sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Feed my Hunger... feed Famine...

Eu, Revés e Augustus caminhamos durante um bom tempo até encontrarmos a entrada para o plano de Fome. Era um deserto do pior tipo possível, e eu percebi que Augustus estava visivelmente desgastado. Revés proferiu algumas palavras e então o humano recuperou-se.

-Agora você consegue curá-los?-perguntei, espantado.

-Curar... é, vamos dizer que sim.

Pude ver, no entanto, alguns ferimentos se fechando no próprio Revés. Interessante, ele agora consegue fazer alterações nos destinos dos indivíduos. Meu irmão tinha tornado-se imensamente poderoso e eu sequer tinha percebido. Talvez eu devesse ser ainda mais grato por tê-lo ao meu lado, mas agora não era hora para sentimentalismos.

Agora era de encerrar a influência de mais um dos Quatro.

As mãos de Revés fizeram alguns desenhos no ar enquanto o sol do deserto castigava Augustus. O Senhor dos Corvos terminou sua magia, mas nada aconteceu. De súbito, pudemos ouvir um uivo. Lembrei-me da invocação que usávamos para convocar os cavaleiros:

"E no leste, ecoa e some
O uivo mórbido da Fome"

Ele estava aqui.

Então eu finalmente percebi o que se passava. Fome nunca foi preso em outro plano, ele simplesmente disfarçou-se nesse. E o disfarce foi tão perfeito que ninguém percebeu. Fome não estava no deserto.

Ele era o deserto.

-FOME! TRAGO-LHE SEU SACRIFÍCIO!-berrei. Então olhei para Augustus.-É chegada a hora.

Minha Lâmina cravou-se no peito do mortal, e então seu sangue verteu. No entanto, tão logo ele encostava na areia, ele desaparecia.

Fome estava faminta.

E pelo visto, aquilo era só um aperitivo.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

It's your Destiny, not your choice... live, or die, with it...

Caminhamos até Revés, minhas asas formando uma barreira ao redor de Augustus. Quem quisesse recapturá-lo, teria que me enfrentar.

Não me espanta que ninguém tenha tentado.

-Revés... quando você quiser, podemos ir embora.

O Senhor dos Corvos arremessou o anjo que espancava e então cravou sua própria Lâmina no chão. Uma enorme fenda formou-se. Atirei Augustus dentro dela e pulei para dentro. Revés me seguiu.

Foi um bom tempo em queda livre até que finalmente pudéssemos ver o chão. Rapidamente, segurei Augustus. Aterrissamos calmamente e então olhei para Augustus.

-Você precisa de alguma coisa?

-Esclarecimento, talvez... porque você invadiu o céu para me libertar.

-Porque eu preciso de um sacrifício.

-Você poderia sacrificar qualquer mortal, e eu não me sinto tentado a supor que você realmente dá bola para os humanos que vivem e morrem.

-Um humano comum é um sacrifício ínfimo. Eles mal valem a presença não-corpórea de um demônio patético. Não, eu preciso de um sacrifício grande. E uma cria profana que estava presa nos Céus me parece o suficiente.

-Como posso valer tanto, se eu vou reencarnar?

-Não tenho certeza se você vai reencarnar.

-WOW! Espere aí, preciso reavaliar nosso acordo.

Não tenho paciência pra isso. Peguei-o pelo pescoço e então saquei minha Lâmina.

-Você não entende muito bem o que eu falo, não é, mortal? Eu não invadi uma das prisões mais bem guardadas do universo para ter que contar com a sua boa vontade. Se você quiser, eu o entrego pessoalmente para o primeiro arcanjo que eu encontrar e me certifico de que você vai ter a pior eternidade possível. E você já está se aproximando disso... tanto por ter sido resgatado do céu, quanto por estar tentando tornar-me seu inimigo. Eu e Revés invadimos o Céu para buscá-lo. Eu posso jogá-lo nas Areias dos Esquecidos, se você assim preferir. Ouvi dizer que Lucifer não trata bem seus prisioneiros.

-Você é bastante persuasivo.-disse Augustus.

-Você não viu nem a metade.-respondi, e soltei-o no chão.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Freedom to live, freedom to die...

Não que ele fosse um duelista ruim, mas aquela luta estava perdida antes de começar.

A batalha foi curta e brutal. Por respeito, matei-o com um único golpe; não tinha motivos para humilhá-lo. Quando aquele paredão de terra veio abaixo, Revés já tinha dado conta de mais da metade das pombas.

-Revés... vou buscá-lo, me dê cobertura!- berrei.

-Certo.

Um enorme furacão formou-se ao meu redor. Era um pouco perturbador, mas funcionava. Diversos foram os anjos que tentaram atacar-me, mas a magia de Revés era poderosa e antiga. Eles estavam certos em temê-lo. Estavam certos em temer-nos.

Caminhei tranquilamente por entre as celas até encontrar a que eu procurava. Lá dentro, estava uma criatura perfeitamente humanoide, mas que eu sabia que tinha muito a me oferecer. Destruí a porta de sua cela e então peguei-o pelo pescoço.

-Augustus?-perguntei.

-Sim... - disse ele.-E quem raios é você?

-Digamos que eu posso ajudá-lo ou castigá-lo. Eu posso simplesmente levá-lo daqui ou então largá-lo e ir embora. Tudo vai depender da sua boa vontade.

-O que você quer que eu faça?

-Eu preciso que você morra.

Augustus pensou um pouco. Aquela cela era horrível demais, e ele era impedido de se matar a todo custo. Ninguém queria que ele voltasse para a terra. Ele sabia que fazer um acordo com uma criatura que invadiu o Céu para libertá-lo poderia se provar muito pior do que ficar preso pela eternidade, mas talvez valesse a pena arriscar. Ele sabia que iria reencarnar, e que se lembraria de toda a sua vida. Como raios isso poderia ser pior que ficar preso?

-Ok... temos um acordo.-disse Augustus.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Botando ordem na bagaça

Depois de inúmeros (dois) pedidos, resolvi separar todas as histórias do Orgulho. Para aqueles que não sabem, ou esqueceram a ordem cronológica:

In The Beginning - Leaves' Symphony - Deathmarks - Lost and Found - Words before the end - O Tomo Desconhecido de Fúria - Pride The Fall - Rise of The Fallen  - Epílogo da Pride the Fall.

Espero que fique claro/compreensível/don't care.

Abraços a TODOS (os três) leitores que eu tenho!


A Slaughter in the Heavens

Eu confesso que achei um pouco engraçado.

Eu e Revés caminhávamos tranquilamente enquanto uma falange com dúzias de anjos vinha em nossa direção. Saquei minha Lâmina com um sorriso. Ela já sentia saudades do gosto de sangue. Revés também sorriu, enquanto suas mãos acendiam em chamas. Coitados.

Eles não tinham a menor chance.

O líder da falange fez soar a trombeta de novo. Pelo que eu entendi, aquilo era um aviso: mais alguns passos e eles investiriam. Parei e olhei para Revés, cujos olhos estavam fixos naqueles idiotas.

E então segui caminhando.

Pelo menos uns dez anjos mergulharam diretamente em nossa direção. Abri minhas asas, mas Revés foi mais  rápido. Suas mãos ergueram-se e então verteram jatos de fogo. Os gritos encheram o ar, mas aquilo era só o começo. Os ventos uivaram. Pelo visto, fazia tempo desde a última luta decente de Revés.

Os anjos que estavam em terra avançaram em nossa direção. Deixei que eles se aproximassem e então desapareci, ressurgindo entre eles todos e quebrando a formação. Pude ver o desespero nos olhos dos mais novos e aquilo, de certa forma, me foi revigorante. Minha Lâmina começou a cobrar seu imposto de sangue, colhendo um por um.

E foi nesse momento que o líder da falange interveio.

Quando ele veio em minha direção, confesso que me impressionei. Ele parecia ser bem antigo, mas eu sequer sabia seu nome. De suas mãos, pendiam um machado e um escudo. Ele golpeou o chão, como se desse uma ordem.

E a terra lhe obedeceu.

Uma cratera formou-se ao nosso redor, como uma arena para que duelássemos.

-Quem é você, anjo?- perguntei, sorridente.

-Phael... e devo supôr que você seja o Senhor das Sombras.

-Orgulho, por favor.

O anjo posicionou-se para o combate.

Finalmente, era hora de me divertir.




Where monsters fear to tread...

Alguns desejam viver para sempre, mas a verdade é que isso pode ser bem tedioso. Veja o caso do anjo Phael, por exemplo.

Phael é um anjo antigo, líder da falange responsável por guardar a Prisão dos Céus. Ali, ficavam as criaturas que eram profanas, e perigosas, demais para continuarem livres. Phael era um anjo rígido e muito respeitado, e muito prestativo. Sempre recebia com um sorriso os novatos da falange e cuidava para que os prisioneiros não fossem (muito) maltratados. Ele tem um ofício, que durará a eternidade. Ele é um bom anjo, e vai ficar para sempre no seu cargo.

Agora veja, por exemplo, um de seus presidiários. Ele era culpado por... ter nascido. Era essa sua sentença: ele era uma cria proibida e, portanto, deveria ser punido. Ele não escolheu nascer daquele jeito, mas alguém tinha que pagar e seus pais já tinham sido colhidos pelo tempo. Então, sobrava pra ele. Ele nunca foi problemático, e Phael esforçava-se para reconhecer isso: por mais que aquela aberração não merecesse viver, ele não tinha culpa. Phael e seu prisioneiro passariam a eternidade juntos, assim como vários dos outros prisioneiros.

Isso parece uma vida bem tediosa.

A verdade é que já estavam todos de saco cheio, incluindo a própria falange. Volta e meia uma incursão mal-sucedida de demônios trazia alegria para aqueles guerreiros, que podiam sentir o gosto da batalha para fazer desaparecer o tédio de suas existências. Fora isso, era uma vida pacata.

Quando as trombetas soaram, vários anjos sorriram. Eles correram para seus postos, empunharam suas armas e então entraram em suas formações de combate. Alguns voaram, outros se mantiveram em terra. Suas armas ansiavam por aquele sangue.

Mas havia alguém que ansiava mais.

A eternidade era tediosa.

A eternidade ia acabar.

domingo, 5 de agosto de 2012

You called me Shadowlord, but that never was my name...

-Dois caíram... faltam dois.-disse Revés.

-Sim...- respondi.

Guardei minha recém-adquirida arma e então Revés abriu um novo portal. A mesma sensação desagradável me dominou de novo, e fui tragado de volta para o mundo físico.

-O próximo cavaleiro é Fome. Pretendo deixar Morte por último. Vamos.

Revés e eu nos encaramos. Aquela era mais uma de nossas missões praticamente suicidas que terminavam por dar certo.

-Eu confesso que você me assustou por um momento, Orgulho.-disse ele.

-Eu já lhe feri muito mais do que eu gostaria, Revés. Não tenho planos de fazê-lo de novo.

-Não era disso que eu estava falando.

-Então eu realmente não o entendo.

Revés suspirou.

-Você está disposto a destruir a tudo e a todos. E o pior é que isso inclui você mesmo. O Senhor das Sombras era o mais antigo de seus aspectos. E você simplesmente entregou-o, como se ele não fosse nada para você. Até que ponto a dádiva de Loucura lhe é saudável? Você confia tanto assim no seu sucesso que está disposto a correr o risco de se destruir em vão?

Parei e então olhei para ele.

"Senhor das Sombras era o nome que vocês me davam. Ele só passou a fazer parte de mim quando vocês começaram a esquecer quem eu realmente era. E isso é algo que eu não quero. Aquelas sombras sempre foram a minha maldição. Eu me livrei dele, recuperei-o e então o destruí. Minha Lâmina Eterna nunca fez referência ao Senhor das Sombras.

A verdade é que eu não sou, e nem nunca fui, o Senhor das Sombras.

Para mim, eu sempre fui o Orgulho."