros, eu cessaria a sua influência sobre a Terra. Eles surgiram como ferramentas para o fim do mundo, mas seu poder cresceu e eles decidiram tramá-lo. Existem muitas coisas que eu odeio na existência, mas eu quero poder continuar odiando-as. O fim do mundo não era uma perspectiva agradável, e, aparentemente, eram poucos os que sabiam que estávamos nos aproximando dele.
Ouvi um farfalhar de asas tão logo eu voltei para o mundo físico. Sorri.
Anjos. Eu adoro anjos. Especialmente quando mortos.
-O que você fez, Eterno?-perguntou o líder da falange, Gabriel.
-Não é da sua conta, pomba.-respondi.-Desapareça do meu caminho.
-Ah, certamente é da minha conta. Sabe, eu não costumo me irritar com as suas atitudes, Senhor das Sombras. Pelo contrário, acho engraçada a forma como você lida com seus problemas. Você tornou-se uma besta completamente incapaz de prever suas consequências...
-Se eu ouvir mais uma nota em sua voz que me desagrade, terão sido as suas últimas palavras. Eu não preciso ouvir absurdos de uma criatura cuja única função é ser enchimento de travesseiro. Lucifer não me enfrentou: não me faça rir de você.
-Se eu estalar meus dedos, uma falange inteira estará aqui antes de você piscar.
-Se eu estalar os meus, sua falange inteira estará morta antes de pisar no chão.
Ele estalou os dedos. Eu saquei minha arma.
Mas ao invés de uma falange inteira aparecer, somente uma criatura apareceu. Uma criatura corvídea que eu instantaneamente reconheci como meu irmão. Revés. Seus braços estavam presos por uma corrente de aspecto antigo, mas eu sabia o que ela realmente era. As Correntes de Asmodeus só podem ser soltas por quem as prendeu.
-REVÉS!-berrei.-Eu espero que você tenha um plano de escape, porque...
E então apareceu a tal falange. Desgraçado.
-Sim, você talvez consiga me matar e matar todos nós, mas... esses anjos estão dispostos a ignorá-lo para matar Revés. Então, eu sugiro que você pense bem nas suas atitudes.
Olhei ao redor. Eram trinta ou quarenta... talvez levasse uns três minutos. Droga, não é suficiente.
-O que você quer?
-O que mais seria, Senhor das Sombras... nós trocaremos seu irmão pela Lança do Destino.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Pandora's Box and the End of the Eternity
-Você não ousaria, Esperança.- vociferei.
-Eu não ousaria? Você enlouqueceu, Orgulho! O que você se tornou?-disse ela.
-EU ERA UM GUERREIRO, ESPERANÇA! A SUA TRAIÇÃO FEZ DE MIM UM ASSASSINO!
-Eu não lhe forcei a nada, Orgulho.
-Mentira. Você me forçou, sim. Você me forçou a matar para viver. Você era quem eu tinha, Esperança, era em você que eu confiava! Mas você optou por se vender para Fanatismo...
-Não ouse falar comigo desse jeito, Senhor das Sombras. Eu já ouvi o suficiente de você.
-Ah, não. Você não ouviu nem metade... Você é a mais podre dentre todos os Eternos, Esperança. Você é a representação de tudo que nós não deveríamos ser... o que você trouxe para a nossa raça?
-E o que VOCÊ trouxe, Orgulho? Morte, destruição?
-Eu trouxe ordem. Eu nos juntei no momento em que era necessário e nos separei quando era o que tinha que ser feito. Eu fiz mais pelos Eternos do que você fez por qualquer entidade nesse planeta. Você nunca deveria ter saído dessa caixa.
-Eu trouxe luz pra esse mundo, Orgulho. Os deuses quiseram que eu fosse liberta.
-Sim, você trouxe luz para o mundo. Mas você sempre se esqueceu que não existem sombras quando não existe a luz. Você pode ter trazido um pouco de luz... mas só o que fez foi trazer à tona as trevas.
Esperança largou a Caixa de Pandora. Ela puxou seu sabre, e minha Lâmina desapareceu da bainha para aparecer em minhas mãos.
-Lutaremos de novo? Você sabe como isso acabou da última vez.
- Dessa vez, será diferente. Aquele que for derrotado, volta para a Caixa. Você concorda?
-Sim.
Esperei Esperança atacar. Não vou correr riscos: cheguei longe demais para jogar limpo contra uma entidade como ela. Ela teve inúmeras chances de se redimir, e tudo que fez foi afundar mais. Era a hora de dar um fim nela.
Tão logo ela me atacou, eu fui em direção à Caixa. Minhas mãos fecharam-se sobre ela e então eu abri a tampa. Proferi o encantamento tão rápido quanto pude, e nunca esquecerei a expressão de Esperança quando ela foi presa de novo:
"Pelo sol que brilha acima de nós
E como guardião do artefato de Elêusis
Eu, Orgulho, declaro que sou
Capaz de desfazer a vontade dos Deuses
Se, no mundo, há de haver a justiça
Que seja, sua arma, a vingança
E por meu poder, sob os olhos do universo,
Declaro aqui o fim da Eterna, Esperança."
Explosão.
Senti o universo tremer aos meus pés e minhas mãos queimaram. O que eu tinha feito era mais do que simplesmente matá-la. A caixa de Pandora era o único artefato conhecido até hoje que era capaz de destruir plenamente um Eterno. Ela foi criada para conter-nos, e os deuses levaram milhares de anos para prender cada um dos Eternos que estiveram naquela caixa. Quando Pandora abriu a caixa, ela os libertou no mundo, e eles queriam vingança. Esperança, no entanto, só foi libertada muito depois... e sua libertação teve consequências que fizeram os Mares do Destino correrem no sentido contrário.
Mas agora não mudava mais nada.
Ela estava destruída.
Para sempre.
-Eu não ousaria? Você enlouqueceu, Orgulho! O que você se tornou?-disse ela.
-EU ERA UM GUERREIRO, ESPERANÇA! A SUA TRAIÇÃO FEZ DE MIM UM ASSASSINO!
-Eu não lhe forcei a nada, Orgulho.
-Mentira. Você me forçou, sim. Você me forçou a matar para viver. Você era quem eu tinha, Esperança, era em você que eu confiava! Mas você optou por se vender para Fanatismo...
-Não ouse falar comigo desse jeito, Senhor das Sombras. Eu já ouvi o suficiente de você.
-Ah, não. Você não ouviu nem metade... Você é a mais podre dentre todos os Eternos, Esperança. Você é a representação de tudo que nós não deveríamos ser... o que você trouxe para a nossa raça?
-E o que VOCÊ trouxe, Orgulho? Morte, destruição?
-Eu trouxe ordem. Eu nos juntei no momento em que era necessário e nos separei quando era o que tinha que ser feito. Eu fiz mais pelos Eternos do que você fez por qualquer entidade nesse planeta. Você nunca deveria ter saído dessa caixa.
-Eu trouxe luz pra esse mundo, Orgulho. Os deuses quiseram que eu fosse liberta.
-Sim, você trouxe luz para o mundo. Mas você sempre se esqueceu que não existem sombras quando não existe a luz. Você pode ter trazido um pouco de luz... mas só o que fez foi trazer à tona as trevas.
Esperança largou a Caixa de Pandora. Ela puxou seu sabre, e minha Lâmina desapareceu da bainha para aparecer em minhas mãos.
-Lutaremos de novo? Você sabe como isso acabou da última vez.
- Dessa vez, será diferente. Aquele que for derrotado, volta para a Caixa. Você concorda?
-Sim.
Esperei Esperança atacar. Não vou correr riscos: cheguei longe demais para jogar limpo contra uma entidade como ela. Ela teve inúmeras chances de se redimir, e tudo que fez foi afundar mais. Era a hora de dar um fim nela.
Tão logo ela me atacou, eu fui em direção à Caixa. Minhas mãos fecharam-se sobre ela e então eu abri a tampa. Proferi o encantamento tão rápido quanto pude, e nunca esquecerei a expressão de Esperança quando ela foi presa de novo:
"Pelo sol que brilha acima de nós
E como guardião do artefato de Elêusis
Eu, Orgulho, declaro que sou
Capaz de desfazer a vontade dos Deuses
Se, no mundo, há de haver a justiça
Que seja, sua arma, a vingança
E por meu poder, sob os olhos do universo,
Declaro aqui o fim da Eterna, Esperança."
Explosão.
Senti o universo tremer aos meus pés e minhas mãos queimaram. O que eu tinha feito era mais do que simplesmente matá-la. A caixa de Pandora era o único artefato conhecido até hoje que era capaz de destruir plenamente um Eterno. Ela foi criada para conter-nos, e os deuses levaram milhares de anos para prender cada um dos Eternos que estiveram naquela caixa. Quando Pandora abriu a caixa, ela os libertou no mundo, e eles queriam vingança. Esperança, no entanto, só foi libertada muito depois... e sua libertação teve consequências que fizeram os Mares do Destino correrem no sentido contrário.
Mas agora não mudava mais nada.
Ela estava destruída.
Para sempre.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Cross my Heart... and Hope to Die!
Eu vi civilizações surgirem e desaparecerem quando aquela lâmina fez verter o sangue de uma divindade.
O primeiro, dentre os quatro, tinha me custado muito. Recuperar a Lança do Destino tinha sido arriscado, e eu certamente não teria conseguido sem ela. Ainda não entendo como consegui pegá-la de seu antigo dono...
-Sabe o que é mais engraçado nisso tudo, Peste? Eu conheci inúmeras entidades que nasceram como mortais e se eternizaram como deuses... Mas você é o primeiro que eu vejo nascer eterno... e agora morrer como um simples mortal.
-Ah, Orgulho... A minha morte trará um futuro mais sombrio do que a mais sombria de suas perspectivas.- respondeu o Cavaleiro moribundo.
-Eu bebi a água do Mar do Destino. Eu conheço o futuro.
Ele gargalhou.
-Nossa, nunca pensei em fazer isso. Eu seria imortal se fizesse... você é mais tolo do que parecia, Orgulho. Você matou uma divindade, uma entidade que faz parte do equilíbrio desse mundo... e a partir de agora, você colherá o que está semeando.
-Suas ameaças são vazias, Peste.
-Não... vazias são as suas esperanças.
Desgraçado. Esperança, como eu pude esquecer dela?
-E por falar nela...-riu Peste.
-Eu já vi você fazer coisas idiotas, Orgulho... mas talvez eu não tenha usado força o suficiente.-disse Esperança.
Matar Peste utilizando a arma mais poderosa que existe foi difícil. Está certo... eu absorvi Lil'Siztah e tenho praticamente os poderes de uma divindade. Mas eu nunca gostei de enfrentar Esperança.
-Você ousa me enfrentar, mesmo sabendo que o poder de um deus agora me pertence?
E foi somente quando eu olhei para Esperança que entendi o quão ferrado eu estava... nas mãos dela, não tinha arma nenhuma. Ela não estava ali para me matar.
Nas mãos dela, somente um pequeno baú.
No rosto, um largo sorriso.
A Caixa de Pandora... diabos, como eu esqueci disso?
quinta-feira, 24 de maio de 2012
"Quando eu percebi, eu estava coberto de sangue..."
Não me recordo exatamente como tudo se sucedeu. Lembro que eles apareceram e me cercaram... deveriam ser uns cinquenta ou sessenta. Apontavam para mim, parte me acusando, parte zombando de mim. Eu não nasci para aguentar isso.
As emoções toscas e sem contrapontos rodopiavam dentro de mim, urrando para serem liberadas. Mas não, não era isso que eu queria. Minha vida inteira eu fui preparado para enfrentar situações como essa... entretanto, teoria é teoria e prática é prática. E, na prática, tudo é bem mais complicado.
Meu sangue fervia de raiva, toda a raiva do mundo. A primeira pedra que me acertou foi um incentivo a jogarem outras. Os bastardos riam de mim. Eu era uma aberração, um monstro. Adultos, velhos, crianças: eu era uma piada universal. Meu espírito sussurrava docemente "libere suas emoções, somente por um segundo...". Não, não, não...
Antigamente, eram multidões enlouquecidas com tochas e foices. Agora, são pessoas com as câmeras de seus celulares e seus olhares maldosos. Sempre foi assim: nunca tive um amigo de verdade. Tive algumas pessoas que tinham pena de mim, mas ninguém nunca sentiu compaixão. Tudo é muito intenso e eu resolvi deixar a fúria escoar, só por um segundo...
Quando eu percebi, eu já estava coberto de sangue.
Mas daí eu não podia mais parar."
As emoções toscas e sem contrapontos rodopiavam dentro de mim, urrando para serem liberadas. Mas não, não era isso que eu queria. Minha vida inteira eu fui preparado para enfrentar situações como essa... entretanto, teoria é teoria e prática é prática. E, na prática, tudo é bem mais complicado.
Meu sangue fervia de raiva, toda a raiva do mundo. A primeira pedra que me acertou foi um incentivo a jogarem outras. Os bastardos riam de mim. Eu era uma aberração, um monstro. Adultos, velhos, crianças: eu era uma piada universal. Meu espírito sussurrava docemente "libere suas emoções, somente por um segundo...". Não, não, não...
Antigamente, eram multidões enlouquecidas com tochas e foices. Agora, são pessoas com as câmeras de seus celulares e seus olhares maldosos. Sempre foi assim: nunca tive um amigo de verdade. Tive algumas pessoas que tinham pena de mim, mas ninguém nunca sentiu compaixão. Tudo é muito intenso e eu resolvi deixar a fúria escoar, só por um segundo...
Quando eu percebi, eu já estava coberto de sangue.
Mas daí eu não podia mais parar."
terça-feira, 24 de abril de 2012
These are the wizard's last holy sights... The Wizard's Last Rhymes!
“Se você encontrou essas páginas
e não fui eu que lhe entreguei-as, então eu recomendo que você não as leia. Se
você encontrou correntes com elas, então leia e saiba que você já está
amaldiçoado.
E eu já estou morto.
E eu já estou morto.
Enquanto as escrevo, vomito
sangue pelo menos duas vezes por hora. Minha pele enche-se de marcas, símbolos,
estigmas. A íris de meus olhos já tornou-se vermelha e a esclerótica, que os
leigos chamam de “branco do olho”, já está preta. Meu corpo entra em colapso
pelo uso extremo de magia, e meus sucessivos cortes para transformar meu sangue
no combustível de minhas magias só aceleraram esse processo.
Morro carregando o legado dos
Della Rey. E por mais debilitado que eu esteja, tenho certeza que ninguém virá
me matar. Esses são meus únicos momentos de paz. Um whiskey barato e uma
carteira de cigarro estão em minha mesa enquanto escrevo. No momento de minha
morte, é que minha mente nubla. Faltam palavras pra descrever o que sinto...
... porque eu falhei.
Sim, falhei. Ninguém pôs as mãos
nessas correntes, e muitos tentaram. Mas meu corpo apodrecerá e não poderei
mais defendê-las. Irônico como eu literalmente dei a vida para protegê-las.
Sobre minha irmã... eu cometi um
erro atrás do outro até que, finalmente, um dos dois teve que pagar. E foi ela.
Não estava na minha capacidade evitar, era lógico. Era tão lógico que eu,
sinceramente, não acredito que não percebi antes. Minha irmã pagou com a vida.
Sobre Augustus... ele foi um
idiota. Eu jamais poderia ter protegido-o, mas eu poderia ter tentado se ele
tivesse sido honesto sobre suas origens. Talvez um dia, se eu conseguir
resolver minha situação como alma, eu tente resgatá-lo... quem sabe para
matá-lo por sua estupidez.
Sobre o diácono... sim, talvez eu
tenha traído-o. Mas ele arriscou minha vida ao invadir minha casa e fazer dela sua
base de operações. Ele me devia, e eu devia para Smaphael. O protocolo era
óbvio.
Sobre Deborah... talvez a única
coisa que eu realmente pudesse ter mudado, mas ela cavou a sua própria cova.
Tudo que eu fiz foi empurrá-la pra dentro.
Meus dias como humano na Terra
terminam e, sinceramente, eu sequer irei sentir falta. Os dias tormentosos e as
noites mal dormidas. As batalhas contra demônios tão profanos que a própria
Terra urrava de dor com sua presença.
Nenhuma história de amor com uma
anja.
Nenhum anjo rebelde que caiu para
me ajudar.
Nenhum irmão que esteve comigo
incondicionalmente.
Essa é a história de um
verdadeiro caçador de demônios.
E, agora, ela termina.”
-Encontrado, transcrito e publicado por Stride Sinkiller.
-Encontrado, transcrito e publicado por Stride Sinkiller.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Let the Rain
Bom, tem várias pessoas pra quem eu disse que ia escrever e, recentemente, os pedidos de algumas se mostraram mais viáveis do que os de outras. O pedido de minha mais recentemente adquirida irmã, por exemplo, foi quase visionário. Nada mais justo, então, do que escrever a postagem à pedido de minha nee-chan, Sarah.
O céus se fecham e então eu sinto que os portões vão se abrir.
"As lágrimas vieram aos meus olhos como uma chuva violentíssima quando o coração de minha irmã deu sua última batida.
O céus se fecham e então eu sinto que os portões vão se abrir.
E a voz de minha irmã ressoa em minha cabeça dizendo: "deixe a chuva".
Mas não.
A morte de minha irmã foi um golpe baixíssimo do Destino em minha vida. Injusto com ela, talvez merecido por mim. Mas ela definitivamente não merecia morrer, não daquele jeito, depois de horas de tortura. Quantas vezes ela gritou por meu nome? Talvez nenhuma, talvez inúmeras. Quantas vezes ela desejou nunca ter me chamado de volta em sua vida? E o filho dela, que desapareceu? A captura de Augustus, a única pessoa em quem ela confiava? Seria isso tudo minha culpa?
E novamente, à chuva vem. Eu senti, algumas vezes na minha vida, que existia mais no mundo do que minha alma, agora afogada, percebia.
Eu estava errado.
Não existe mais nada. Não existe mais Helena, não existe mais Augustus, não existe mais um possível Della Rey. Não existe mais ninguém em quem eu possa confiar, salvo talvez aquele mago patético que se esconde em minha casa com medo de sair na rua. O mundo torna-se um lugar mais sombrio e terrível a cada segundo, e a maldição dos Della Rey segue implacável, retirando de minha vida todos aqueles que ousam lutar ao meu lado. E agora planos ainda mais profundos que o Inferno espalham seus tentáculos na Terra e, para variar, eu estou no centro do furacão.
E para piorar, é tudo culpa minha
E para piorar, é tudo culpa minha
Os céus escurecem. Não mais em minha alma... mas no mundo real.
Eu gostaria de deixar a chuva vir essa noite.
Mas as sombras de minha vida jamais me deixariam fazer isso."
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